segunda-feira, 10 de março de 2008

O Jeitinho Brasileiro na Trisecular Irmandade

Quem passa em frente à Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e de S. Benedito dos Homens Pretos não imagina quanta história aquelas paredes já viram. Se aquelas portas falassem, certamente contariam tantos causos do mais alto interesse histórico.
Quando chegou a Família Real Portuguesa, a Igreja já era catedral há 70 anos. Foi para essa Igreja que D. João VI e sua família se dirigiram no dia 8 de março de 1808, onde foi cantado um Te Deum. Passo a palavra ao Sr. Pedro Lopes que relata: Nesta oportunidade, o cabido (cônegos) da Igreja quis impedir que os negros da Irmandade, fundada e composta por escravos libertos e alforriados, recebessem o Príncipe Regente à porta da Igreja, trancafiando-os no interior de sua própria Igreja. Os irmãos da Irmandade, fingindo-se conformados, já utilizando-se do “jeitinho brasileiro” conseguiram se desvencilhar da prisão provisória recebendo o Príncipe Regente Dom João à frente dos cônegos com cânticos e louvores. Tal imagem está consagrada em tela a óleo de Armando Viana no Museu da Cidade, assim como, reconhecido por historiadores renomados do país (Revista História da Biblioteca Nacional, edição número 28). Aí está, o jeitinho brasileiro resolveu a situação.
Mas a História não se encerra aí. Em razão de combinações políticas (desconhecidas dos coordenadores deste blog) a Trisecular Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e de S. Benedito dos Homens Pretos ficou de fora das comemorações oficiais promovidas por governos. Seria mais uma vez a discriminação aos Homens Pretos, como fora feita no passado? Não sabemos. Mas o jeitinho brasileiro mais uma vez deu resposta ao problema e a Família Imperial Brasileira foi recebida com toda pompa no templo onde mais uma vez foi cantado o Te Deum.
Bonita homenagem nestes 200 anos da chegada da Familia Real Portuguesa.

Um comentário:

Sandrah disse...

O amigo Pedro Lopes lançou Ato de Desagravo pela situação descrita. Conforme afirmei a ele, assino.
Mas não há que se parar por aí. A justa indignação não pode e não deve seu sufocada. Faça-se com que todos saibam, então.
Mas o melhor desagravo compete a nós, muito mais que adeptos da monarquia, brasileiros cientes e conscientes da situação do país.
Proponho aqui, que seja elaborado um documento nos moldes de um abaixo-assinado, endereçado primeiramente ao IPHAN e, em seguida a tantos órgãos responsáveis e/ou interessados na preservação do patrimônio histórico nacional, no resgate da História, no investimento na Memória - fontes inesgotáveis da cultura e da formação da nacionalidade de um povo.
Em tal documento, pediremos a restauração do prédio da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, que abriga desde há três séculos a Irmandade dos Homens Pretos.

Demais, devo deixar registrado o meu agradecimento ao Dr. Quintino, Dr. Mauro e Dr. André por tão gentis palavras relativas a minha fala.
E ainda, agradecer à Imperial Irmandade dos Homens Pretos pela forma carinhosa como receberam a mim, representando a Monarquia em Ação, além da tão nobre homenagem dessa Irmandade e do Instituto Dona Isabel I, prestada por ocasião da emocionada "defesa" que fiz naquelas linhas.

Sandra Ramon Franco