domingo, 3 de fevereiro de 2008

Analise profunda da situação brasileira e do papel da monarquia



Tesouros escondidos…


A matéria é antiga, foi publicada em 1991. A entrevista é do “Diário Popular” e o entrevistado o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que acabava de proferir palestra no Circulo Monárquico de S. Paulo. O texto entrou para a História e é oferecido aqui como subsidio para analise e reflexão.



30 de março de 1991

Entrevista ao "Diário Popular"

Diário Popular - Com relação à palestra do Sr. agora nesse Círculo [monárquico], quais são as inquietações e esperanças que o Sr. coloca para o Brasil de hoje?

Plinio Corrêa de Oliveira
- O mundo está num estado de confusão geral tanto no Leste quanto no Oeste. É uma confusão da qual pode sair qualquer coisa. Por outro lado, especificamente a América do Sul e mais especificamente o Brasil parecem estar passando da confusão para o caos.

DP - A que o Sr. atribui essa análise do Sr.?

PCO -
Eu atribuo a que o Brasil foi muito sacudido pela propaganda comunista, tendências comunistizantes de toda ordem, e, sobretudo, a crise progressista dentro da Igreja Católica, que é a maior força espiritual do Brasil.

Eu estou falando talvez um pouco depressa, não?

DP - Está bom, está perfeito.

PCO -
Acrescido a isso tudo, a situação da dívida externa.

DP - E quais são as esperanças?

PCO -
A esperança é a seguinte: eu noto na massa do povo brasileiro, que a meu ver o grande desconhecido no Brasil é o povo brasileiro...

DP - Por quê?

PCO -
Vamos ver daqui a pouquinho.

Em geral eu noto no povo brasileiro, eu noto um grande lastro de bom senso e de uma tendência a frear todos os delírios - freá-los num sentido conservador. Agora, o que é que eu entendo por povo brasileiro?

DP - Frear todos...

PCO -
Todos os excessos, todos os delírios.

Agora, o que é que eu entendo por povo brasileiro? Aqui está a questão.

Eu entendo por povo brasileiro, vamos dizer, esse peso sensato do povo brasileiro não está no jet set. Não me queira muito mal, mas é raro na midia, esse bom senso é raro na midia e em geral nas nossas cúpulas: cúpula política, cúpula universitária, cúpula econômica. Todos esses se deixaram impressionar pela idéia de que o comunismo está tomando conta do Brasil e que, portanto, é preciso ceder. A convicção sensata de que não está tomando conta e de que, portanto, não é preciso ceder, é preciso frear, se encontra na burguesia pequena, média e no povinho. Se quiserem no "povão".

DP - Com relação a todo Ciclo que está sendo realizado aqui, o Sr. acha que a população brasileira está preparada para aceitar o retorno da Monarquia, e até que ponto está preparada para aceitar?

PCO - Eu não pertenço a esse movimento monárquico, eu sou amigo dos príncipes, e sou monarquista doutrinário, mas não político. A TFP, da qual eu sou Presidente, é um movimento a-político. Eu venho aqui dizer a eles uma palavra de colaboração como tenho colaborado com todas as correntes políticas que tem procurado aproximar-se da TFP. Quer dizer, eu sou extra-partidário e a-político. De maneira que o Sr. está me pedindo aí, nesse ponto, uma opinião política e, portanto, fora de meu campo.

Está claro ou não?

DP - Perfeito. Mas de qualquer forma eu gostaria de saber a opinião do Sr.. Se há condições...

PCO -
Condições há. Há condições para que o povo, o "povão" exatamente, bem esclarecido, sendo bem esclarecido, opte por esta solução. Não quer dizer com isto que eu esteja trabalhando nesse sentido. Quer dizer, portanto, a TFP e a ação monárquica são coisas completamente distintas.

DP - O grosso da população pode entender que a monarquia tem idéia da centralização do poder, e nisso possa até impedir um avanço...

PCO -
Não, não me parece, porque a tradição monárquica brasileira é profundamente parlamentar, o exemplo de D. Pedro II deixou uma figura da monarquia inteiramente diferente do monarca absoluto, de maneira que não me parece que eles tenham que recear este perigo.

DP - De centralização...

PCO -
É, de despotismo. O Sr. está falando sobre o nome de centralização, mas no fundo é despotismo. Quer dizer, o czarismo, vamos dizer.

DP - No entender do Sr...

PCO -
Não, ah não. Depois eu conheço muito bem Dom Luís e Dom Bertrand, e sei das posições profundamente opostas a essa monarquia absoluta e centralizadora da qual o Sr. está falando.

DP - Só mais duas perguntas. Como fazer chegar à maioria da população essa idéia de monarquia para a população entender e talvez até trazer um bom número de simpatizantes...

PCO -
Os meios, eles não me dizem o que é que eles estão pensando, eu me mantenho alheio a isso. Mas o que me ocorre aqui é a midia, não tem outro remédio.

DP - Via midia?

PCO -
Eu não vejo outro meio.

DP - E em ações concretas...

PCO -
Para ser conhecida no Brasil inteiro sem a midia, só a TFP. O Sr. há de reconhecer que a midia não favorece a TFP. Entretanto, não há um lugarejo do Brasil onde a TFP não seja conhecida. O Sr. vai em qualquer lugar, qualquer "caixa prego", tem gente que conhece a TFP.

DP - Que tipo de ação concreta junto à população, deveria ser feito e pode ser feito para divulgar...

PCO -
Isso escapa à minha ação. Eu não interfiro na atividade de uma organização a qual eu não pertenço, que é a Ação Monárquica.

DP - O Sr. acredita que a monarquia, considerando esse plebiscito de 93, seria a solução mais adequada, ideal para governar esse país?

PCO -
Eu tenho a impressão - aqui estou falando como brasileiro, como cidadão brasileiro simplesmente e não como presidente da TFP - eu acho que uma coisa é certa: que se a monarquia tivesse desfechado no resultado que desfechou a república, seria o caso de suprimi-la. Isso ninguém nega.

DP - A monarquia tem chances e seria o caminho mais viável...

PCO -
É possível que muitos brasileiros pensem como eu. É razoável que muitos brasileiros pensem como eu.

DP - Então, entre os três, o Sr. prefere...

PCO -
Quais são os três?

DP - Presidencialismo, Parlamentarismo...

PCO -
Parlamentarismo e presidencialismo é uma matéria que está fora do assunto monarquia, são dois assuntos. Monarquia é uma coisa: é a forma de governo que tem à testa um rei. Há duas modalidades de monarquia: parlamentar e absoluta. A parlamentar é a única viável hoje em dia.

DP - Isso para o Brasil?

PCO -
Para o Brasil. Não se pode pensar em outra, não cabe. Ninguém aceitaria, não vai.

DP - Aí o Sr. não está questionando a questão do Parlamentarismo e Presidencialismo...

PCO -
O plebiscito é o seguinte: Monarquia ou república, um ponto. Agora, ponto dois: se for monarquia, será absoluta ou parlamentar? Terceiro: se for república, há de ser presidencial ou parlamentar?

Quer dizer, são no fundo quatro...

DP - Uma análise do Sr. fazendo a comparação da república com a monarquia, a viabilidade para o Sr. qual é?

PCO -
Ah, isso eu não sei. Eu estou fora disso, a TFP cuida de outras questões.DP - Muito obrigado.


 

D. Bertrand no programa Expressão Nacional

Senador Gerson Camata elogia ex-imperadores do Brasil


 


PLENÁRIO / Pronunciamentos
12/11/2007 - 17h27
Camata elogia ex-imperadores do Brasil
[Foto: senador Gerson Camata ]

Primeiro orador a ocupar a tribuna nesta segunda-feira (12), o senador Gerson Camata (PMDB-ES) lembrou a figura do ex-imperador brasileiro D. Pedro II. O senador elogiou a trajetória do monarca, que governou o Brasil por 50 anos. Após a Proclamação da República, acrescentou Camata, D. Pedro II recusou a pensão oferecida pelo governo brasileiro e acabou morrendo pobre. Em seu velório em Paris, onde morreu, foi homenageado com a presença de representantes de 80 países, menos do Brasil.

- É um exemplo para nossos governantes de hoje. Homem dedicado e apaixonado por seu país - elogiou Camata.

Na interpretação do senador, D Pedro II era republicano e dizia que a imprensa livre era "a grande auxiliar da missão de governar".

- É um exemplo para os nossos governantes de hoje, diante de tanto escândalo que estoura por aí, um exemplo de homem dedicado ao seu país, amante do seu país, apaixonado pelo seu país - disse Camata.

O senador também elogiou a figura de D. Pedro I, "fundador do Brasil", na interpretação de Camata, por ter proclamado a independência do país. Falecido aos 33 anos, disse o senador, D. Pedro I foi elogiado pelo jornal New York Times, que afirmou ser o falecido imperador "o governante modelo do mundo, o mais ilustre monarca do século XIX, que tornou o Brasil tão livre quanto uma monarquia pôde ser livre".

- De modo que nós, republicanos, devemos à Monarquia brasileira não só a unidade do país, mas os exemplos de hombridade, de honestidade, de respeito à coisa pública, que infelizmente estão faltando na República brasileira e que sobejaram no Império. A Monarquia nos deixou, então, inúmeros exemplos: da liberdade de imprensa, da liberdade de atuação, da liberdade de pensamento e o exemplo fundamental da honestidade - afirmou Camata.


Senado Federal - Agência Senado -Notícias.

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Confira: Monarquia e Familia Imperial


Thiago
O que mudou nesses 120 anos de republica?
Numeros da economia no Brasil Império e conclusões
na época do Brasil império a inflação média do pais era de 1,58%, quando a republica tomou as rédeas do Brasil a inflação chegou aos gritantes 64,9 quatrilhões de %
Quais foram as vitorias do sistema Presidencialista?
tivemos nesse periodo 9 golpes de estado 13 ordenamentos constitucionais, 4 constituintes, 10 tipos de republica, quem conhece um pouco de historia sabe que o Primeiro Republicano, Marecha Deodoro da Fonseca fechou por 6 vezes o congresso pela liberdade.

Um Rei é doutrinado para reinar desde sua infancia...
Um imperador personifica a indentidade de seu povo.
Um rei, muito diferente de uns chefes de estado que eu conheço, são pessoas bem articuladas, que sempre optam pela diplomacia.

na época do Império tinhamos a segunda marinha mais poderosa do mundo, e eramos a 4 nação mais poderosa do mundo?

E o que aconteceu nesses 120 anos?
retrocesso...
como disse o principe regente e chefe atual da casa imperial Brasileira.
trocamos a monarquia pela anarquia...

sou inteiramente favoravel ao parlamentarismo Monarquico No Brasil...


 

O Principe Perfeito e a História

Dom Luiz de Orléans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil



“O Príncipe Perfeito”



Infância e Juventude

Dom Luiz Maria Filipe Pedro de Alcântara Gastão Miguel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança nasceu em 26 de janeiro de 1878, sendo filho de Gaston d'Orléans, conde d´Eu e Dona Isabel, princesa imperial do Brasil. Seus avós paternos eram Louis Charles, duque de Nemours e Victoria de Saxe-Coburgo-Kohary, enquanto seus avós maternos eram Dom Pedro II, imperador do Brasil e Teresa Cristina de Bourbon-Sicílias.¹

Seu parto foi muito mais fácil que o de seu irmão mais velho, recebendo seu nome em homenagem ao avô paterno. No entanto, sendo o segundo filho da herdeira do trono imperial do Brasil, não era esperado que um dia viesse a ascender ao trono.¹

Desde pequeno revelou possuir uma personalidade forte e determinada, como quando em viagem a Europa com sua família no dia 23 de fevereiro de 1887 em que ocorreu um terremoto logo no amanhecer e enquanto seu irmão mais velho Pedro ficara nervoso e chorava, Luiz simplesmente ficou impassível, como se a situação pouco o afetasse. ¹

As discrepâncias entre ele e o irmão mais velho eram notórias, como seu pai descreveu em uma carta datada de fevereiro de 1889 onde revelou Pedro como “tão incapaz e descuidado nisso (jogar bilhar com D. Pedro II) quanto em tudo o mais”.¹ Enquanto Pedro era gentil e simpático, [...] não gostava de estudar e, geralmente, se mostrava desajeitado. Luiz tinha força de vontade, era muito altivo e perspicaz.¹ Gaston, o conde d´Eu afirmou em uma carta em 1890 que o [...] Bebê Pedro sempre se destaca pela indolência e a inépcia”, ao passo que “Luiz faz exatamente o mesmo trabalho escolar sozinho, com um prestígio e uma capacidade admiráveis”. ¹

O príncipe [...] revelou desde muito cedo a dedicação às letras que, ao se tornar adulto, desabrocharia nas diversas obras que publicou relatando suas experiências de viagens: Dans les Alpes, Tour d´Afrique, Onde quatro impérios se encontram, Sob o Cruzeiro do Sul.³

Luiz, de [...]natureza irrequieta, a necessidade e ação que, nos anos juvenis, o impelia a esportes impulsionou-o, na maturidade, à ação política.³ Não sendo a toa que no auge da campanha abolicionista, ele e seus irmãos [...]publicavam um jornal abolicionista no palácio de Petrópolis.²

Com o golpe de estado que derrubou a monarquia em favor da república em 15 de novembro de 1889, a princesa Isabel preferiu enviar os filhos para Petrópolis, onde mais tarde Luiz recordou que “encerrados no palácio, deixaram-nos durante dois longos dias na mais completa ignorância do que se passava lá fora”, até que foram entregues de volta aos seus pais e partiram para o exílio forçado. ¹

Como não puderam levar nada, a não ser alguns objetos pessoais de mão, a família imperial se viu numa situação financeira muito complicada, que piorou com a recusa de Dom Pedro II de cinco mil contos de ajuda de custo oferecidos pelos golpistas.² Tiveram que se contentar com a ajuda de amigos e até mesmo do pai de Gaston, conde d´Eu. ¹

Finalmente, em 1890, resolveram fixarem-se nos arredores de Versalhes, quando Pedro tinha quinze anos, Luiz treze e o irmão mais novo, Antônio, apelidado de “Totô”, nove. ¹

Apesar dos mais variados esforços dos monarquistas no Brasil para ressuscitarem a monarquia, após a morte de Dom Pedro II em 1891, nenhum membro da família imperial colaborou com nenhum tipo de ajuda, nem mesmo com palavras de apoio explícito. Pedro, irmão mais velho de Luiz e herdeiro da princesa Isabel, [...] chegou a maioridade em 1893, mas não tinha desejo e nem capacidade para assumir a causa.¹


No mesmo ano Pedro partiu para Viena, capital do então Império Austro-Húngaro para estudar na escola Militar de Wiener Neustadt, pois segundo sua própria mãe, é [...] preciso que faça alguma coisa e a carreira militar nos parece a única que ele deve seguir. Luiz e seu irmão mais novo, Antonio logo o seguiram para a mesma escola militar. ¹



Vida adulta

Em 1896, Pedro conheceu uma moça chamada Elizabeth de Dobrzenicz e logo se apaixonaram, tendo o casal combinado bastante em [...]termos de caráter e temperamento. Enquanto isso, Luiz, [...]era um ativista; ambicioso e voluntarioso, encarava o mundo como algo a ser conquistado. Praticante de alpinismo, escalou o Mont Blanc em 1896. A uma visita ao sul da África, seguiu-se uma longa e ousada excursão à Ásia Central e à Índia. Sobre essas três experiências ele escreveu e publicou.¹ Não sendo a toa que era justamente Luiz, que [...]D. Isabel e o conde d´Eu viam a pessoa capaz de manter a causa monárquica no Brasil. ¹

Após retornar de suas aventuras em 1907, Luiz planejou um projeto ambicioso que seria desafiar o decreto de banimento da família imperial, viajando para o Rio de Janeiro.¹ Sua súbita chegada criou um rebuliço na antiga capital imperial, tendo sido amplamente [...] noticiado nos jornais, o episódio alcançou grande repercussão nos meios políticos, colocando a família imperial no centro das atenções e muitos monarquistas e curiosos vieram recebê-lo. ³

No entanto, Luiz foi impedido de desembarcar e não foi permitido pisar em sua terra natal pelo governo republicano. Inclusive enviou um telegrama a sua mãe dizendo: “Impedido de desembarcar pelo governo, saúdo da baía da Guanabara, na véspera do 13 de Maio, a redentora dos cativos.” [...] Mais tarde, relatou as experiências dessa viagem em Sob o Cruzeiro do Sul, publicado em 1913.³



A renúncia do irmão mais velho

Em 1908, Luiz ficou noivo de uma prima, Maria Pia de Bourbon-Nápoles, sobrinha-neta de sua avó materna, Teresa Cristina, enquanto o seu irmão mais velho, Pedro, herdeiro da princesa Isabel, desejava casar-se com Elizabeth de Dobrzenicz. Tal casamento não seria permitido pela então Chefe da Casa Imperial, a princesa Isabel, pois Elizabeth, ou “Elsi”, como era chamada, não fazia parte de nenhuma família reinante da Europa, mesmo que alguma deposta. ¹

A princesa Isabel, como mãe, não desejava o sofrimento do filho, e concordou com o casamento de Pedro contanto que ele renunciasse ao seu direito ao trono. [...] Pedro, que não estava interessado em ser monarca, assinou a renúncia no dia 30 de outubro de 1908. O casamento de Luiz com Maria Pia foi celebrado em 4 de novembro, e o do Pedro com Elizabete, dez dias depois.¹

Pedro renunciou solenemente, assinando um documento aqui transcrito:



Eu o Principe Dom Pedro de Alcantara Luiz Philippe Maria Gastão Miguel Gabriel Raphael Gonzaga de Orleans e Bragança, tendo maduramente reflectido, resolvi renunciar ao direito que pela Constituição do Imperio do Brazil promulgada a 25 de Março de 1824 me compete à Corôa do mesmo Paiz. Declaro pois que por minha muito livre e espontanea vontade d'elle desisto pela presente e renuncio, não só por mim, como por todos e cada um dos meus descendentes, a todo e qualquer direito que a dita Constituição nos confere á Corôa e Throno Brazileiros, o qual passará ás linhas que se seguirem á minha conforme a ordem de successão estabelecida pelo Art. 117. Perante Deus prometto por mim e meus descendentes manter a presente declaração.

Cannes 30 de Outubro de 1908

assinado: Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança

Seguida pela resposta de Isabel:

9 de Novembro de 1908, {Castelo de] Eu

Exmos. Srs. Membros do Diretório Monárquico

De todo coração agradeço-lhes as felicitações pelos consórcios de meus queridos filhos Pedro e Luiz. O do Luiz teve lugar em Cannes no dia 4 com todo o brilho que desejava para ato tão solene da vida de meu sucessor no Trono do Brasil. Fiquei satisfeitíssima. O do Pedro deve ter lugar no dia 14 próximo. Antes do casamento do Luiz assinou ele sua renúncia à coroa do Brasil, e aqui lha envio, guardando eu papel idêntico. Acho que deve ser publicada essa notícia o quanto antes (os senhores quererão fazê-lo da forma que julgarem mais adequada) a fim de evitar-se a formação de partidos que seriam um grande mal para nosso país. Pedro continuará a amar sua pátria, e prestará a seu irmão todo o apoio que for necessário e estiver ao seu alcance. Graças a Deus são muito unidos. Luiz ocupar-se-á ativamente de tudo o que disser a respeito à monarquia e qualquer bem para nossa terra. Sem desistir por ora de meus direitos quero que ele esteja ao fato de tudo a fim de preparar-se para a posição à qual de todo coração desejo que um dia ele chegue. Queiram pois escrever-lhe todas as vezes que julgarem necessário pondo-o ao par de tudo o que for dando. Minhas forças já não são o que eram, mas meu coração é o mesmo para amar minha pátria e todos aqueles que nos são tão dedicados.

Toda a minha amizade e confiança

a) Isabel Condessa D´Eu

A partir de então, [...] D. Luís passou então a ter maior envolvimento com os monarquistas, assumindo o papel de pretendente ao trono, em lugar da princesa Isabel, que não se colocava na liderança explícita do movimento.¹ Seu esforço para reverter todo o mal causado pela inércia da família imperial quanto a causa monárquica foi enorme, e em 1909 [...]lançou um manifesto para reunir os monarquistas, retomar a propaganda da causa e fundar novos centros de militantes. Lançou então seu primeiro manifesto político, a que se seguiu o de 1913. Conseguiu reunir correligionários em diversos estados. ³

De seu casamento com Maria Pia, nasceram três filhos: Dom Pedro Henrique (1909-1981), que se tornou o sucessor direto da princesa Isabel e Chefe da Casa Imperial após o falecimento desta em 1921; Luiz Gastão (1911-1931) e Pia Maria (1913-2000). A princesa Isabel não tardou a manifestar sua opinião quanto aos netos, escrevendo em 1914 uma carta dizendo “[...] envio-lhe uma fotografia minha com meus netos do Luiz. Pedro Henrique cada vez se desenvolve mais e é criança inteligentíssima. Os avós têm um amor especial pelos queridos netinhos”.¹



A Primeira Guerra Mundial

Em agosto de 1914, se iniciou a Primeira Guerra Mundial, que na época fora conhecida como “A Grande Guerra”. A [...] invasão da França pela Alemanha ofereceu uma válvula de escape tanto para o idealismo como para o ativismo de Luiz, que segundo suas próprias palavras, era um “soldado no fundo do coração”. Ele e o irmão Antônio precipitaram-se a defender a pátria dos ancestrais. Como a lei os proibia de servir nas forças da nação, por serem membros da família real francesa, ambos se alistaram como oficiais do exército inglês.¹

Em 1915, combatendo nas trincheiras de Flandres e servindo como oficial de ligação, Luiz contraiu um tipo agressivo de reumatismo ósseo que o deixou debilitado e incapaz de andar. ¹

Foi retirado em estado grave das trincheiras e levado para segurança, a fim de poder recuperar-se da moléstia. Em conseqüência de suas ações no conflito e por sua bravura, Luiz recebeu diversas condecorações: Medalha Militar do Yser, pelo rei Alberto I da Bélgica; Legião de Honra, no grau de cavaleiro, e a Cruz de Guerra, pelo governo francês; a British War Medal, a Victory Medal e Star pelo Reino Unido da Grã-Bretanha.4



Últimos anos

A [...] moléstia contraída nas trincheiras resistiu à todas as formas de tratamento [...] e sua [...]saúde foi declinando lenta e implacavelmente, até que a morte o levasse em 26 março de 1920.¹

Príncipe desconhecido pelos brasileiros atualmente, tendo sido um exemplo de cavalheirismo e seu amor por sua terra natal foi demonstrado em todos os momentos possíveis, ainda mais depois que [...] assumiu a posição de príncipe imperial em 1908, manifestando-se publicamente a favor da restauração do trono no Brasil e tomando parte ativa nos movimentos monarquistas até a Primeira Guerra Mundial. ³

Suas [...] idéias, como a inclusão da questão social na agenda política, numa época em que era considerada “caso de polícia” pelos governantes da República Velha, lhe renderam o epíteto de “príncipe perfeito” ³ ou mais precisamente como rei Albert II dos Belgas falou a seu respeito: “homem como poucos, Príncipe como nenhum".4



Bibliografia

- ¹ BARMAN, Roderick J., Princesa Isabel do Brasil: gênero e poder no século XIX, UNESP, 2005.

- ²CARVALHO, José Murilo de, D. Pedro II, Companhia das Letras, 2007.

- ³BR História, edição nº 4, Ano 1, Duetto, 2007.

- 4SANTOS, Armando Alexandre dos, Dom Pedro Henrique: o Condestável das Saudades e da Esperança, Editora Artpress, 2006.