segunda-feira, 2 de junho de 2008

Qual é a vocação do Brasil?



Aristóteles e São Tomás ensinam que qualquer forma de governo pode ser boa ou ruim, despótica ou democrática, segundo as leis em que se sustenta. Isso significa que tanto podemos ser democratas sob a égide de rei, bem como sob o barrete frígio de um republicano. Contudo, destacamos que sob a égide de um monarca não há uma só Monarquia despótica no mundo moderno. No entanto, em relação às Repúblicas não podemos igualmente assegurar.
Ao longo dos séculos de experiências políticas, as Monarquias evoluíram, modernizaram, se adaptando ao seu tempo. Ao contrário a forma republicana se valeu, não da experiência, mas de intelecções cerebrinas e invenções laboratoriais. Depois de seu surgimento, no final do século 18, não evoluiu mais.
A macaqueação brasileira de adotar a forma de governo forjada pelos EUA, que considerou a formação histórica, política, social e religiosa, daquele país, que não coincide com a nossa, nem a dos outros, resultou em evidente desastre para o Brasil, seus vizinhos e demais países que a adotaram. O sistema presidencialista, vigente só nos países do 3º Mundo, além dos EUA, é a adoção hoje, em pleno Século 21, do Absolutismo surgido na Renascença do Século 16, com a diferença de ter prazo determinado.
A partir do Segundo Reinado, quando já funcionava a Monarquia Constitucional Parlamentar, sem copiar de país algum, tivemos no Século 19 prova de experiência autóctone. Com efeito, vigia nesse período o parlamentarismo, que é o atual sistema de governo, adotado pelos países mais avançados do Mundo, criado e desenvolvido pela Monarquia. Depois, até copiado por Repúblicas Parlamentaristas, que apresentam flagrantes progressos frente às demais. Entretanto, à luz das Ciências Políticas é reconhecido que os atuais sistemas Parlamentares Monárquicos são em muito superiores e cientificamente mais perfeitos que as Repúblicas Parlamentaristas.
Basta citar as Monarquias da Bélgica, Dinamarca, Espanha, Holanda, Inglaterra, Liechtenstein, Luxemburgo, Mônaco, Noruega, Suécia na Europa e o Japão na Ásia. Ou ainda a Austrália e a Nova Zelândia, além do Canadá na América, que nem Rei tem, mas uma Rainha que fica do outro lado do Atlântico. Esses países detêm os mais altos índices de Desenvolvimento Humano (IDH) Mundial. Não há República com resultados tão elevados como dessas benfazejas Monarquias, onde a prosperidade, a paz social, a eqüidade democrática e a estabilidade política são as mais justas e igualitárias do Globo. Por mais antagônico que possa parecer é justamente nessas Monarquias que o “ideal socialista” funciona de forma mais exemplar e duradoura.
Em vista das revisões Históricas, suscitadas pela efeméride dos 200 Anos da Vinda da Corte Portuguesa ao Brasil, é oportuno rever acerca da razão espúria do raciocínio depreciativo à Monarquia, que associa essa forma de governo à coisa do passado, a retrocesso, assimilado, principalmente, por aqueles que nunca refletiram e deram conta do patrulhamento ideológico levado a cabo pelos próceres da República.

Jorge José Bitar - Ibn Al-Hafide Al-Sheik men Andket-Akkar é formado em Direito pela FADIR, em Letras pela UNESP, pós-graduado, em Literatura, Educação e Desenvolvimento pela UNESP/FAPERP. bitarjorge@ig.com.br

WNEWS - REFLEXÃO Página 62 Ano 1 Nº. 3 - Abril 2008

IGREJA DO ROSARIO SERA REFORMADA PELO IPHAN


Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Rio, será reformada pelo Iphan
JB Online http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/06/01/e010623960.html
BRASÍLIA - O edifício da Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos do Rio de Janeiro será reformada. Segundo informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a reforma é orçada em R$ 100 mil e as obras começam em dois meses.
Nesta semana, o Instituto Cultural D. Isabel I, que administra o monumento, enviou carta aos ministros Gilberto Gil, da Cultura, e Edson Santos, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, denunciando a má situação em que ele se encontra. Na carta, o instituto diz que a igreja foi penhorada por ordem do Tribunal de Justiça do estado, para quitar um dívida de mais R$ 10 milhões com a Horus Empreendimentos.
De acordo com o documento, o Museu do Negro, que funciona no sobrado da igreja, vive em situação precária e atualmente não tem museólogo responsável. Lá estão os dois únicos estandartes abolicionistas que restaram dos anos 1880. Conforme registra o historiador Eduardo Silva, estudioso e defensor da memória abolicionista na Academia de História e Ciências Sociais do Brasil, a Igreja do Rosário era o quartel-general do abolicionismo.
Segundo o Iphan, o prédio tem sérios problemas, como uma infiltração no telhado, que pode danificar sua estrutura. Os R$ 100 mil foram solicitados no fim do ano passado.
Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Cultura informou que a carta chegou ao gabinete do ministro Gilberto Gil, já foi protocolada e está sendo examinada.
http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/06/01/e010623960.html

Revista de História da Biblioteca Nacional

Abolição em oito tempos
Oito especialistas refletem sobre as origens, o processo e os efeitos do fim da escravidão no Brasil

O texto é curto e direto: “Fica abolida a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário”. Onze palavras que mudariam o nosso futuro. Com o fim do cativeiro, o país entraria em uma nova fase, próspera e igualitária. Festa, júbilo, comoção coletiva nas ruas.

Cento e vinte anos depois, a promessa sugerida naquele belo pedaço de papel soa envelhecida como o próprio. Em que ponto do caminho as coisas deram errado?

Provavelmente, antes mesmo daquele 13 de maio de 1888. Para voltar no tempo e tentar entender o modo como a Abolição foi concebida e se desdobrou, convidamos oito estudiosos a refletir sobre diferentes aspectos daquele momento histórico.

O resultado revela o “jeitinho brasileiro” de acabar com a escravidão. Do ponto de vista religioso, nos separamos do destino norte-americano. Na esfera política, a autoria do feito foi disputada por republicanos e monarquistas. A princesa Isabel virou santa, a reforma agrária foi engavetada e o papel dos próprios negros, ignorado. Para completar, um vôo até a África de hoje, onde a escravidão persiste.

A Abolição ganha contornos reais.

Textos que você encontrará nesta matéria especial:

O papel das religiões - José Murilo de Carvalho
Sensibilidade inglesa - Manolo Florentino
Cor que faz a diferença - Wlamyra R. de Albuquerque
Liberdade é terra - Maria Alice Rezende de Carvalho
Abolição como dádiva - Lilia Schwarcz
Monarquia redentora - Robert Daibert Jr.
Contra a corrente, a cultura negra floresce - Nei Lopes
A abolição que não veio - Alain Pascal Kaly

Leia os textos completos na edição do mês, nas bancas

Revista de História da Biblioteca Nacional.

Convite da Prefeitura de Niteroi

Revista de História da Biblioteca Nacional


1808, antes e depois... - Clássicos
Algumas obras de referência sobre o período joanino

A República ainda guardava suas turras com a monarquia quando, em 1908, no centenário da chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro, o historiador e diplomata pernambucano Manuel de Oliveira Lima (1867-1928) publicou pela primeira vez D. João VI no Brasil (4ª edição, Topbooks, 2006, R$ 69,00). Considerado um clássico da historiografia brasileira, o livro completa agora cem anos de sua primeira edição e permanece como o mais importante estudo sobre o período joanino. Empenhado em desfazer a imagem de um rei bonachão e desleixado, Lima revelou um monarca complexo, marcado por uma personalidade indecisa, mas sensível aos seus deveres políticos de estadista. Consultando uma copiosa documentação diplomática, descobriu que os planos de transferir a família real para o Brasil eram anteriores a 1807 e empurrou para escanteio a imagem caricata de “fuga”, defendendo a originalidade da decisão portuguesa. Com uma narrativa envolvente, a obra por vezes parece um longo romance, ambientado em um Rio de Janeiro cheio de vida, com dias ensolarados, colorido pelos festejos e pela alegria ruidosa dos seus habitantes. Os personagens também ganharam contornos mais humanos: a rainha Carlota Joaquina, grande vilã do livro, vivia a tramar contra o bondoso D. João. Ministros e funcionários régios, todos têm seus segredos e interesses políticos revelados, em um momento extramente tenso da história do Brasil e de Portugal.

Outra referência obrigatória para quem estuda o período é o trabalho da historiadora Maria Odila Leite da Silva Dias “A interiorização da metrópole”. Publicado pela primeira vez em 1972, no livro 1822: Dimensões, organizado por Carlos Guilherme Mota, ganhou recentemente o formato de livro com o título A interiorização da metrópole e outros estudos (Alameda, 2005, R$ 32,00). Rompendo com as interpretações historiográficas correntes, que defendiam uma relação dicotômica entre os interesses das elites de Portugal e do Brasil, Maria Odila demonstra que a partir de 1808 ocorreu um enraizamento de interesses portugueses associados aos dos nativos da colônia. Tomando de empréstimo a noção de herança colonial, elaborada por Sérgio Buarque de Holanda, mostra que a elite colonial já estava comprometida com a “tarefa de reforma e construção” de um novo Estado português, concretizado no Rio de Janeiro. O estudo abriu caminho para teses importantes, especialmente de História Econômica, como As tropas da moderação: o abastecimento da Corte na formação política do Brasil (1808-1842), de Alcir Lenharo (1979).

Do baú da coleção Brasiliana destacam-se dois clássicos: A Corte de Portugal no Brasil (Companhia Editora Nacional, 1938), de Luís Norton, e Cultura e Sociedade no Rio de Janeiro (1808-1821), de Maria Beatriz Nizza da Silva (Companhia Editora Nacional, 1977). À sombra das tramas diplomáticas européias, o livro do diplomata e poeta português, publicado em 1938, reconstrói o cotidiano da família real, dos arranjos para a transferência, em 1808, até a renúncia de D. Pedro I em 1831. Tirando do cenário político a figura de D. João, Norton destaca a atuação da princesa austríaca Leopoldina, que em 1817 casou com o príncipe D. Pedro e veio viver no Rio de Janeiro. A Leopoldina são dedicados quatro capítulos do livro, atribuindo à futura imperatriz do Brasil um papel central no processo de Independência (1822). Imbróglios diplomáticos e políticos à parte, o livro da historiadora portuguesa Maria Beatriz Nizza da Silva revela os hábitos e as formas de sociabilidade das famílias brasileiras, nos anos de permanência de D. João no Brasil. Ao ser lançado, em 1977, inovou ao tratar de um domínio novo no campo das ciências humanas, o da História Cultural. Flertando com a antropologia e com a sociologia, a autora vasculhou descrições de viajantes e anúncios publicados no jornal a Gazeta do Rio de Janeiro, em busca de pistas sobre os domicílios, o mobiliário, os trajes e os hábitos alimentares da sociedade do Rio de Janeiro. Descobriu – o que na época era ainda inédito – que os costumes europeus só começaram a se impor aos habitantes dos trópicos após 1816, e, apenas aos nobres da terra. Para a maior parte da população, a presença da Corte no Brasil, não alterou os afazeres do dia-a-dia, ou a “cultura implícita”, como denominou a autora. O Rio de Janeiro transformado em sede do governo português também foi objeto de análise. Maria Beatriz Nizza trata de uma “cultura explícita”, presente no agito provocado pelas peças teatrais, ou mesmo, pela restrita circulação de livros, como os manuais para a educação de moças e rapazes, romances, contos e novelas. Novidades que permitiram aos colonos respirar os ares de uma cultura européia e ao Brasil ingressar no rol das nações “civilizadas” do século XIX. (Nívia Pombo)

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