sábado, 25 de julho de 2009

Das páginas do forum do Orkut para o Monarquia em Ação

Entrevista de D. Luiz sobre o novo São Nuno.


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15 jul

Paulo


Entrevista de D. Luiz sobre o novo São Nuno.


São Nuno Álvares Pereira

Com a recente canonização, o novo santo pode ser venerado como tal pelos católicos do mundo inteiro. Entretanto, para os católicos portugueses, há séculos já era ele considerado o Santo Condestável.
No dia 26 de abril último foi canonizado em Roma, pelo Papa Bento XVI, o invicto guerreiro Nuno Álvares Pereira (1360 – 1431), elevado à honra dos altares 578 anos após seu falecimento.
Catolicismo, que em suas duas edições anteriores publicou matérias a respeito, obteve por meio de seu colaborador José Carlos Sepúlveda da Fonseca uma entrevista com Dom Luiz de Orleans e Bragança, descendente direto do novo santo. Um dos filhos de Dom João I, Rei de Portugal, casando-se com a filha de São Nuno Álvares, deu origem à Casa de Bragança, e desse casal descendem os membros da Família Imperial do Brasil, da qual Dom Luiz é o chefe (Vide Catolicismo, abril/2009).
Sua Alteza aborda aspectos pouco divulgados da missão providencial de seu ilustre antepassado. E também indica o Condestável do Reino (chefe supremo dos exércitos portugueses) como um modelo, mesmo para os presentes dias, do perfeito varão católico.
O novo santo — que, segundo o escritor português Antero de Figueiredo, era “Furacão de aço e de fogo, piedade feita energia, oração feita espada” — tem muita vinculação com a História do Brasil, pois foi o articulador, no século XIV, da manutenção da soberania e do renascimento de Portugal, que empreenderia mais tarde as grandes navegações para descobrir novas terras e conquistar novas almas para a fé católica.



15 jul

Paulo


Entrevista de D. Luiz sobre o novo São Nuno.


Catolicismo — Causou compreensível júbilo, especialmente em Portugal e no Brasil, a canonização de Nuno Álvares Pereira, Condestável de Portugal. Sabemos que para Vossa Alteza enquanto Chefe da Casa Imperial do Brasil, como para os membros da Casa de Bragança, é especialmente honrosa essa elevação aos altares. Poderia falar-nos inicialmente dos laços de sangue que o unem ao Santo Condestável?
Dom Luiz — Como se tem conhecimento, Nuno Álvares Pereira nasceu em 1360, filho do Prior da Ordem do Hospital, Álvaro Gonçalves Pereira. Por seu elevado espírito cavalheiresco, almejava a perfeição cristã e acalentava o desejo de permanecer virgem. Entretanto, obedecendo a seu pai, que desejava adquirisse bens para manter sua posição na corte, casou-se com uma nobre e rica viúva, Dª. Leonor de Alvim, da qual teve dois filhos, que morreram ao nascer, e uma filha, Dª. Beatriz, de cujo parto faleceu a mãe. Uma vez no trono o Mestre de Aviz, D. João I, em prol de quem Nuno Álvares empenhara todo o seu devotamento na grave crise política e religiosa que Portugal atravessara, quis casar seu filho natural, o Infante D. Afonso, com a filha do Santo Condestável. Desse enlace nasceu a Casa dos Duques de Bragança, da qual descendem os imperadores do Brasil.

Catolicismo — Qual o traço de personalidade que mais admira em Nuno Álvares Pereira?
Dom Luiz — Se eu pudesse resumir em poucas palavras a figura desse grande santo, diria que ele foi a derradeira e acabada personificação da Idade Média portuguesa. Há uma definição que gosto de citar, feita pelo Infante D. Pedro, que com ele conviveu muito tempo: “Norma dos príncipes, exemplo dos senhores, espelho de anacoretas”. Realmente, toda a sua vida nos Conselhos do Rei, nos campos de batalha ou sob o hábito de irmão leigo carmelita foi norteada pelo ideal do “Serviço de Deus”.



15 jul

Paulo


Entrevista de D. Luiz sobre o novo São Nuno.


Catolicismo — E qual a importância dele para a História?
Dom Luiz — Uma importância incalculável. Não hesito em dizer que ele fez renascer Portugal e revivescer o senso da missão histórica que cabia a esse povo e a essa nação, da qual o Brasil se orgulha de descender. Bem jovem, apenas com 13 anos, D. Nuno Álvares Pereira foi armado cavaleiro. Segundo os relatos do tempo, sempre se mostrou muito valente e ao mesmo tempo afável, sábio, bom conselheiro e agindo sem rancor ou ódio. Juntamente com essas qualidades, marcava seu espírito um afinado senso histórico e providencial. Portugal, depois da morte do rei D. Fernando I, encontrava-se numa encruzilhada no que diz respeito à sucessão ao Trono. O Rei D. Fernando I, o Formoso, casara-se em segredo com Leonor Telles, que tivera seu casamento anterior anulado. Após a morte do rei, Leonor Telles tornou-se regente e levou para viver no palácio seu amante, o galego João Fernandes Andeiro, o que causou grande indignação entre muita gente e levou os portugueses a cognominá-la Aleivosa. A filha de D. Fernando I e de Leonor Telles, Dª. Beatriz, estava prometida a D. João de Castela. Portugal encontrava-se dividido nessa crise, particularmente a nobreza. Parte dela, por comodismo ou por interesses diversos, preferia aceitar como soberanos Dª. Beatriz e D. João de Castela, o que acarretaria uma absorção do reino. Outros simplesmente aguardavam o desenlace dos acontecimentos para tomarem posição. Além disso, Castela era partidária do anti-papa Clemente VII. Esse conjunto de circunstâncias fez com que Nuno Álvares pusesse toda a sua dedicação e todo o seu entusiasmo a serviço da causa de D. João, Mestre de Aviz.



15 jul

Paulo


Entrevista de D. Luiz sobre o novo São Nuno.


Catolicismo — E qual a importância dele para a História?
Dom Luiz — Uma importância incalculável. Não hesito em dizer que ele fez renascer Portugal e revivescer o senso da missão histórica que cabia a esse povo e a essa nação, da qual o Brasil se orgulha de descender. Bem jovem, apenas com 13 anos, D. Nuno Álvares Pereira foi armado cavaleiro. Segundo os relatos do tempo, sempre se mostrou muito valente e ao mesmo tempo afável, sábio, bom conselheiro e agindo sem rancor ou ódio. Juntamente com essas qualidades, marcava seu espírito um afinado senso histórico e providencial. Portugal, depois da morte do rei D. Fernando I, encontrava-se numa encruzilhada no que diz respeito à sucessão ao Trono. O Rei D. Fernando I, o Formoso, casara-se em segredo com Leonor Telles, que tivera seu casamento anterior anulado. Após a morte do rei, Leonor Telles tornou-se regente e levou para viver no palácio seu amante, o galego João Fernandes Andeiro, o que causou grande indignação entre muita gente e levou os portugueses a cognominá-la Aleivosa. A filha de D. Fernando I e de Leonor Telles, Dª. Beatriz, estava prometida a D. João de Castela. Portugal encontrava-se dividido nessa crise, particularmente a nobreza. Parte dela, por comodismo ou por interesses diversos, preferia aceitar como soberanos Dª. Beatriz e D. João de Castela, o que acarretaria uma absorção do reino. Outros simplesmente aguardavam o desenlace dos acontecimentos para tomarem posição. Além disso, Castela era partidária do anti-papa Clemente VII. Esse conjunto de circunstâncias fez com que Nuno Álvares pusesse toda a sua dedicação e todo o seu entusiasmo a serviço da causa de D. João, Mestre de Aviz.



15 jul

Paulo


Entrevista de D. Luiz sobre o novo São Nuno.


Catolicismo — Pode-se dizer, então, que ele galvanizou todo Portugal e sua empreitada foi triunfal?
Dom Luiz — Não diria isso. Como todas as obras providenciais, a missão de Nuno Álvares não foi fácil, tendo ele sofrido reveses. Sobretudo, teve que enfrentar o ambiente em boa parte acomodado, e também marcado pela decadência moral. É bom recordar que ele fez frente, até no campo de batalha, a vários de seus irmãos. Foi a custo que o futuro Condestável de Portugal se tornou recrutador e formador de outros jovens guerreiros e tornou vencedora sua causa. Com a nova dinastia de Aviz, virtuosa e idealista, com uma nobreza regenerada e revigorada, Portugal se lançou a “dilatar a Fé e o Império” até os confins do mundo. E isso não teria sido possível sem a atuação providencial de D. Nuno Álvares Pereira no momento em que Portugal estava para perder a alma e a independência.

Catolicismo — É compreensível que a figura do Santo Condestável desperte admiração e entusiasmo, por seu papel histórico na consolidação da missão providencial de Portugal da qual Vossa Alteza acaba de nos falar. Mas será que essa figura tem algo de específico para nossos dias?
Dom Luiz — Como um homem que ascendeu à honra dos altares, é evidente que suas virtudes são para nós um exemplo excelso. Mas creio que sua figura de cavaleiro cristão, de que falei, é mais atual do que pode parecer. Embora as circunstâncias da vida contemporânea sejam em grande medida diversas das que havia na época de Nuno Álvares Pereira, esse espírito de “serviço de Deus”, essa dedicação à causa da Igreja e da civilização cristã são mais necessários do que nunca. Infelizmente, todo o Ocidente, para falar só dele, é hoje assolado por um laicismo contraditoriamente moderado e agressivo. Modas, costumes, leis, idéias vão cada vez mais deteriorando as mentalidades e afastando-as do verdadeiro ideal cristão, com reflexos perniciosos para as sociedades. Ergue-se todo um mundo contrário a Jesus Cristo. Basta lembrar as legislações que por toda parte consagram como



15 jul

Paulo


Entrevista de D. Luiz sobre o novo São Nuno.


práticas habituais o terrível crime do aborto ou o mal chamado casamento homossexual, gravemente ofensivo a Deus. Diante dessa deterioração, é necessário que muitos sigam o exemplo do Santo Condestável e consagrem suas vidas à luta pelos ideais da civilização cristã, para alcançarem uma profunda regeneração da sociedade.

Catolicismo — A canonização de Nuno Álvares Pereira traz também algum ensinamento para a nobreza de nossos dias?
Dom Luiz — Sem dúvida. Em seu livro Nobreza e Elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana, que tive a honra de prefaciar, Plinio Corrêa de Oliveira ressalta bem que — sobretudo numa sociedade em que imperam a confusão das idéias, o desregramento dos costumes, o abandono da Religião — à nobreza e às elites tradicionais cabe desempenhar a função de guias, pelo exemplo de uma fé viva e operante, pela observância exímia do dever, pela fidelidade à tradição, que as tornam conhecedoras profundas e subtis dos problemas do presente. Infelizmente, nos dias que correm, nobres e até príncipes, apesar de seu sangue ilustre e de sua formação moral, aderiram à vulgaridade de maneiras, de formas de vida, de modos de ser ditos “modernos”. Nuno Álvares Pereira é para eles um exemplo e um intercessor insigne. Devemos rogar ao Santo Condestável dar-nos a coragem de enfrentar os ambientes ditos modernos, de permanecer fiéis aos ideais perenes da Igreja e da civilização cristã, de saber viver como ele no auge do prestígio, nos píncaros da sociedade, mas voltados para o serviço de Deus; de ser, enfim, fiéis ao que o Papa Bento XV qualificou de “sacerdócio da nobreza”.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

História - O IMPERADOR ERA MAIS ECONÔMICO

Excelente artigo de João Paulo Martino no Blog MonarquiaxRepública que mostra como nosso Imperador era econômico no gasto do dinheiro público.

 

 

 

Marechal Deodoro, proclamou a República e quase dobrou seu salário.


D. Pedro II, o imperador econômico.

Carlos Gomes, artista, esquecido pela República.



O IMPERADOR ERA MAIS ECONÔMICO

A afirmação acima vem reforçar a idéia de que no império a manutenção da família imperial, era muito mais barata do que a manutenção da presidência da república.
Cabe aqui ressaltar não se tratar-se de mera economia de dinheiro para o erário público, a grande diferença esta nos aspectos morais dos líderes da nação nos dois tipos de regime. No período imperial, no Brasil, o imperador era o primeiro a zelar pelos gastos públicos em geral e particularmente sobre as dotações que a família real recebia.
Para clarear um pouco a questão basta citarmos o fato que de 1841 a 1889, a dotação da família imperial, permaneceu inalterada: 800 contos de réis por ano. E o imperador não utilizava esta verba só para sua família ou a manutenção dos palácios, mas subvensionava grandes artistas como Carlos Gomes, Victor Meireles, Pedro Américo.
Quanto a Carlos Gomes, graças a pensão que lhe concedia pessoalmente o imperador, pode concluir seus estudos na Itália. Sua obra prima O Guarani, foi estreada no teatro Scala de Milão. Jamais outro compositor brasileiro havia alcançado tamanho sucesso. Uma vez Carlos Gomes declarou : “se não fosse o imperador eu não seria o Carlos Gomes”
Apesar de ter honrado o Brasil com sua obra, Carlos Gomes viu-se privado da ajuda imperial após a proclamação da Republica, que recusou-lhe uma pensão, justamente porque era amigo da família imperial. E ainda tiveram a vilania de convidá-lo para compor o hino da República, o que ele elegantemente recusou em honra ao seu protetor destronado. Isso apesar do orçamento geral do império ter crescido enormemente. (de 15000 contos de réis em 1841 para 150 mil contos em 1889). Curioso é notar que um dos primeiros atos da República foi ode fixar para o Marechal Deodoro um salário de 1400 contos de réis.
Vejamos um outro exemplo da diferença de gastos nos dois regimes: as viagens . Diz-se que os governantes são grandes passeadores. A julgar pelos presidentes de nossa República a afirmação não poderia ser mais correta. Mas comparemos alguns dados e o leitor, pausadamente poderá refletir e tomar suas próprias conclusões.
D. Pedro II, fez três viagens internacionais. Pagou-as de seu próprio bolso. Na primeira vez (1871) que viajou ao exterior, ao conceder a Assembléia Geral a necessária licença, o deputado Teixeira Jr. Propôs que a Assembléia liberasse uma verba de 2000 contos de réis para a viagem do imperador; o deputado Melo Morais discordando, propôs 4000 contos de réis, e um aumento da dotação da princesa Isabel, pois ia assumir o Regência. Veja o leitor o bilhete que escreveu D. Pedro II ao ministro do Império João Alfredo Corrêa de Oliveira:
“Espero que o ministério se apresse em fazer desaprovar quanto antes semelhantes favores, que eu e minha filha rejeitamos. Respeito a intenção de todos; mas respeitem também o desinteresse com que tenho servido a nação.”
E tem mais, quizeram que um navio de guerra escoltasse uma comitiva de outros três navios para levar o imperador a Europa, mas D. Pedro II foi mesmo em um simples navio de carreira. É como se hoje o presidente da República pegasse um avião no aeroporto de Brasília e viajasse, sentadinho no corredor de um avião comum, esperando como todo mundo, se submetendo a todos os procedimentos como qualquer cidadão comum.
Mas se o leitor não quer acreditar vejamos um exemplo republicano. O presidente José Sarney, em cinco anos de mandato fez 34 viagens internacionais, passando 124 dias fora do país. Levou nestas viagens 2020 convidados, só na viagem para o bicentenário da Revolução Francesa, Sarney utilizou-se de dois boeings para seu convidados, além de um DC-10 para seu conforto pessoal. Com essa gente toda a se divertir a valer nos hotéis mais caros de Paris, ninguém pois a mão no bolso, tudo foi pago pelos cofres públicos, o cidadão arcou até com as lembrancinhas.

sábado, 11 de julho de 2009

HISTÓRIA -Os judeus e a família imperial brasileira

POR Sonia Sales*

Com a chegada da Corte portuguesa ao Brasil, país hospitaleiro por excelência, processaram-se diversas e rápidas mudanças e uma grande modernização na cultura estabelecida da época. Desde o início do século XIX, tais mudanças já vinham sendo observadas e viriam a favorecer os imigrantes de diferentes religiões, proibidas ou mal recebidas até então. Em 1810, foi assinado o “Tratado de Aliança e Amizade com o Reino Unido”, maior parceiro comercial de Portugal, para favorecer os súditos ingleses que professavam a religião protestante. No artigo XII do decreto rezava que:
-A religião católica apostólica romana continuará a ser a religião do Império.
-Os vassalos de sua Majestade Britânica não serão molestados por causa de sua religião.
-Todas as religiões serão permitidas, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de Templo e semelhantes a casas de habitação.
-Ninguém pode ser perseguido por motivo de religião, uma vez que respeite o Estado, e não ofenda a moral pública.

Se desde 1808, judeus marroquinos, fugindo de humilhações e até de confisco de bens, já haviam começado a se estabelecer na Amazônia, o novo decreto veio incentivar a vinda de mais e mais imigrantes judeus de várias nacionalidades, principalmente ingleses e franceses. Além de Samuel& Philips, firma inglesa cujos proprietários judeus faziam parte de um grupo de elite, composto por industriais, profissionais liberais e comerciantes, Bernard Wallerstein, o mais famoso deles, fundou na Rua do Ouvidor, uma elegante casa de moda feminina que vendia desde calçados a jóias de grande valor, tornando-se o maior fornecedor da Casa Imperial, por isso mesmo festejado e admirado.

Pouco a pouco os judeus foram ocupando o seu lugar na sociedade, sendo que em 1824 e com a independência do Império do Brasil, e a nova Constituição, que garantia total liberdade religiosa, abriram-se as possibilidades aos imigrantes de se estabelecerem definitivamente na nova pátria.

No segundo Império, D. Pedro de Alcântara Imperador do Brasil, estudioso de línguas e grande admirador da cultura judaica, cultivava várias amizades entre os judeus. Poliglota, além do hebraico (que dizia ser sua língua preferida), falava francês, inglês, italiano, grego, árabe e conhecia o sânscrito e a língua tupi.

Consta que o seu interesse pelo hebraico, veio por acaso, quando encontrou em um banco do Jardim do Palácio São Cristóvão, uma gramática hebraica esquecida por um missionário sueco, que sendo convocado ao Palácio, aceitou iniciá-lo na língua.

Porém o seu primeiro professor de hebraico foi o judeu sueco Aker Blom, por volta de 1860.

Fazendo progressos extraordinários, costumava dizer que, dedicava-se ao estudo do hebraico para melhor conhecer a história, a literatura judaica e os livros dos Profetas.

Em 15 de novembro de 1873, foi agraciado com o “Grande Diploma de Honra” por seus trabalhos, por intermédio do Grão-rabino Benjamim Mossé, Oficial da Instituição Pública Francêsa de Avignon, que o considerava um filósofo e um sábio.

Mossé e o Barão do Rio Branco, mais tarde, foram autores de uma de suas biografias.

Em 1887, recebeu no Palácio, com uma bela recepção, uma delegação de judeus da Alsácia – Lorena. Na ocasião o imperador surpreendeu a comitiva, falando-lhes em hebraico clássico, que nem todos conheciam.

Visitou a Palestina, esteve em Jerusalém três vezes e, escrevendo a amigos, assim a descreveu:

- Jerusalém, Jerusalém, pela sua posição elevada, domina quase toda a Terra Santa e produz o efeito mais surpreendente, qualquer que seja o lado pelo qual se lhe aproxima.

Anotando também em seu diário:

-Vou ao Monte das Oliveiras, ver os judeus orando junto à Muralha do Templo.

D. Pedro foi o precursor dos estudos hebraicos no Brasil e mesmo depois de abdicar, continuou suas pesquisas. Fez versões de Camões para o hebraico e traduziu parte do Velho Testamento para o latim, dentre elas o Cântico dos Cânticos, Isaías, Lamentações e Jó.

Em 1891 publicou um livro com versões de poesias judaicas. No Museu Imperial de Petrópolis, existe um excelente acervo de documentos, trabalhos manuscritos com versões do Hebraico para o grego, inglês, português e outras tantas línguas, e registros em seu diário, contando das grandes amizades que cultivava nos meios judaicos.

O imperador viajava sempre que possível e em todos os lugares por onde passava procurava conhecer e visitar as sinagogas, fazendo anotações e assistindo ao Shabat. Conta-se que, em uma dessas sinagogas, na América do Norte, quando abriram a Torá, ele não só a leu com desenvoltura, como traduziu o texto do livro de Moisés, e com tanto desembaraço que surpreendeu a todos.

A morte de D. Pedro em 05 de dezembro de 1891 provocou um momento de tristeza para muitos judeus de todo o mundo, com os quais se correspondia e tinha como amigos.

Dele falou o rabino Mossé:

- D. Pedro foi uma das mais admiráveis figuras de nossa época moderna... Ele não somente amava nossa língua, mas nos amava, elogiava as virtudes do nosso povo e indignava-se com o antissemitismo.

E assim a história de D. Pedro II é mesclada à história dos judeus no Brasil do século XIX e, como muitos deles, teve que morrer longe de sua terra natal

*Sonia Sales tem 17 livros publicados, dois prêmios de melhor livro do ano em sua categoria (poesia), outorgados pela União Brasileira de Escritores - UBE-Rio de Janeiro em 2007 e 2008. Menotti Del Picchia e Paulo Moreira. Com o seu livro “ O Menino de Massangana”, biografia de Joaquim Nabuco, acaba de receber o “Prêmio Academia Carioca de Letras 2010”.
Pertence como membro titular a Academia Carioca de Letras, ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, ao PEN Clube do Brasil e a Sociedade Eça de Queiroz –Rio."

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Príncipe do Brasil e o Rei do Pop

Dois acontecimentos chamaram a atenção do mundo no mês passado. O primeiro teve grande repercussão no Brasil. O segundo abalou o mundo artístico mundial. Duas mortes, dois funerais, duas lições.

Quando o vôo 447 da Air France partiu do Rio de Janeiro levando representantes da elite intelectual, científica, artística e social em direção à França, mal sabiam - a tripulação e os passageiros - que jamais chegariam ao destino. Um acidente fez despencar a aeronave tornando impossível qualquer esperança de sobreviventes. Entre os passageiros estava um jovem Principe brasileiro, Dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança, representante da mais alta nobreza européia, que carregava em seu sangue a história milenar de sua família. Nele estavam concentradas as esperanças de seu tio, Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial, e de toda Família Imperial Brasileira. Voltava ele de férias para o trabalho num Banco em Luxemburgo.

Seu corpo vagou no Oceano aguardando o momento do resgate. A família, enlutada, se refugiou na oração e no próprio coração de Deus buscando forças para aceitar os misteriosos designios divinos, à espera do momento triste, mas necessário, do recebimento dos despojos para o sepultamento. No silêncio, na tranquilidade, na paz interior, aguardavam e se preparavam.

Provavelmente nem um último olhar de sua mãe em seu semblante foi possível, em vista do estado em que se encontrava no momento que foi entregue à família após ser resgatado do mar e identificado.

À celebração da Missa de Réquiem seguiu-se o sepultamento em Vassouras, resguardado o caráter familiar desses atos, conforme expressa vontade de seu pai, o Príncipe D. Antônio, que não quis dar publicidade aos eventos.

Simplicidade, humildade, religiosidade, amor, esperança. Esta é a primeira lição.

Lição que nós monarquistas devemos aprofundar ainda mais e tornar público os valores desta família que recebeu o Dom de Deus de representar a esperança em meio a tanto caos, de ser a chama que brilha nas trevas da corrupção e ignomínia.

Quando uma gota de óleo cai numa folha de papel ela vai penetrando sutil e imperceptívelmente. Quando se nota, ela tomou uma grande área do papel.

A gota de óleo sagrado – pois a instituição monárquica em algo transcende o temporal e toca no sagrado – que caiu sobre o papel amarrotado desta pobre nação foi o sacrificio do Jovem Príncipe. Ela vai penetrar os corações, de modo suave e sutil, levando à restauração dos valores morais que são o fundamento da vida nacional.

A segunda lição veio do hemisfério norte. Com certeza não resultou de um bom exemplo. No primeiro caso havia comprovada nobreza de sangue e de postura. Neste segundo, ela não era real.

O Rei do Rock caminhava pelos corredores de sua mansão solitária. Buscava novos remédios para conter o seu desespero. Ao se olhar no espelho não encontrava mais a fisionomia do negro talentoso, mas um ser artificial fruto da vaidade e do egoismo. Ainda cantava, é verdade e tinha uma multidão de fãs. Mas se tornara o zumbi de seu último e mórbido filme. Não, não aguentava mais. Se quizesse dormir teria que tomar doses maiores de sedativos. E assim o fez. Acostumou-se a fazer tudo o que queria e mais uma vez o fez sem medir as consequênias de seus atos para a vida real.

A Mídia ao divulgar sua morte esqueceu todos os seus defeitos, todas as suas vaidades, todos os seus vícios. Suas músicas, seus clips, seus vídeos foram retransmitidos, e seu funeral recebeu destaque especial nas televisões e sites de noticia em todo o mundo.

Acabara de morrer e já começa uma briga por sua fortuna… Dúvidas, desconfianças, interrogatórios. Seu corpo seria enterrado, mas seu cérebro não, pois exames precisariam ser feitos. Um show foi organizado, caixão recoberto de ouro, cantores, midia, sorteio de ingressos para o sepultamento. Um sepultamento cujo cadáver não estaria presente, mas foi sepultado, antes, ou depois, ninguém sabe ao certo.

Qual a lição? Mentira, vaidade, dissimulação, falsidade, foi o que se viu, tanto na vida do roqueiro quanto no show dos funerais. Espero sinceramente que no último instante Michel Jackson tenha se arrependido. Entretanto, onde a árvore cai, ali fica. Nem o ídolo do rock consegue fugir à regra: “talis vita, finis ita’. Assim como viveu, morreu. É a realidade. Pobre Estados Unidos da América! Péssimo exemplo para o mundo!

Há fraudes destrutivas e esperanças edificantes. Oxalá o Brasil compreenda o alto significado que estas duas lições nos dão.

Feliz desta nação que abriga em em seu seio a Família Imperial, exemplo edificante mesmo na desventura. Em meio ao caos, é preciso esperar por dias melhores com a certeza de que virão. O modelo republicano está envelhecido, desgastado, exaurido. Utopias fracassadas e malsãs não constroem nem representam a esperança de um Brasil melhor.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sepultamento em Vassouras do Príncipe Dom Pedro Luiz


Prezados monarquistas e amigos da Família Imperial
 
Cumprimos o honroso dever de proporcionar algumas informações sobre o sepultamento, ocorrido na segunda-feira dia 6 de julho, na cidade de Vassouras - RJ, do pranteado Príncipe Dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança.
 
As autoridades que custodiam os despojos resgatados do trágico acidente aéreo de 31 de maio p.p. haviam comunicado à Família, na última semana, a identificação do corpo do jovem Príncipe, notícia que produziu em seus pais e irmãos funda emoção, dispondo o Príncipe D. Antônio não dar publicidade ao funeral, para resguardar assim o caráter familiar da cerimônia.
 
O translado dos restos mortais de D. Pedro Luiz, do Recife para o Rio de Janeiro, ocorreu na manhã da segunda-feira, seguindo o caixão de imediato para a cidade fluminense de Vassouras, com cujo nome o Ramo Dinástico brasileiro é comumente designado.
 
Na Matriz de Nossa Senhora da Conceição - belo templo do período imperial - era o corpo de D. Pedro Luiz aguardado por seus pais D. Antônio e D. Christine, seus irmãos D. Amélia, D. Rafael, D. Maria Gabriela; além de seu tio o Príncipe D. Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, seus tios D. Pedro, D. Fernando, D. Francisco e respectivas esposas, D. Alberto, D. Maria Gabriela, e muitos primos.

 
Celebrou a Missa de corpo presente Sua Paternidade Dom José Palmeiro Mendes, Abade Emérito de São Bento do Rio de Janeiro, acolitado pelos Revmos. Pe. Alexandre de Bourbon, primo de D. Pedro Luiz, e Pe. Jorge Luiz das Neves Pereira, dedicado amigo da Família Imperial, fazendo os três uso da palavra à homilia para enaltecer a figura do desaparecido Príncipe e buscar, nos tesouros da Fé, as razões de perda tão sentida.
 
Após a encomendação seguiu o caixão - sempre coberto com a bandeira do Império - em cortejo a pé de todos os presentes para o Cemitério da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, sendo ali inumado no jazigo da Família, ao lado de seu Avô o Príncipe D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança.
 
Os pais e irmãos de D. Pedro Luiz e demais membros da Família Imperial tiveram assim o consolo de poder acompanhar à última morada o ente querido que Deus teve a bem chamar a Si. Bela despedida, marcada pela unção, pela cristã conformidade e pela serena certeza da bondade dos desígnios da Divina Providência para com o Brasil.

 

Pró Monarquia

terça-feira, 7 de julho de 2009

Corpo de Pedro Luis de Orleans e Bragança é enterrado

Sepultado Corpo de D. Pedro Luiz de Orleans e Bragança


Os Conselheiros Decano e Vice-Decano do Instituto D. Isabel I,
Prof. Otto de Alencar de Sá Pereira e Prof. Francisco Camões de Menezes, ainda muito consternados com o desaparecimento de S.A.I.R. o Príncipe D. Pedro Luiz em 31.05.2009, informam que seu corpo foi identificado pelas autoridades policiais e médico-legais de Pernambuco na semana passada e que o sepultamento ocorreu ontem, 06.07.2009, na intimidade familiar, no Cemitério da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, em Vassouras. O querido D. Pedro Luiz jaz agora junto de seu Avô, D. Pedro Henrique (1909-1981), neto e sucessor da Redentora.

A Família Imperial está profundamente sensibilizada com as demonstrações de estima e afeto surgidas do Brasil e do mundo, neste ocaso trágico.

As condolências enviadas através do sítio de homenagens a D. Pedro Luiz (www.idisabel.org.br/pedroluiz) serão respondidas brevemente.

Deus console a todas as famílias enlutadas pelo acidente do voo AF-447.