terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Provedor da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, Carlos Alberto Guimarães da Silva, & o Presidente do Instituto Cultural D. Isabel I a Redentora, Dr. Laerte Lucas Zanetti, têm o pesar de informar o falecimento do Senhor Vanderli Teixeira, Escrivão-Secretário da IINSRSBHP e Conselheiro-Secretário do IDII — ocorrido no Rio de Janeiro em 21 p.p. — e convidam para a Missa de Sétimo Dia na Igreja da Irmandade, no dia 28 de janeiro de 2009, às 18h.
Rua Uruguaiana, 77 – Centro 
Rio de Janeiro

*****
NECROLÓGIO

De berço e logradouro irrelevantes, nasceu vazio. Menino pobre, negro, da Baixada Fluminense.

No curto tempo de escolaridade, a pouca informação a respeito da escravidão, sua alma curiosa desperta para perguntas: como pôde ser assim conforme dissertam os livros? Há algo mais, não revelado. E sai em busca de mais. O que havia além dos negros das senzalas, os açoitados no pelourinho e cruéis senhores de escravos?

Em sua procura, o auto-didata percorre bibliotecas e personagens que pudessem desvendar o mistério que envolvia os cativos. Entre compêndios, documentos e centros de memória, chega à Rua Uruguaiana – Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, Imperial Irmandade dos Homens Pretos.

Ali, o acervo que satisfaria toda a sua sede de saber: a verdade sobre o negro cativo, aliada a fé que consagra a Nossa Senhora, o estudo da religião católica, herdada de sua mãe.

Sua enorme voracidade manifestou-se cedo e não demorou a ser notada. Abraçava o que lhe chegava e, destemido, se lançava ao que tinha que buscar. Tamanho ímpeto rapidamente despertou a admiração do seu círculo. A juventude foi marcada pela busca da temperança. Estudou, viu, leu, experimentou, perguntou, errou, insistiu.

Empreendeu várias campanhas nos anos que se seguiram. Em todas, onde fosse, levava os rituais que o mantinham na fronteira das descobertas. Fazia vigília para manter espírito e cabeça abertos, ao mesmo tempo em que mergulhava com fervor em rotinas de investigação, especulação e enfrentamento. Equilibrava-se aristotelicamente à distância da idiossincrasia e do relativismo paralisante. Nesta fase encontrou simpatizantes para a causa e colecionou seus maiores triunfos. A comprovação empírica de algumas idéias e os pesados danos infligidos à crença de que bom senso e senso comum teve no avanço conquistado um grande feito.

Quem sonha alto, realiza mais. E ele alçou altos vôos.

Na revelação da história da Redentora, Dona Isabel I, Imperatriz do Brasil, conheceu a trajetória do Brasil Imperial e dedicou-se ao resgate da memória dos grandes abolicionistas que lutaram pela igualdade ao lado daquela que se tornara para ele, uma santa.

Honrou o cargo de Conselheiro Diretor Secretário do Instituto Cultural Dona Isabel I.

Nos restantes arquivos da Irmandade dos Homens Pretos, em sua maioria destruído por um incêndio e através dos relatos de História Oral dos irmãos cujas famílias, tradicionalmente, através de séculos lá perpetuaram a saga de sua gente, sua memória, tradições e costumes, reconstrói o Museu do Negro, a Capela das Almas.

Procurador da Imperial Irmandade dos Homens Pretos.

Mas do alto, sua visão alcançava mais longe. E, sem ter a oportunidade de cursar oficialmente a Faculdade de Teologia, estudava nas horas vagas, tornando-se um dos maiores conhecedores da Liturgia Católica, sendo consultor litúrgico, o jovem que sanava e orientava os que buscavam também esse campo do conhecimento.

Mas, homem de visão, soube somar seu aprendizado à História do Império Brasileiro e reconhecer nos Imperadores e Príncipes do Brasil, a honradez e progresso empenhados na construção da Nação Brasileira.

Diretor Secretário Adjunto do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro.

No ano do Bicentenário da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, destacou-se em palestras, seminários, cerimônias em honra à data.

Mas a águia quer chegar mais perto das alturas de onde terá melhor visão.

EM 21 DE JANEIRO DE 2009, VANDERLI TEIXEIRA PARTE PARA A MORADA DO PAI.

Deixa-nos uma enorme saudade, mas também um legado de exemplo, coragem, honra e sabedoria.

E é pensando em pessoas como VANDERLI, que já completaram seu destino, que percebemos que ainda dá tempo para se fazer tudo, tentar algo novo, mesmo que não haja nenhum futuro, nenhuma subjeção ou tributo, apenas por puro prazer de viver a vida e esquecer um pouco que faltam apenas alguns segundos, minutos, horas, dias...
E o tempo...
Acabará para todos...

Sandra Ramon Franco