quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Das páginas da História, para o blog Monarquia em Ação



Foi garimpando na Internet a procura de assuntos para este blog que encontrei este artigo de junho de 1993 publicado na revista www.catolicismo.com.br e que merece ser lido pelos monarquistas devido à atualidade do tema. A monarquia tem sim espaço e pode conquistar muita gente ainda. Vamos trabalhar, vamos agir, vamos explicar e argumentar que mudaremos a face do Brasil



Alternativa Monarquia - socialismo

A Monarquia aponta para o futuro; o socialismo para o passado

C.A.

6.843.159 BRASILEIROS se pronunciaram pela Monarquia –– os números são oficiais –– no último plebiscito. Ou seja, mais de l0% dos que votaram. Equivale a dizer que, num grupo de dez eleitores brasilei­ros, um é monarquista. Isso não sig­nifica que os outros nove sejam republicanos, pois os votos anulados e os em branco somam 23,7%. Portan­to, nesse mesmo grupo de dez patrí­cios nossos, se um é monarquista, apenas seis são republicanos, dois não escolheram e o último está divi­dido em proporções desiguais entre a República, a Monarquia e o não querer pronunciar-se.

Qual é a grande novidade nesse quadro? Evidentemente a de que a Monarquia aparece como força emergente. Quem, antes de se ini­ciar a campanha em torno do ple­biscito, poderia imaginar que no Brasil quase sete milhões de pes­soas são monarquistas? E foi nos Estados habitualmente tidos como dos mais progressistas –– Rio e São Paulo –– que a Monarquia obteve melhor votação.

Ela saiu de um profundo e escuro abismo, no qual a haviam sepultado, não só o golpe de Deodoro em 1889, mas todas as Constituições republica­nas (excetuada a última), que proi­biam a propaganda monárquica. Após mais de cem anos, o ideal monárquico ressurge, e logo de uma vez como sendo a corrente de idéias que mais cresceu nos últimos anos. Nenhum partido político, nenhuma corrente de idéias obtiveram em nossa Pátria, no curto lapso de tempo de quatro anos, tantos aderentes!

E, note-se, durante a campanha que precedeu o plebiscito, tentou-se tudo para desacreditá-lo: Em vão!

Brincadeiras apalhaçadas, boatos ma­ledicentes como o de que a Monarquia pretendia restaurar a escravidão, etc. Nada disso demoveu os milhões de patrícios nossos que votaram pela Mo­narquia.

E feito o plebiscito, se a Monar­quia não venceu –– até longe disso––, ela entretanto se afirmou como força moral e mesmo política em ascensão.

* * *

Se a Monarquia –– até há poucos anos apresentada por certa mídia como instituição apenas do passado e já cheirando a mofo –– agora se afirma como força em franco cresci­mento, o que haveria a dizer do so­cialismo, que essa mesma mídia, nesses mesmos anos, apontava como a realização do desejo incontenível das massas modernas'? Ei-lo que vai degringolando a olhos vistos, e to­mando já o aspecto de peça de museu de mau gosto.

Não falemos da grande catástrofe socialista que foi o desmoronamento do império soviético. Mas falemos do socialismo que nos era apresentado como modernizado, ágil, autogestio­nário, o socialismo francês que che­gou ao poder com Mitterrand (ver ar­tigo nesta mesma edição).

As últimas eleições na França trouxeram-lhe uma derrota tão frago­rosa que, no dizer do conhecido arti­culista de esquerda, Alain Touraine, o Partido Socialista se vê ante a alter­nativa de desaparecer ou mudar com­pletamente. E mudar completamente não é senão outro modo de desapare­cer ...

Analistas políticos dos mais con­ceituados como Guy Sorman, Louis Pauwels, por exemplo, afirmam taxa­tivamente que a espetacular derrota socialista não se deveu a problemas econômicos, mas foi a concepção que o socialismo tem do homem, do mun­do e das coisas –– visão moral e cul­tural –– que os franceses rejeitaram em massa. Ou seja, é a própria essên­cia do socialismo.

É por essas e por outras que, no Brasil, Brizola vai cada vez mais pas­sando do vermelho para o cor-de-rosa, e Lula, com as bênçãos de Amato, vai-se ajeitando: agora usa paletó e ­gravata e aparece com empresários. Oportunismo de políticos, dirá al­guém. Seja. Mas é um oportunismo revelador de mudanças profundas na opinião pública.

Dessa forma, para quem não se contenta com uma visão míope das coisas –– para a qual só interessa a atual composição das forças políticas –– mas queira lançar um olhar inter­rogativo e previdente para o futuro, não pode deixar de considerar que o socialismo vai derivando para ser uma força do passado, enquanto a Monar­quia se afirma como componente do futuro.

Duas forças políticas em confron­to? Muito mais do que isso: duas con­cepções de vida em conflito.

Monarquia, república e Religião

O texto abaixo foi extraido de www.catolicismo.com.br

Após enunciar as características do processo revolucionário e descrever sua ação na História do Ocidente, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira expõe, neste item 5 E da Parte I de Revolução e Contra-Revolução, qual seja, a este propósito, o pensamento da Igreja em matéria de regimes de governo

Monarquia, república e Religião


A fim de evitar qualquer equívoco, convém acentuar que esta exposição não contém a afirmação de que a república é um regime político necessariamente revolucionário. Leão XIII deixou claro, ao falar das diversas formas de governo, que "cada uma delas é boa, desde que saiba caminhar retamente para seu fim, a saber, o bem comum, para o qual a autoridade social é constituída".

Tachamos de revolucionária, isto sim, a hostilidade professada, por princípio, contra a monarquia e a aristocracia, como sendo formas essencialmente incompatíveis com a dignidade humana e a ordem normal das coisas. É o erro condenado por São Pio X na Carta Apostólica Notre Charge Apostolique, de 25 de agosto de 1910. Nela censura o grande e santo Pontífice a tese do "Sillon", de que "só a democracia inaugurará o reino da perfeita justiça", e exclama: "Não é isto uma injúria às outras formas de governo, que são rebaixadas, por esse modo, à categoria de governos impotentes, aceitáveis à falta de melhor?".

Ora, sem este erro, inviscerado no processo de que falamos, não se explica inteiramente que a monarquia, qualificada pelo Papa Pio VI como sendo em tese a melhor forma de governo -- praestantioris monarchici regiminis forma --, tenha sido objeto, nos séculos XIX e XX, de um movimento mundial de hostilidade que deu por terra com os tronos e as dinastias mais veneráveis. A produção em série de repúblicas para o mundo inteiro é, a nosso ver, um fruto típico da Revolução, e um aspecto capital dela.

Não pode ser tachado de revolucionário quem para sua Pátria, por razões concretas e locais, ressalvados sempre os direitos da autoridade legítima, prefere a democracia à aristocracia ou à monarquia. Mas sim quem, levado pelo espírito igualitário da Revolução, odeia em princípio, e qualifica de injusta ou inumana por essência, a aristocracia ou a monarquia.

Desse ódio antimonárquico e antiaristocrático, nascem as democracias demagógicas, que combatem a tradição, perseguem as elites, degradam o tonus geral da vida, e criam um ambiente de vulgaridade que constitui como que a nota dominante da cultura e da civilização, ... se é que os conceitos de civilização e de cultura se podem realizar em tais condições.

Como diverge desta democracia revolucionária a democracia descrita por Pio XII: "Segundo o testemunho da História, onde reina uma verdadeira democracia a vida do povo está como que impregnada de sãs tradições, que é ilícito abater. Representantes dessas tradições são, antes de tudo, as classes dirigentes, ou seja, os grupos de homens e mulheres ou as associações, que dão, como se costuma dizer, o tom na aldeia e na cidade, na região e no país inteiro.

"Daqui, em todos os povos civilizados, a existência e o influxo de instituições eminentemente aristocráticas, no sentido mais elevado da palavra, como são algumas academias de larga e bem merecida fama. Pertence a este número também a nobreza". Como se vê, o espírito da democracia revolucionária é bem diverso daquele que deve animar uma democracia conforme a doutrina da Igreja.