sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A educação de Dom Pedro II

É inegável que um dos melhores motores de busca é o google. Uma tecnologia apurada sempre oferece resultados próximos do que se realmente busca. Recentemente descobri que tenho os melhores resultados nas minhas pesquisas se em vez de buscar por páginas da web, buscar por imagens. Os resultados sempre me encaminham para blogs muito interessantes, como este que abaixo transcrevo.
É preocupação de todo pai ou mãe a educação de seus filhos. Como educar? Para que educar? Por que educar? Por que e para que, tem respostas simples e fáceis, mas o grande problema é como educar. O próprio Estado que assumiu praticamente a educação de base no Brasil deveria se por esta pergunta e fazer uma análise sobre os efeitos catastróficos da educação que vem oferecendo aos brasileiros. Esta análise jamais será feita pois os representantes da República não desejam elites morais e honestas, mas uma massa de manobra que seja fácil de dirigir por políticos demagogos.
Um homem, porém, não pensou assim, e quando foi escolhido para tutor da família real, deu instruções de como deveria ser a educação de seu pupilo o pequeno D. Pedro II.
Assim termina o artigo:
Bem, não é necessária dizer que estas instruções estão atualizadíssimas, e que deveriam ser passadas para cada mestre de nosso País, e que cada criança deveria ser educada para ser um homem de bem, ou melhor, um monarca do bem. Seria pedir muito?
Ainda publicaremos outros artigos deste excelente blog da Família Tiscornia Selaibe


Em nosso cronograma de viagem estava estabelecido que, no mês de março de 2007, iniciaríamos a produção de nosso primeiro documentário direcionado para as escolas públicas do ensino fundamental e médio.
Iniciamos então em dezembro, a busca de um tema ou personagem de nossa historia (Brasil), para podermos rascunhar um roteiro, e assim, iniciarmos a gravação de nosso tão sonhado primeiro documentário.
Nossa idéia inicial era encontrar em nossas pesquisas, fatos da navegação de relevância dos séculos XIV e XVIII, que demonstrasse o desenvolvimento de nosso país.
Quando pesquisávamos o século XIV, um personagem começou a aparecer com muita insistência, onde, ou qual tema iríamos pesquisar, lá estavam suas mãos, Educação, Ecologia, Astronomia, Fotografia, Egiptologia, cultura.
Um personagem tão importante em nossa historia, um visionário e, acima de tudo, um genuíno apaixonado pelo Brasil, tão esquecido pela historia, principalmente nos livros escolares.
Então resolvemos não só produzir o documentário, como dividir com vocês todas as nossas pesquisas nas próximas semanas.
Saibam que, se entenderem bem a historia deste tão ilustre personagem, entenderão muito melhor nossa historia presente, pois tudo que está acontecendo hoje em nosso país, é puro reflexo dos acontecimentos do fim do século XIV, e saberemos por que tentam esconder o grande líder que esta nação já teve.
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4. Dom Pedro II
(Período regencial: 1841 a 1889)
PARTE III
A Educação de Dom Pedro II
Pedro II foi uma figura ímpar, o rei-filósofo era um monarca fora dos padrões daquela época. Amado e elogiado, criticado e censurado, o imperador do Brasil era um homem extremamente culto, uma personalidade singular que merece um lugar de destaque na galeria dos grandes vultos do século XIX. Gostaria de ilustrar esta afirmação com algumas frases proferidas por ilustres contemporâneos de Dom Pedro.

Na opinião do escritor Victor Hugo, Dom Pedro era "o neto de Marco Aurélio", ou seja, a perfeição dos imperadores; e para o primeiro-ministro da Inglaterra vitoriana, sir William Gladstone: "Dom Pedro II é um modelo para todos os soberanos do mundo, pelo seu zelo no cumprimento dos seus altos deveres..., é o que definiríamos como um bom soberano, um exemplo e uma bênção para sua nação". O compositor Carlos Gomes, autor da ópera O Guarani (1870), certa vez admitiu publicamente: "se não fosse o imperador, eu não seria Carlos Gomes".

A lista de personalidades que o reverenciaram é realmente extensa, e acho difícil (até injusto), escolher um único personagem, e por meio dele tentar sintetizar a eloqüente figura de Dom Pedro II. Basta apenas citar os nomes do biólogo Charles Darwin, do escritor americano Henry Longfellow, do cientista Louis Pasteur, do músico e compositor Richard Wagner e do poeta italiano Alexandre Manzoni, entre os que o elogiaram.
Para entender melhor quem foi este homem, achamos por bem irmos à base de tudo na vida de uma pessoa, que entendemos, será a estrutura familiar e a sua educação. Hoje iremos abordar a educação de Dom Pedro II, onde encontramos em nossas pesquisas as instruções que foram determinadas a seus professores.
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Veja as determinações do Marques de Itanhaém para a educação de Dom Pedro II:
"Instruções para serem observadas pelos Mestres do Imperador
em sua Educação Literária e Moral
"
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Artigo 1
Conhece-te a ti mesmo. Esta máxima... Servirá de base ao sistema de educação do Imperador, e uma base da qual os Mestres deverão tirar precisamente todos os corolários que formem um corpo completo de doutrinas, cujo estudo possa dar ao Imperador idéias exatas de todas as coisas, a fim de que Ele, discernindo sempre do falso o verdadeiro, venha em último resultado a compreender bem o que é a dignidade da espécie humana, ante a qual o Monarca é sempre homem, sem diferença natural de qualquer outro indivíduo humano, posto que sua categoria civil o eleve acima de todas as condições sociais.
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Artigo 2
Em seguimento, os Mestres, apresentando ao Seu Augusto Discípulo este planeta que se chama terra, onde nasce, vive e morre o homem, lhe irão indicando ao mesmo tempo as relações que existem entre a humanidade e a natureza em geral, para que o Imperador, conhecendo perfeitamente a força da natureza social, venha a sentir, sem o querer mesmo, aquela necessidade absoluta de ser um Monarca bom, sábio e justo, fazendo-se garbo de ser o amigo fiel dos Representantes da Nação e o companheiro de todas as influências e homens de bem do País.
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Artigo 3
Farão igualmente os Mestres ver ao Imperador que a tirania, a violência da espada e o derramamento de sangue nunca fizeram bem a pessoa alguma...
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Artigo 4
Aqui deverão os Mestres se desvelar para mostrarem ao Imperador palpavelmente o acordo e harmonia da Religião com a Política, e de ambas com todas as ciências; porquanto, se a física estabelece a famosa lei da resistência na impenetrabilidade dos corpos, é verdade também que a moral funda ao mesmo tempo a tolerância e o mútuo perdão das injúrias, defeitos e erros; essa tolerância ou mútuo perdão, sobre revelar a perfeição do Cristianismo, revela também os quilates das almas boas nas relações de civilidade entre todos os povos, seja qual for sua religião e a forma do seu governo...
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Artigo 5
Lembrem-se, pois os Mestres que o Imperador é homem; e partindo sempre dessa idéia fixa, tratem de lhe dar conhecimentos exatos e reais das coisas, sem gastarem o tempo com palavras e palavrões que ostentam uma erudição estéril e prejudicial, pois de outra forma virá o seu discípulo a cair no vicio que o Nosso Divino Redentor tanto combateu no Evangelho, quando clamava contra os doutores que invertiam e desfiguravam a lei, enganando as viúvas e aos homens ignorantes com discursos compridos e longas orações, e se impondo de sábios, embora sendo apenas uns pedantes faladores.
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Artigo 6
Em conseqüência os Mestres não façam o Imperador decorar um montão de palavras ou um dicionário de vocábulos sem significação, porque a educação literária não consiste decerto nas regras da gramática nem na arte de saber por meio das letras; em conseqüência os Mestres devem limitar-se a fazer com que o Imperador conheça perfeitamente cada objeto de qualquer idéia enunciada na pronunciação de cada vocábulo...
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Artigo 7
Julgo, portanto inútil dizer que as preliminares de qualquer ciência devem conter-se em muito poucas regras, assim como as evidencias e doutrinas gerais. Os Mestres não gastem o tempo com teses nem mortifiquem a memória do seu discípulo com sentenças abstratas; mas descendo logo às hipóteses, classifiquem as coisas e idéias, de maneira que o Imperador, sem abraçar nunca a nuvem por sonho, compreenda bem que o pão é pão e o queijo é queijo.
Assim, por exemplo, tratando das virtudes e vícios, o Mestre de Ciências Morais deverá classificar todas as ações filhas da soberba distinguindo-as sempre de todas as ações opostas que são filhas da humildade. E não basta ensinar ao Imperador que o homem não deve ser soberbo, mas é preciso indicar-lhe cada ação, onda exista a soberba, pois se assim não o fizer, bem pode acontecer que o Monarca venha para o futuro a praticar muitos atos de arrogância e altivez, supondo mesmo que tenha feito ações meritórias e dignas de louvor, e isto por não ter, em tempo, sabido conhecer a diferença entre a soberba e a humildade.
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Artigo 8
Da mesma sorte, tratando-se das potências e das forças delas, o Mestre de ciências físicas fará uma resenha de todos os corpos computando os grãos de força que tem cada um deles, para que venha o Imperador a compreender que o poder monárquico se limita ao estudo e observância das leis da Natureza... e que o Monarca é sempre homem e um homem tão sujeito, que nada pode contra as leis da Natureza feitas por Deus em todos os corpos, e em todos os espíritos.
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Artigo 9
Em seguimento ensinarão os Mestres ao Imperador que todos os deveres do Monarca se reduzem a sempre animar a Indústria, a Agricultura, o Comércio, as Artes e a Educação; e que tudo isto só se pode conseguir estudando o mesmo Imperador, de dia e de noite, as ciências todas, das quais o primeiro e principal objeto é sempre o corpo e a alma do homem; vindo, portanto a achar-se a Política e a Religião no amor dos homens. E o amor dos homens é que é o fim de todas as ciências; pois sem elas, em vez de promoverem a existência feliz da humanidade, ao contrário promovem a morte.
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Artigo 10
Entendam-me, porém os Mestres do Imperador. Eu quero que o meu Augusto Pupilo seja um sábio consumado e profundamente versado em todas as ciências e artes e até mesmo nos ofícios mecânicos, para que ele saiba amar o trabalho como principio de todas as virtudes, e saiba igualmente honrar os homens laboriosos e úteis ao Estado. Mas não quererei decerto que Ele se faça um literato supersticioso para não gastar o tempo em discussões teológicas como o Imperador Justiniano; nem que seja um político frenético para não prodigalizar o dinheiro e o sangue dos brasileiros em conquistas e guerras e construção de edifícios de luxo, como fazia Luís XIV na França, todo absorvido nas idéias de grandeza; pois bem pode ser um grande Monarca o Senhor D. Pedro II sendo justo, sábio, honrado e virtuoso e amante da felicidade de seus súditos, sem ter precisão alguma de vexar os povos com tiranias e violentas extorsões de dinheiro e sangue.
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Artigo 11
Sobretudo, recomendo muito aos Mestres do Imperador, hajam de observar quanto Ele é talentoso e dócil de gênio e de muita boa índole. Assim não custa nada encaminhar-lhe o entendimento sempre para o bem e verdade, uma vez que os Mestres em suas classes respectivas tenham, com efeito, idéias exatas da verdade e do bem, para que as possam transmitir e inspirar ao seu Augusto Discípulo.
Eu não cessarei de repetir aos Mestres que não olhem para os livros das Escolas, mas tão somente para o livro da Natureza, corpo e alma do homem; porque fora disto só pode haver ciência de papagaio ou de menino de escola, mas não verdade nem conhecimento exato das coisas, dos homens, e de Deus.
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Artigo 12
Finalmente, não deixarão os Mestres do Imperador de lhe repetir todos os dias que um Monarca, toda a vez que não cuida seriamente dos deveres do trono, vem sempre a ser vitima dos erros, caprichos e iniqüidades dos seus ministros, cujos erros, caprichos e iniqüidades são sempre a origem das revoluções e guerras civis; e então paga o justo pelos pecadores, e o Monarca é que padece, enquanto que seus ministros sempre ficam rindo-se e cheios de dinheiro e de toda sorte de comodidades. Por isso cumpre absolutamente ao Monarca ler com atenção todos os jornais e periódicos da Corte e das Províncias e, além disto, receber com atenção todas as queixas e representações que qualquer pessoa lhe fizer contra os ministros de Estado, pois só tendo conhecimento da vida pública e privada de cada um dos seus ministros e Agentes é que cuidará da Nação. Eu cuido que não é necessário desenvolver mais amplamente estas Instruções na certeza de que cada um dos Mestres do Imperador lhe adicionará tudo quanto lhe ditarem as circunstâncias à proporção das doutrinas que no momento ensinarem. E confio grandemente na sabedoria e prudência do Muito Respeitável Senhor Padre Mestre Frei Pedro de Santa Mariana, que devendo ele presidir sempre a todos os atos letivos de Imperador como seu Primeiro Preceptor, seja o encarregado de pôr em prática estas Instruções, uniformizando o sistema da educação do Senhor Dom Pedro II, de acordo com todos os outros Mestres do Mesmo Augusto Senhor".
Paço da Boa Vista no Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1838.
Marquês de Itanhaém
Tutor da Família Imperial
Foi senador do Império do Brasil de 1844 a 1867 e tutor da família imperial brasileira, tendo sido o responsável pela educação de Dom Pedro II desde o início de sua adolescência.
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Bem, não é necessária dizer que estas instruções estão atualizadíssimas, e que deveriam ser passadas para cada mestre de nosso País, e que cada criança deveria ser educada para ser um homem de bem, ou melhor, um monarca do bem. Seria pedir muito?

Bons Ventos!
Família Tiscornia Selaibe
Projeto @mar
Integração de Tecnologia à Educação