quinta-feira, 24 de junho de 2010

Aniversário de Dom Antonio de Orleans e Bragança

Do Blog Monarquia Já: http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com/  

Aniversaria no dia 24 de junho, o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança. Trata-se este ano de um aniversário expressivo, pois festeja 60 anos de idade. Lembremos que Sua Alteza Real ocupa o terceiro lugar na Sucessão ao Trono Brasileiro, ou seja, logo depois de seus irmãos mais velhos Dom Luiz e Dom Bertrand, que são solteiros.

Nasceu no Rio de Janeiro a 24 de junho de 1950, sendo o sétimo dos doze filhos do Príncipe Dom Pedro Henrique, Chefe da Família Imperial e Herdeiro do Trono do Brasil, e da Princesa Dona Maria, nascida Princesa Real da Baviera. Recebeu no batismo o nome de Antonio em homenagem ao tio avô, filho mais moço da Princesa Isabel; João por ter nascido justamente no dia de São João Batista; Maria José pela devoção dos pais à Nossa Senhora e seu esposo;  Jorge é o nome de seu padrinho, o Arquiduque Jorge da Áustria (ramo da Toscana), primo-irmão de seu pai; Miguel Gabriel Rafael Gonzaga são os nomes dos três Santos Arcanjos e são tradicionais na Casa de Bragança desde Dom João VI.

Em sua infância, Dom Antonio viveu em Jacarezinho, Paraná, no período em que seus pais lá moravam como fazendeiros. Mais tarde mudou-se com a Família para Vassouras. Formou-se em 1976 em Engenharia Civil pela Universidade de Barra do Pirai, ligada ao complexo da Companhia Siderúrgica Nacional. Fez um estágio na Alemanha, na área da Engenharia Nuclear e trabalhou em várias empresas no Rio de Janeiro. Como seu pai, é conceituado pintor aquarelista, tendo realizado exposições em várias cidades do Brasil e também no exterior. Retrata geralmente em suas telas igrejas, antigas fazendas, prédios históricos, visões, enfim, de um Brasil tradicional.

Dom Antonio é o único dos Príncipes homens de sua geração – bisnetos da Princesa Dona Isabel e do Conde d’Eu – a realizar um casamento Principesco. Daí ficar em terceiro lugar na linha da Sucessão do Trono, tendo a ele renunciado seus irmãos mais velhos, Dom Eudes, Dom Pedro de Alcântara, Dom Fernando. Casou no Castelo de Beloeil, na Bélgica, a 26 de setembro de 1981, com Sua Alteza a Princesa Christine Maria Elisabeth de Ligne, nascida no mesmo Castelo a 11 de agosto de 1955, filha de Antonio, 14º Príncipe de Ligne, Príncipe d´Amblise e d´Epinoy, e de Alix, Princesa do Luxemburgo, de Nassau e de Bourbon Parma. Os Ligne constituem uma das primeiras Famílias do Reino da Bélgica, sendo uma Casa nobre de origem feudal, conhecida já no século XI. É Dona Christine neta materna da Grã-Duquesa Carlota do Luxemburgo (e prima irmã do atual Grão-Duque, Henri). Alguns meses antes do matrimônio de Dom Antonio e Dona Christine, no mês de março, casaram no Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro, a Princesa Dona Eleonora, irmã de Dom Antonio, com o irmão de Dona Christina, o Príncipe Michel de Ligne, que com a morte do pai, Antonio, em 2005, é o 15º Príncipe de Ligne.

Do casamento de Dom Antonio e Dona Christine nasceram quatro filhos, sendo o mais velho o saudoso Príncipe Dom Pedro Luiz, falecido ano passado, com 26 anos, no trágico acidente do vôo 447 da Air France, em pleno Oceano Atlântico. Os outros filhos do casal são a princesa Dona Amélia, 26 anos, arquiteta, trabalhando atualmente em Madri, Espanha; o Príncipe Dom Rafael, 24 anos, que está se formando em Engenharia da Produção pela PUC/RJ e já trabalhando numa grande empresa no Rio de Janeiro; e a princesa Dona Maria Gabriela, 21 anos, estudando Comunicação Social na PUC/RJ.

Dom Antonio reside em Petrópolis, estando bem integrado nesta cidade Imperial. É, por exemplo, membro do Conselho Consultivo da Associação dos Amigos do Museu Imperial (seu primo Dom Pedro Carlos é o presidente de honra da entidade). Atualmente tem também um apartamento no Rio de Janeiro, facilitando atividades na cidade, os estudos e trabalhos dos filhos.

Na Ordem de Malta

               Justamente no dia de seus 60 anos, o Príncipe Dom Antonio irá ingressar na Ordem Soberana de Malta, que festeja no dia 24 de junho seu padroeiro, São João Batista, com Missa solene no Mosteiro de São Bento, presidida por Dom Abade Roberto Lopes, que é também Capelão Conventual da Ordem. A celebração será às 18h, seguindo-se uma recepção na Casa Julieta de Serpa, com jantar em benefício das obras assistenciais da Ordem na cidade.

Dom Antonio ingressa na Ordem dentro da alta categoria de Cavaleiro de Honra e Devoção, que é reservada a nobres católicos (no Brasil a maior parte dos membros da Ordem são Cavaleiros de Graça Magistral, o que não exige prova de nobreza).

A Ordem de São João de Jerusalém, dita Ordem de Malta, nasceu pelo ano 1048, como comunidade monástica, que tratava dos peregrinos e enfermos e acolhia os indigentes. Sob o Beato Gerardo e por uma Bula do Papa Pascoal II de 1113, converteu-se numa Ordem isenta da Igreja. Diante da responsabilidade de ter que assumir a defesa militar dos enfermos e dos territórios cristãos na Terra Santa, assumiu o caráter de Ordem de Cavalaria, religiosa e militar ao mesmo tempo. Em 1291, depois da perda de São João d´Acre, último baluarte da Cristandade na Terra Santa, a Ordem estabeleceu-se em Chipre e em 1310 ocupou a ilha de Rodes, ali adquirindo uma soberania territorial. Para defender o mundo cristão, constituiu uma poderosa frota. Governada por um Grão-Mestre, Príncipe soberano de Rodes, e por um Soberano Conselho, cunhava moeda e mantinha relações diplomáticas com os demais Estados. Os cavaleiros rechaçaram com êxito numerosos assaltos dos otomanos, mas diante do ataque do Sultão Solimão o Magnífico, com uma grande frota e um poderoso exército, tiveram que capitular e deixaram a ilha em 1523. O Imperador Carlos V, então, cedeu à Ordem as ilhas de Malta, Gozo e Comino, assim como a cidade de Trípoli, como feudo soberano. Em 1530 a Ordem tomou posse de Malta, com a aprovação do Papa Clemente VII. Durante o Grande Assédio, em 1565, os otomanos foram derrotados pelos Cavaleiros. A frota da Ordem de São João (ou de Malta, como começou a chamar-se) foi uma das mais poderosas do Mediterrâneo e contribuiu para a destruição definitiva dos otomanos na célebre batalha de Lepanto de 1571. Em 1798 Napoleão Bonaparte, durante a campanha do Egito, ocupou a ilha de Malta e os cavaleiros, por causa da Regra da Ordem que lhes proíbe lutar contra outros cristãos, não resistiram e se viram obrigados a abandonar a ilha, que em 1802 começou a ser ocupada pelos ingleses. A Ordem se estabeleceu definitivamente em Roma em 1834, aí possuindo nos dias de hoje o Palácio de Malta, na via Condotti, e a Villa Magistral, no Aventino, que gozam do privilégio de extraterritorialidade. A missão original da Ordem, a serviço dos pobres e dos enfermos, voltou a ser sua missão principal.

Por tradição os cavaleiros de Malta provinham, no passado, em grande maioria, de famílias da nobreza católica da Europa. Ainda hoje é uma Ordem cavalheiresca, tendo mantido os valores da cavalaria e da nobreza. Na Europa boa parte de seus membros provém ainda dos círculos da nobreza. Mas tanto na Europa como, mais ainda, em outros Continentes, são também admitidas pessoas da todas as classes sociais, mas com especiais méritos e com espírito altruístico.

Graças a uma história ininterrupta de quase nove séculos, a Soberana Militar Ordem de Malta é hoje a única sucessora da Ordem Hospitalar de São João de Jerusalém, reconhecida pela Igreja Católica em 1113. É a única a ser ao mesmo tempo Ordem religiosa e Ordem de cavalaria. Possui cavaleiros professos, que emitem votos religiosos. Deles sai o Príncipe e Grão-Mestre e a maioria dos membros do Soberano Conselho, o órgão dirigente máximo da Ordem. Sujeito do direito internacional público, a Ordem nunca deixou de ser reconhecida como soberana. O Grão-Mestre (Frei Matthew Festing, inglês, é desde 2008 o 79º Grão-Mestre) governa a Ordem como Príncipe Soberano – sendo reconhecido como Chefe de Estado por muitos países – e como superior religioso. Tem o tratamento único de Alteza Eminentíssima, tendo uma categoria na Igreja equivalente a dos Cardeais.

A Ordem mantém relações diplomáticas com 104 países e 17 organizações internacionais (como a FAO e a UNESCO e tem uma representação permanente na ONU). Está presente em 54 países, entre os quais o Brasil. Em nosso país houve alguns cavaleiros e damas no tempo do Império (cf. João Hermes Pereira da Araújo, “A Ordem de Malta e o Brasil Imperial” in “Anuário do Museu Imperial”, vol. XVIII, 1957). A verdadeira organização, porém, começou em 1957 com a fundação da Associação Brasileira do Rio de Janeiro e da Associação de São Paulo e do Brasil Meridional. Em 1984 foi criada uma terceira Associação, a de Brasília e do Brasil Setentrional.

A Família Imperial Brasileira sempre manteve vínculos com a Ordem de Malta, continuando a tradição da Família Real Portuguesa (o 11º Grão-Mestre foi um Príncipe Português, Dom Afonso de Portugal, possivelmente filho do Rei Dom Afonso Henriques). Reinando a dinastia de Avis, por várias vezes Príncipes da Casa Real ocuparam a sede Priorado do Crato. O Priorado do Crato é um extenso e valioso senhorio que abrangia vasta extensão de território e que foi cedido em 1232 pelo Rei Dom Sancho II aos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém, em recompensa dos serviços prestados por eles na luta contra os mouros. Em meados do sec. XIV, a vila do Crato passou a ser a sede do Cavaleiros de São João em Portugal. O primeiro Grão-Prior foi Dom Luis de Portugal, filho do Rei Dom Manuel I, o Venturoso, tão ligado à História do Brasil. Sob a dinastia de Bragança, as relações da Família Real com o Priorado do Crato se tornaram permanentes. Em 1789 o Papa Pio VI publicou um breve, determinando que um Príncipe da Família Real fosse sempre o Grão-Prior do Crato. D. Pedro III e depois seu filho D. João VI sempre manifestaram afeição pela Ordem de São João. Nosso Imperador D. Pedro I foi Grão-Prior do Crato desde 1799. Vários retratos do Soberano mostram o uso constante que fazia, colocando o hábito pendente de Malta sob as insígnias da Ordem do Tosão de Ouro. A Imperatriz Dona Leopoldina foi admitida também na Ordem, em 1817, na condição de Dama Grã-Cruz de Honra e Devoção. Igualmente o Imperador Dom Pedro II entrou na Ordem, em 1846, como Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção, a mais alta graduação da Ordem; a imperatriz Dona Teresa Cristina foi, a partir de 1878, Dama Grã-Cruz de Honra e Devoção (como retribuição, o Grão-Mestre Ceschi, foi feito Grão-Cruz da Ordem de Cristo).

Interessante que nem a Princesa Dona Isabel, nem seu marido, o Conde d’Eu, e também nenhum de seus filhos, ingressaram na Ordem de Malta. A Família Imperial voltou a integrar a Ordem em nosso tempo. Primeiro foi admitido, em 1972, como Bailio Grão-Cruz de Honra e Devoção o Príncipe Dom Pedro Gastão, o qual em 1966 recepcionou no Palácio Grão-Pará, em Petrópolis, o Príncipe e Grão-Mestre da Ordem, Frei Ângelo de Mojana di Cologna, em visita oficial ao Brasil. Em 1974 foi a vez do próprio Chefe da Família Imperial, Dom Pedro Henrique, ser admitido, igualmente na condição de Bailio Grão-Cruz de Honra e Devoção, o grau máximo da Ordem. Ele recebeu depois a Cruz de Profissão.  Várias vezes participou da anual Missa da Ordem, no Mosteiro de São Bento, ao lado do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em 2002 foi a vez de entrarem na Ordem Dom Luiz e Dom Bertrand, sempre como Bailios Grão-Cruzes de Honra e Devoção. O ingresso dos dois ocorreu numa cerimônia singular: foi diretamente em Roma, na sede da Ordem, presidindo a cerimônia o próprio Grão-Mestre, na época Frei Andrew Bertie. É de se lembrar que também outro descendente de Dom Pedro II é membro proeminente da Ordem: Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança é não só Cavaleiro Grã-Cruz de Obediência da Ordem, mas um dos presidentes de honra da Associação de São Paulo e Brasil Meridional, depois de ter sido seu presidente efetivo de 1960 a 1965.

A Dom Antonio, nesta data especial, de seu aniversário e de ingresso na Ordem, parabéns e muitas felicidades.

terça-feira, 15 de junho de 2010

PT rachando? Reflexões de um Monarquista convicto!

Monarquia em Ação publica notícias e comentários relevantes para uma analise crítica da questão Monarquia x República. Hoje, um artigo publicado no portal Ultimo Segundo revela uma situação que poderá ficar sem controle para a atual candidata do PT. O partido parece que está rachando e as alianças não representam sinal de fidelidade. O Brasil poderá ser arrastado a uma disputa interna e até ao caos social depois de ter sido desastroso em sua política externa. E a MONARQUIA nesse panorama, o que representa? Representa a esperança, a ordem, a honestidade e a responsabilidade de levar esta Nação ao seu futuro grandioso!





Com saúde frágil, fundador do partido tem histórico de militância contra família Sarney e contesta intervenção em favor de Roseana

Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 14/06/2010 19:39
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Quando o deputado Domingos Dutra (PT-MA) anunciou que entraria em greve de fome contra a decisão da cúpula nacional do PT, que obrigou opartido a apoiar a reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão, pouca gente na direção do PT deu importância. “Se depender do PT ele vai morrer de fome”, disse um dirigente.
A situação mudou de figura no último domingo, durante a convenção que oficializou a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, quando chegou ao conhecimento da direção partidária que Manoel da Conceição havia aderido à greve de fome de Dutra. “Isso é sério”, disse o secretário nacional do PT, José Eduardo Cardozo, quando soube da notícia.
Foto: Divulgação
Até Manoel da Conceição aderir à greve de fome, PT dava pouca importância ao protesto
Manoel da Conceição é descrito pela revistaTeoria e Debate, da Fundação Perseu Abramo, braço intelectual do PT, como “sem dúvida uma das mais importantes lideranças camponesas do Brasil em todos os tempos”. Mais velho entre os fundadores do PT ainda vivos, Mané, como é conhecido, está com 75 anos, tem diabetes, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2002 que quase o matou e até hoje causa dificuldade na fala, mas não abalou sua disposição de enfrentar a imposição da direção partidária ao PT maranhense.
“Vou até o final, até ver o resultado. Ou eles tiram a intervenção no Maranhão ou me expulsam do partido. Senão, eles vão me ver morto. A última vez que comi foi na quinta-feira”, disse Conceição, por telefone, ao iG.
Nascido em um pequeno vilarejo no sertão do Maranhão, expulso das terras da família por um latifundiário corrupto, Conceição já passou por situações muito piores do que a greve de fome iniciada quinta-feira.
À Teoria e Debate, ele relatou da seguinte forma um massacre de jagunços contra camponeses que presenciou em 1958 e escapou com vida por milagre: “A casa era um salão grande de um morador, da família Mesquita. Eles eram evangélicos da Igreja Batista. Aí entrou um dos jagunços e matou, sem troca de conversa, cinco pessoas, a bala e punhaladas nos rapazes e em uma senhora de mais ou menos 75 anos, que gritava na sala: ‘Não mate meus filhos!!’ Só que já tinha três rapazes mortos no chão. Deram um tapão na cabeça dela, jogaram a mulher no chão e cravaram nas costas o punhalão.
Ela ficou rodando no chão, esvaindo em sangue. Uma criança de 3 anos, vendo os mortos no chão, corria gritando: ‘Papai, papai...’ Um dos jagunços pegou essa criança e deu uma estucada numa parede de taipa que a cabeça lascou, os miolos se espatifaram no salão”.
Enfrentamento
O histórico de enfrentamentos contra a família Sarney remonta à década de 60. Em 1965, seduzido pelas promessas de reforma agrária do então jovem líder progressista José Sarney, Conceição mobilizou os camponeses do interior maranhense e ajudou a garantir a Sarney a maior votação até então para o governo do estado. Três anos depois ele foi baleado pela polícia comandada por Sarney durante uma reunião de líderes camponeses. Passou mais de uma semana largado em uma cela sem médico nem remédios.
A perna baleada gangrenou e foi amputada em um hospital de São Luís. “Depois o Sarney me visitou no hospital e tentou me comprar oferecendo emprego para mim e para minha mulher, uma casa e uma perna mecânica. Em troca queria que eu trabalhasse para ele. Recusei e fui preso outras nove vezes a mando do Sarney. É por isso que nunca, em hipótese alguma, aceitarei apoiar a oligarquia representada pelos Sarney no Maranhão”, disse Conceição, que no 4º Congresso Nacional do PT, em fevereiro, foi citado nominalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso.
A direção petista até agora não procurou Conceição e Dutra para conversar. O único interlocutor até agora foi o líder do partido na Câmara, Fernando Ferro (PT-PE). Dutra é visto internamente como opositor já há algum tempo. “Esta greve de fome é uma violência contra o PT”, disse um parlamentar de alta patente.
A dupla de grevistas conta com assistência médica da Câmara. “Hoje (segunda-feira) o médico veio me ver três vezes”, disse Conceição. Apesar disso o temor na direção petista é grande quanto aos estragos que uma possível imagem de Conceição deixando o plenário da Câmara em uma maca possam causar à candidatura de Dilma e à imagem do partido.

domingo, 13 de junho de 2010

Mostra em Munique revela casamento secreto da princesa Amélie

Mostra em Munique revela casamento secreto da princesa Amélie

Amélie e sua única filha com D. Pedro, Maria Amélia, que morreu aos 22 anos
Em 1829, foi acordado o casamento de Amélie von Leuchtenberg, filha de um enteado de Napoleão, com o imperador D. Pedro 1º. A princesa cresceu em Munique, cidade que hospeda agora uma mostra sobre a imperatriz do Brasil.

O Palácio de Leuchtenberg, em Munique, abriga até o próximo mês de setembro a exposição Estritamente confidencial! – Munique, Rio de Janeiro, Amélie von Leuchtenberg torna-se imperatriz do Brasil.

O prédio que hoje abriga a Secretaria das Finanças da Baviera foi a residência onde a princesa Amélie von Leuchtenberg passou parte de sua infância e onde se realizou seu casamento com o imperador D. Pedro 1º do Brasil, em 30 de maio de 1829.

A exposição partiu de relatos do conde Friedrich von Spreti sobre a ida de Amélie ao Brasil. Ao conde, antes acompanhante oficial do irmão mais velho da princesa – Augusto –, foi designada a função de administrador financeiro da viagem nupcial. Em 2008, seu diário de bordo foi editado em livro (Das Reisetagebuch des Grafen Friedrich von Spreti: brasilianische Kaiserhochzeit 1829).

A obra foi organizada pelo herdeiro Heinrich von Spreti e por Suzane von Seckendorff, curadora da mostra sobre a imperatriz do Brasil. "O livro é o cerne da exposição. Transformamos quase 400 páginas em banners e vitrines", afirma ela. Além da viagem, Von Spreti também registrou o cotidiano do Rio de Janeiro da época – desde detalhes como o preço de um ingresso de teatro ao matrimônio de Amélie e D. Pedro.

O casamento

Amélie Auguste Eugénie Napoleone de Beauharnais nasceu em 13 de julho de 1812 em Milão. Era a terceira filha do príncipe Eugène, enteado de Napoleão Bonaparte – o qual, ao abdicar, obrigou a família Beauharnais a fugir para Munique, em 1817. Amélie foi declarada princesa de Leuchtenberg e sua beleza chamou a atenção dos emissários de D. Pedro 1º, que buscavam uma noiva para o imperador.

Após longas negociações, o contrato de casamento entre a princesa e D. Pedro foi concluído em maio de 1829. A união deveria ser mantida em segredo e a nova imperatriz teve de viajar sob uma identidade falsa a outra cidade alemã, onde permaneceria até a sua partida para o Brasil. O matrimônio foi realizado por procuração em 2 de agosto do mesmo ano, na capela do Palácio de Leuchtenberg. A viagem ao Rio de Janeiro teve início dois dias depois.

Antes de embarcar


No Brasil, o casamento foi celebrado na Capela Imperial do Rio de Janeiro

Para a curadora Von Seckendorff, uma das curiosidades sobre a vida de Amélie é o fato de a princesa ter recebido, nos meses que antecederam a partida da comitiva nupcial para o Brasil, aulas diárias de língua portuguesa e sobre a cultura brasileira. "Podemos chamar o tutor de Amélie, o explorador Friedrich von Martius, de primeiro treinador intercultural da história", considera a curadora.

Outro fato curioso retratado na mostra diz respeito aos Conselhos à minha amada filha Amélie, carta escrita pela duquesa Auguste Amalie antes da partida da filha ao Brasil. "Na época, dizia-se que D. Pedro costumava favorecer os portugueses e a duquesa alertou Amélie: 'Como imperatriz dos brasileiros, tome sempre o partido inequívoco do Brasil'", conta Von Seckendorff.

Brasil e Alemanha

Amélie e D. Pedro tiveram um casamento breve, porém feliz. Era uma espécie de confirmação dos dizeres "amor e fidelidade" da Imperial Ordem da Rosa, criada pelo imperador brasileiro em 1829, em homenagem à então noiva Amélie.


Imperial Ordem da Rosa, homenagem de D. Pedro à noiva Amélie

A imperatriz ficou viúva já em 1834, três anos após a abdicação de D. Pedro 1º. "Talvez a importância de Amelié fosse maior hoje se ela tivesse sido imperatriz por mais tempo. Infelizmente, quase ninguém conhece sua história no Brasil", lamenta Von Seckendorff.

A curadora destaca também a relevância histórica de outros membros da família da princesa. Seu pai, Eugène de Beauharnais, além de enteado de Napoleão, era uma espécie de ídolo popular na Alemanha, conhecido por seu espírito idealista. "D. Pedro 1º mandou editar uma biografia do príncipe de Beauharnais e tinha fotos suas espalhadas pelo palácio", afirma Von Seckendorff.

Além disso, o irmão da imperatriz, August von Leuchtenberg, casou-se com a princesa Maria da Glória, filha de D. Pedro 1º e futura rainha de Portugal. A curadora da exposição relata que o príncipe era um grande colecionador de história natural e pretendia mostrar a natureza brasileira de forma científica, de acordo com a zoologia e a geologia.

O interesse pela vida de Amélie von Leuchtenberg tem se mostrado maior do que o esperado já nas primeiras semanas de exposição. Segundo Von Seckendorff, na Europa há uma curiosidade muito grande pelo Brasil e os visitantes não são apenas pessoas relacionadas de alguma maneira ao país. A curadora diz que uma das intenções da exibição é superar os clichês sobre o Brasil, mostrando que o país é mais que futebol, samba e carnaval.

A exposição Estritamente confidencial! foi organizada pela Sociedade Brasil-Alemanha, que completa 50 anos em 2010, com o apoio do Governo do Estado da Baviera e da Fundação Karl Graf Spreti. Ela pode ser vista até 30 de setembro de 2010.

Autora: Luisa Frey
Revisão: Roselaine Wandscheer