segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

120 anos de falecimento do Imperador Dom Pedro II

Publico aqui a linda homenagem feita pelo blog http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com/ do jovem monarquista  Dionatan da Silveira Cunha. Homenagem merecida pois D. Pedro II muito fez por nosso Brasil.



sábado, 3 de dezembro de 2011

Princesa Isabel - marcante personagem na História do Brasil

Princesa Isabel - marcante personagem na História do Brasil

 

Em outubro de 2011 , foi oficialmente aberto o processo de beatificação da Princesa, entregue ao Cardeal Arcebispo do RJ, D. Orani João Tempesta, a pedido de monarquistas brasileiros. 
A justificativa para o pedido de beatificação de D. Isabel foi o de a Princesa ter demonstrado durante toda sua vida uma profunda Fé Católica, além de ter sido a responsável pela libertação dos escravos no Brasil. 
O cardeal D. Orani prometeu levar o caso à Arquidiocese de Paris, uma vez que a princesa viveu seus últimos anos e morreu na França. 
A Igreja investigará os diversos testemunhos de pessoas que dizem ter sido curadas por orações feita à Princesa.

Aproveitando este importante momento, foi realizado no Golden Tulip Paulista Plaza, em SP, no dia 29 de novembro de 2001, o Painel "A catolicidade da Princesa Isabel vista por um bisneto", promovido pelo Instituto Plínio Correa de Oliveira, no qual foram revelados e comentados episódios marcantes da vida da Princesa Isabel, a Redentora, os quais o povo brasileiro de nossos dias, pouco sabem ou têm sequer conhecimento.

O Painel poderá ser assistido, no vídeo que se encontra neste link abaixo:

Hoje, com este artigo, pretendo trazer à luz de todos os leitores que, por alguma razão, não puderam estar presente no Painel, algo mais detalhado do que foi falado por S.A.I.R. Dom Bertrand de Orleans e Bragrança (um dos painelistas presentes), bisneto da Princesa Isabel, naquele dia, porém ditas pelo seu irmão, nosso Imperador "de jure", S.A.I.R. Dom Luiz de Orleans e Bragança, também bisneto da Princesa, numa entrevista a Revista Catolicismo, em 2006, a fim de que saibam mais sobre a vida de nossa Princesa Isabel, Regente do Brasil Imperial por 3 vezes, pouco comentada pela historiografia brasileira. Cristina Froes




É com muito gosto que atendo ao pedido de Catolicismo de escrever algo sobre minha bisavó, a Princesa Isabel. Máxime porque, embora seja venerada no Brasil como aRedentora da raça negra, sua personalidade total não é geralmente conhecida. Dou aqui alguns traços, a fim de contribuir para esse conhecimento. Pouco se sabe, por exemplo, sobre seu vulto de grande dama, sua bondade bem brasileira e seu inalterável amor ao Brasil.
A Princesa Isabel era filha de D. Pedro II e de Da. Teresa Cristina Maria de Bourbon, das Duas Sicílias. Desse matrimônio nasceram quatro filhos –– um varão, duas mulheres e mais um varão. Os filhos homens morreram cedo, e portanto às filhas, Da. Isabel e Da. Leopoldina, transmitiu-se diretamente o direito à sucessão ao trono.
Isabel, a mais velha, nasceu em 20 de julho de 1848, batizada a 15 de novembro do mesmo ano com o nome de Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Rafaela Gonzaga, na capela imperial, pelo Bispo Conde de Irajá. Padrinhos por procuração: D. Fernando, rei de Portugal, e a rainha Maria Isabela, viúva de Francisco I das Duas Sicílias, sogra de D. Pedro II. Conta o livro de Hermes Vieira: “Antes do batismo, na escadaria da capela imperial, o Imperador, aproximando-se da filha e tomando-a nos braços, avançou um passo e a apresentou ao povo, que lá fora, curioso, comprimido, correspondeu ao gesto do monarca ovacionando Sua Alteza e aos soberanos do Brasil. Ouviram-se então os sons heróicos do Hino Nacional, confundidos com o vozerio consagratício da multidão, entoados pelas bandas de música postadas no passadiço e no coreto armado junto ao alpendre da torre da capela imperial”.(1)
Uma princesa profundamente católica
A última fotografia da Família Imperial em Petrópolis, antes da proclamação da República
Da. Teresa Cristina, nossa terceira imperatriz, pertencia à Casa de Nápoles, que é profundamente católica. Esta esmerou-se sempre na aliança com o Papado, na defesa da Igreja. Por ocasião do chamadoRisorgimento italiano (isto é, a unificação da península), a Casa de Nápoles perdeu seu trono porque não quis usurpar os Estados de outros soberanos, principalmente os Estados Pontifícios. Isto ocorreu em 1860, dez anos antes da queda de Roma, invadida pelas tropas garibaldinas. Garibaldi e a Casa de Sabóia concentraram todas as suas forças contra Nápoles, e só depois foram atacar os Estados Pontifícios. Da. Teresa Cristina recebeu e transmitiu arraigada formação católica à sua filha Isabel.
A Princesa Isabel realmente foi católica do fundo da alma até o fim da vida. Aos quatro anos, foi reconhecida solenemente como herdeira presuntiva do trono, e com 14 anos prestou o juramento de estilo perante as duas Câmaras da Assembléia. Em 1864 casou-se com o conde d’Eu, como resultado de um fato pitoresco e até comovedor. D. Pedro II procurava noivos para suas duas filhas, as princesas Isabel e Leopoldina, e pediu à sua irmã Da. Francisca, casada com o príncipe francês de Joinville — daí o nome de nossa cidade em Santa Catarina — que procurasse para suas sobrinhas dois noivos apropriados, entre as Casas reais européias. Atendendo ao pedido, a Princesa de Joinville encontrou dois primos irmãos: o Duque de Saxe e o Conde d’Eu, este príncipe da Casa de Orleans, portanto muito proximamente aparentado com o marido dela. O Duque de Saxe estava destinado à Princesa Isabel e o Conde d’Eu a Da. Leopoldina. Mas, chegando aqui, os noivos viram que não combinavam, e resolveram trocar. A Princesa Isabel escreve, com muito charme: “Deus e nossos corações decidiram de outra maneira”. O Conde d’Eu se casou então com a Princesa Isabel, e Da. Leopoldina com o Duque de Saxe. Hermes Vieira afirma: “o Conde d’Eu se sentia bem ao lado dela. Era simples, boa, afetuosa e pura. Possuía uma voz bem educada e tocava piano com sentimento e graça. Tinha uma sadia ingenuidade, uma singeleza de idéias, quer dizer, uma clareza de idéias admirável, além de muita sensibilidade. Isso, sem falar dos seus talentos, da sua instrução pouco comum para a época. Dominava corretamente o francês, o alemão e o inglês”.(2) Formaram até o fim da vida um casal unidíssimo.
Por ser de convicções firmes, a princesa era difamada
A Princesa Isabel e o Conde d’Eu com seus três filhos

Logo que a Princesa Isabel se estabeleceu com casa própria — no hoje palácio Guanabara, que era o palácio Isabel da época — procurou, em seu papel de princesa herdeira mas não regente, fomentar uma vida cultural e social no Rio de Janeiro. Promovia então toda semana um serão e um jantar, mais elegante ou menos, mais cultural ou menos. Isso para fomentar a cultura geral na Corte. Esses serões eram muito concorridos. O próprio Imperador ia uma vez por semana à casa da filha para jantar.
Em 1871, por motivo da viagem do casal imperial, Isabel prestou juramento como Regente do Império perante as duas Câmaras. “Juro manter a Religião Católica Apostólica Romana, a integridade e indivisibilidade do Império, observar e fazer observar a Constituição política da Nação Brasileira e mais leis do Império, e prover o bem do Brasil quanto a mim couber. Juro fidelidade ao Imperador e entregar-lhe o governo logo que cessar o seu impedimento”.
Nesse mesmo ano, a 27 de setembro, sendo presidente do Conselho o visconde do Rio Branco, pai do barão do Rio Branco, foi votada a Lei do Ventre Livre, na sessão que ficou chamada Sessão das Flores. Quando foi aprovada a Lei do Ventre Livre, uma chuva de rosas desatou-se no plenário da Assembléia. O ministro dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, Mr. Partrige, colheu algumas dessas flores, e disse:“Vou mandar estas flores para meu país, para mostrar como aqui se fez uma lei que lá custou tanto sangue”. A Guerra de Secessão nos Estados Unidos custara 600 mil mortos...
Em 1876, na segunda regência, começou uma campanha de detração promovida pelos círculos republicanos, positivistas e anticlericais contra a Princesa Isabel, por causa de seu catolicismo. Tais círculos viam que ela — por sua firmeza de princípios, por sua formação profundamente católica, mas também pelo pulso que demonstrou nas regências — seria uma imperatriz que faria da Terra de Santa Cruz realmente uma bela exceção no mundo. Ela exerceria uma profunda influência por sua autenticidade, sua cultura, sua religiosidade, e por tudo aquilo que pode elevar o espírito de um povo. Isso os referidos círculos não desejavam de nenhum modo. Começaram então a campanha de detração: ela era feia; era carola; era boba; não era patriota; não gostava do Brasil; preferia ter médicos franceses a brasileiros, e outras calúnias. O Conde d’Eu, que sofria de surdez, era chamado de surdão, arrogante, e mantinha cortiços de aluguel. Até a surdez — da qual ele evidentemente não tinha culpa — era assacada em meio às calúnias. De tal maneira que, pouco a pouco, esse casal foi sendo demonizado, para se evitar que mais tarde ele subisse ao trono. Dizia-se, em certos círculos, que era preciso proclamar a república logo, porque se a Princesa Isabel assumisse o poder, acabaria com todo esse movimento ateu, positivista e republicano. Ela teria pulso e prestígio para fazer isso. Tornou-se corrente a frase: “Precisamos fazer a república enquanto o velho está vivo, senão a filha dará cabo de nós”.
A Princesa Redentora da raça negra
Em 1888 a Princesa Isabel, sendo novamente regente, assinou a Lei Áurea. Tendo provocado a queda do gabinete Cotegipe, a Princesa chamara o Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, que era abolicionista, à presidência do Conselho. Este fizera votar a Lei Áurea e a apresentara para a assinatura da Princesa Isabel. O Conde d’Eu, nessa ocasião, teve um momento de hesitação : “Não o assine, Isabel. É o fim da monarquia”. Ao que ela respondeu: “Assiná-lo-ei, Gaston. Se agora não o fizer, talvez nunca mais tenhamos uma oportunidade tão propícia. O negro precisa de liberdade, assim como eu necessito satisfazer ao nosso Papa e nivelar o Brasil, moral e socialmente, aos demais países civilizados”.(3)
Depois da assinatura realizou-se grande festa no Rio de Janeiro, com grandes aclamações do povo. Estando a Princesa Isabel junto ao barão de Cotegipe na janela do palácio — o barão a estimava, embora estivessem em desacordo na questão da escravidão — ela perguntou-lhe: “Então, Senhor barão, V. Excia. acha que foi acertada a adoção da lei que acabo de assinar?”. Ao que o barão, com muito carinho, respondeu: “Redimistes, sim, Alteza, uma raça, mas perdestes vosso trono...”(4)
D. Pedro II nesse momento estava em Milão, muito doente e com a perspectiva iminente de morte. Mas a 22 de maio ele sentiu certa melhora, e a Imperatriz teve a coragem de lhe dar a notícia da Abolição. Diz Heitor Lyra: “Enchendo-se de coragem, debruçada sobre a cabeceira do marido, deu-lhe com brandura a grande nova. O Imperador abriu lentamente os olhos emaciados e depois perguntou como quem ressuscitava: ‘Não há mais escravos no Brasil?’. ‘Não – respondeu a Imperatriz – a lei foi votada no dia 13. A escravidão está abolida’. ‘Demos graças a Deus. Telegrafe imediatamente a Isabel enviando-lhe minha bênção e todos os agradecimentos para o País’. Houve um momento de silêncio. A emoção dos presentes era grande. Virando-se lentamente, o Imperador acrescentou, numa voz quase sumida: ‘Oh! Grande povo! Grande Povo!’ O telegrama que foi mandado à Princesa Isabel tinha o seguinte teor: ‘Princesa Imperial. Grande satisfação para meu coração e graças a Deus pela abolição da escravidão. Felicitação para vós e todos os brasileiros. Pedro e Tereza’”.(5)

Apesar de tudo, continua a detração contra a monarquia
Leão XIII
O Papa Leão XIII resolveu premiar a Princesa Isabel com a maior distinção que os Soberanos Pontífices davam a chefes de Estado e a pessoas de grande relevo, nas ocasiões em que adquiriam méritos especiais. Enviou-lhe a Rosa de Ouro, que foi entregue a 28 de setembro de 1888, no 17o aniversário da promulgação da Lei do Ventre Livre. A data foi escolhida pelo próprio Núncio Apostólico, para a cerimônia que se realizou com toda magnificência na capela imperial. Entretanto, apesar de tudo, continuou a campanha de detração contra a monarquia, agora dirigida especialmente contra o Imperador: o velho está gagá; ele dorme o tempo todo; o Conde d’Eu e a Princesa Isabel vão se tornar tiranos aqui. Uma série de calúnias foi espalhada por todo o País.
A 15 de novembro, os militares que estavam no Rio de Janeiro — eram minoria, representavam um terço do Exército brasileiro — proclamaram a República. O golpe foi totalmente alheio à vontade do povo. Tanto que os republicanos embarcaram a Família Imperial rumo ao exílio, à noite, para que não houvesse reação popular. Na partida, a Princesa Isabel passando junto à mesa onde havia assinado a Lei Áurea, bateu nela o punho fechado e disse: “Mil tronos houvera, mil tronos eu sacrificaria para libertar a raça negra”.
D. Pedro II recusou 5 mil contos de réis — cerca de 4 toneladas e meia de ouro, uma fortuna — que lhe ofereceram os revoltosos, porque, dizia, o novo governo não tinha direito de dispor assim dos bens nacionais. Da. Teresa Cristina, mal chegando a Portugal, morreu de desgosto no Grande Hotel do Porto. Eu lá estive há alguns anos, quando o hotel inaugurou uma placa em memória dela. E D. Pedro II faleceu a 4 de dezembro de 1891, no Hotel Bedfor, em Paris, onde uma placa recorda o passamento do ilustre hóspede. Tal era o prestígio que cercava sua pessoa, que a República francesa concedeu-lhe funerais completos de Chefe de Estado.
Uma rainha, uma fada com a bondade brasileira
Conde d’Eu possuía um castelo na Normandia, mas ele e a Princesa Isabel compraram um palacete em Boulogne-sur-Seine, que é um nobre bairro periférico de Paris. Lá ela abria seus salões para os brasileiros que iam visitá-los. E não só isso. Conseguiu se impor na sociedade parisiense a tal ponto, que várias memórias de personalidades da época a apresentam quase como uma rainha daquela sociedade. Era tida mesmo como a principal personagem. Somente ela e o presidente da República podiam entrar de carruagem no pátio interno da Ópera de Paris.
Uma hindu, que se tornaria mais tarde Maharani de Karputhala, escreve em suas memórias que ela via a Princesa Isabel como uma verdadeira rainha, uma fada. Não só isso — rainha e fada — mas também com toda a bondade brasileira e católica, característica da Princesa Isabel. A Maharani narra que, quando menina, de passagem pela capital francesa, teve uma crise aguda de apendicite. Operada com os recursos incipientes da época, passou longa convalescença no hospital. A sociedade parisiense toda, curiosa, ia visitá-la. Ela dizia que se sentia um bichinho exótico, que as pessoas iam vê-la como num zoológico. E a única que foi visitá-la com bondade e para lhe fazer bem foi a Princesa Isabel. Ela conta que minha bisavó aproximou-se do seu leito, agradou-a muito, acariciou-a e consolou-a. E no fim, disse: “Minha filha, eu não sei que religião você tem. Mas sei que há um Deus que ama todas as crianças do mundo. Aqui está uma imagem da mãe d’Ele. Guarde-a consigo, e quando você estiver numa grande aflição, peça a Ela para interceder junto ao seu Filho”.Infelizmente a Maharani não se converteu à Igreja Católica, permaneceu pagã até o fim da vida, mas nos momentos de apuro ajoelhava-se diante da imagem de Nossa Senhora, que a Princesa Isabel tinha lhe dado. Porque sabia que seria atendida.
Santos Dumont, testemunha da bondade da Princesa
Santos Dumont voa no 14 Bis

Santos Dumont, nessa época, realizava suas experiências em Paris. Sabendo que ele passava muito tempo no campo onde fazia seus experimentos, a princesa mandava-lhe farnéis a fim de que ele não precisasse voltar à cidade para almoçar. Certa vez, escreveu-lhe: “Sr. Santos Dumont, envio-lhe uma medalha de São Bento, que protege contra acidentes. Aceite-a e use-a na corrente de seu relógio, na sua carteira ou no seu pescoço. Ofereço-a pensando em sua boa mãe, e pedindo a Deus que o socorra sempre e ajude a trabalhar para a glória de nossa Pátria. Isabel, Condessa d’Eu”. Santos Dumont usou a medalha por toda a vida. E noutra ocasião disse-lhe: “Suas evoluções aéreas fazem-me recordar nossos grandes pássaros do Brasil. Oxalá possa o Sr. tirar de seu propulsor o partido que aqueles tiram de suas próprias asas, e triunfar para a glória de nossa querida Pátria”.
Muito tocante também é o fim da carta que ela escreveu ao Diretório Monárquico para anunciar os casamentos de seus filhos mais velhos. O Diretório era composto pelo Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, pelo Visconde de Ouro Preto e pelo Conselheiro Lafayette de Oliveira. A carta é datada de 9 de setembro de 1908: “Minhas forças não são o que eram, mas o meu coração é o mesmo para amar a minha Pátria e todos aqueles que lhe são dedicados. Toda a minha amizade e confiança”. Era o jeito brasileiro, a bondade brasileira perfeitamente encarnada naquela nobre dama.
Mesmo longe do Brasil, tudo fazia para engrandecer o País
Princesa Isabel e o Conde d’Eu com seu neto Dom Pedro Henrique
Outra amostra de seu profundo interesse pelo Brasil está registrada numa carta ao Cons. João Alfredo. O Banco do Brasil –– não me recordo em que mandato presidencial ocorreu o fato –– estava num descalabro republicano: desordem total, contas que não estavam acertadas, funcionalismo completamente rebelde. E o presidente da República de então concluiu que o único que teria inteligência, força, garra e pulso para pôr ordem naquela situação seria o Cons. João Alfredo, e o convidou a assumir a presidência do Banco do Brasil. João Alfredo respondeu: “Eu sou monarquista, e portanto só posso aceitar esse cargo se a minha Imperatriz autorizar”. Escreveu à Princesa Isabel, explicando o caso. E ela respondeu-lhe: “Para o bem de nossa Pátria, o Sr. deve aceitar”. João Alfredo assumiu a presidência do Banco do Brasil, pôs em ordem o funcionalismo e acertou a contabilidade. Pagou todos os atrasados, todas as dívidas, deixando tudo em perfeito estado. Depois pediu demissão e morreu pobre, pois não recebeu nada por aquela importante gestão.
Em carta à irmã de um monarquista eleito deputado, Ricardo Gumbleton, de tradicional família paulista, o qual não queria aceitar o cargo de deputado, a Princesa observa: “Não concordo, absolutamente! Diga a seu irmão que ele deve aceitar a cadeira de deputado e propugnar pela grandeza moral, econômica e social de nossa Pátria. Não aceitando é que ele estará procedendo de maneira contrária aos interesses da coletividade. Não nos deve importar o regime político sob o qual esteja o Brasil, mas sim conseguir-se colaboradores de boa vontade capazes de elevar o nosso País. De homens como ele é que o Brasil precisa para ascender mais, para fortalecer-se mais. Faça-lhe sentir que reprovo sua recusa”.(6) Esse fato revela uma vez mais que ela procurava colocar o bem do Brasil acima dos próprios interesses.
Na França, representou o que havia de melhor do Brasil
 
Em março de 1920, após as exéquias de seu filho Dom Luiz, vemos a Princesa Isabel (à frente, no grupo da esquerda)
Ela ainda viveu até 1921. Cada vez mais fraca, mas conservando sempre aquela grande classe, aquele grande porte que a caracterizava. Em suas fotografias no exílio, ela mantém um porte imperial que não apresentava aqui no Brasil. No infortúnio, a noção da sua missão foi se cristalizando cada vez mais. E realmente, nessas fotografias, sua atitude era de uma imperatriz. No batizado de meu pai, ela manifesta uma nobreza e uma categoria impressionantes. E foi assim até o fim da vida.
Morreu sem poder voltar ao Brasil. Representou na França o que havia de melhor do Brasil. Muito mais do que nosso corpo diplomático, muito mais do que nossos homens de negócio, ela foi um exemplo do que o Brasil era ou deveria ser. E a França entendeu isso. Assis Chateaubriand escreveu, em Juiz de Fora, a 28 de julho de 1934: “Apagada a sua estrela política, depois de vencida a tormenta da abolição, ela não tinha expressão dura, uma palavra amarga para julgar um fato ou um homem do Brasil. No mais secreto de seu coração, só lhe encontrávamos a indulgência e a bondade. Este espírito de conduta, esse desprendimento das paixões em que se viu envolvida, era a maior prova de fidelidade, no exílio, à pátria distante. Mais de 30 anos de separação forçada não macularam a alvura dessa tradição de tolerância, de anistia aos agravos do passado, que ela herdara do trono paterno. [...] Foi no exílio que ela deu toda a medida da majestade e da magnanimidade do seu coração. [...] Ela viveu no desterro [...] como a afirmação de Pátria, acima dos partidos e dos regimes. Debaixo da sua meiguice, da sua adorável simplicidade, quanta fortaleza de caráter, quanto heroísmo, quantas obras valorosas”.(7)
Faleceu no castelo d’Eu. Apagou-se suave e docemente. A República reconheceu o que o Brasil tinha perdido. O presidente Epitácio Pessoa determinou três dias de luto nacional, e que fossem celebradas exéquias de Chefe de Estado. Também a Câmara Federal votou que seu corpo fosse trazido para o Brasil num vaso de guerra, o que só se realizou em 1953. Em 13 de maio de 1971, seu corpo e o do Conde d’Eu foram transladados solenemente à catedral de Petrópolis, e lá repousam à espera da ressurreição dos mortos e do Juízo final.
Essa foi a insigne mulher que nosso Brasil registra em sua história. Ela não foi uma intelectual. Foi princesa e patriota até o fundo da alma. Uma senhora que tinha consciência de ter nascido para o bem de um País. E encarnou essa missão na Pátria e no exílio até o fim de sua existência. Foi um modelo de princesa, de imperatriz e de católica. Ela foi o tipo perfeito de grande dama brasileira.

Dom Luiz de Orleans e Bragrança

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

História da princesa Isabel e sua devoção a Nossa Senhora Aparecida

História da princesa Isabel e sua devoção a Nossa Senhora Aparecida

A história da princesa Isabel com Nossa Senhora Aparecida é muito bonita e conhecida por poucos

A princesa Isabel era devota fervorosa de Nossa Senhora Aparecida e tinha o sonho de ser mãe de um menino que herdasse o trono da realeza.
Com o objetivo de ser mãe a qualquer custo, a princesa Isabel sofreu vários abortos e a primeira gravidez que conseguiu levar até os nove meses foi frustrante porque resultou no nascimento de uma menina morta, após um trabalho de parto difícil  e muito doloroso de 50 horas, quatro obstetras não conseguiram extrair o feto, foi necessária uma craniotomia, um procedimento rotineiro na época, que consistia na perfuração d cabeça da criança com o objetivo de reduzir o volume cerebral para a passagem do bebê. Como podemos ver foi um momento muito triste, Mas muito persistente a devora de Nossa Senhora Aparecida a princês Isabel, pedia com muita fé o favor da Santa de lhe conceder um filho e se dedicava ao mês de Maria limpando e adornando, com flores frescas, diariamente, a Igreja de Petrópolis ( RJ) onde morava. Um ano após perder a filha a princesa, deu luz ao herdeiro do trono. No dia 15 de outubro de 1875, após 13 horas de trabalho de parto nasceu D. Pedro de Alcântara, o menino nasceu asfixiado em conseqüência do fórcipe e sofreu lesões no braço esquerdo, que ficou paralisado, devido ao problema ele foi apelidado de Mão seca.
Foi com muita fé que a princesa Isabel conseguiu realizar o sonho de ter um filho, após 11 anos de casada. Nos anos seguintes a realeza brasileira ganhou outros dois herdeiros, dom Luiz Maria e dom Antonio.
Por duas vezes, durante o Império, a princesa se fez romeira da santa e lhe ofereceu, régio presentes.
Em dezembro  de 1868, ofereceu-lhe um manto, com 21 estados brasileiros; em 6 de novembro de 1884, ofereceu-lhe uma coroa de ouro  , cravejada de brilhantes , a mesma com que a Imagem foi coroada Rainha do Brasil de 1904 e que está na Nossa Senhora lá na Aparecida até hoje.
Isabel, filha do último Imperador do Brasil, Dom Pedro II, nasceu em julho de 1846. Casou-se com 18 anos, com Dom Luiz Felipe d’ Orleans, o Conde d’eu e governou o Brasil por três vezes. Na terceira vez, assinou a Lei Áurea, e aboliu a escravidão.
Por esse motivo nobre o Papa Leão XIII lhe concedeu a Rosa de Ouro, em 28 de setembro de 1888. A princesa foi a única brasileira a receber a rosa de ouro. Os outros dois exemplares foram dedicados ao Santuario  Nacional de Aparecida pelos Papas Paulo VI em 1965 e Bento XVI em 2007.
A história de Aparecida tem outro fato curioso sobre a passagem da princesa Isabel.
No ano de 1857, o escravo Zacarias fugiu de Curitiba e veio para Bananal, cidade de São Paulo, sendo preso e algemado. Ao Passar pela Capela de Aparecida, pediu ao feitor a licença de ver Nossa Senhora Aparecida e ele permitiu. Ao fazer o seu pedido  de clemência por liberdade, o escravo se ajoelhou e ergueu os braços algemados e fez a prece. A corrente caiu, tinindo nos chão. Foi um dos primeiros milagres conhecidos de Nossa Senhora Aparecida a correr pela vila vizinhas e pela província.
Quando aconteceu o milagre da libertação de Zacarias, todos os escravos tinham a esperança de também serem libertos. Outro escravo conseguiu autorização do feitor para entrar na Capela. Rezou a fez o mesmo pedido, mas a correntes não se abriu. Ele rezou tristemente e ficou decepcionado por não ter alcançado o milagre. Levantou-se e descendo a antiga rua da calçada, hoje ladeira Monte Carmelo, no centro de Aparecida, viu a comitiva real. O escrevo ajoelhou-se e pediu a benção da princesa. Dona Isabel ordenou então que o escravo fosse posto em liberdade. As correntes não caíram no chão como o do escravo Zacarias , mas Nossa Senhora fez com que  a princesa fosse tocada pelo gesto do escravo e lhe concedesse a libertação dos escravos a princesa recebeu o titulo de Redentora. Após 32 anos de desterro, a princesa faleceu em Paris no dia 14 de outubro de 1921.
Nossa Senhora Aparecida- Rogai por nós


A coroa ostentada pela imagem de Nossa Senhora Aparecida foi doada pela Princesa Isabel em 1884 como forma de agradecimento por uma graça alcançada. A peça possui 14 centímetros de altura e 11 de largura. Feita com 300 gramas de ouro 24 quilates, é cravejada com 40 diamantes. A santa a recebeu em uma cerimônia celebrada em 08 de agosto de 1904.
Apesar da estafante tarefa de governar, Isabel não media cuidados com seus 3 filhos : Luis, Pedro e Antonio

Uma defensora do voto feminino

No dia 13 de maio de 1888, colocou o trono na linha de tiro ao assinar a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no país, mas tirou da monarquia seu último sustentáculo: a aristocracia cafeeira do Vale do Paraíba. Instada pelo marido a não assinar a lei aprovada pelo Parlamento, por seu potencial de perigo à Coroa, Isabel não titubeou:

“É agora ou nunca!”.

E ao barão de Cotegipe, que ao cumprimentá-la pelo ato, disse que a regente “libertou uma raça, mas perdeu o trono”, a princesa também foi categórica:

“Mil tronos tivesse, mil tronos daria para libertar os escravos do Brasil”.

— O movimento abolicionista despertou nela um gosto pelos assuntos públicos — ressalta Barman.

— A abolição teria acontecido mais dia menos dia, mas a ação da regente foi indispensável para o desfecho rápido e pacífico da crise.

A abolição renovou o prestígio da monarquia, e a nova Isabel, moldada na luta abolicionista, gostou do resultado que suas ações poderiam trazer ao país.

Numa carta ao visconde de Santa Victoria em agosto de 1889, três meses antes do golpe de Estado da Proclamação da República, deixou claras suas intenções para o momento — que nunca chegaria — em que se tornaria imperatriz.

Já removida da regência pelo retorno de D. Pedro II em agosto de 1888, a princesa deu seu apoio à indenização dos ex-escravos para que pudessem se estabelecer como agricultores, e também à revolucionária ideia do sufrágio feminino — que nenhum país da época instituíra.


“Quero agora dedicar-me a libertar as mulheres do cativeiro doméstico. Se a mulher pode reinar, também pode votar”.

— Ainda há um desconhecimento muito grande sobre quem foi a Princesa Isabel — aponta Bruno de Cerqueira, do Instituto D. Isabel I a Redentora.

— É um grande erro falar somente de sua atuação pela Lei Áurea, quando ela foi uma personagem muito mais rica.

Homenagem a Dom Pedro II em seu 186 aniversário


arte de  Romanov Diego

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Quando muito se fala no pedido do início do processo de beatificação da Princesa Dona Isabel, o Blog Monarquia Já foi em busca de mais detalhes sobre o assunto. Pensando nisso procuramos o responsável pelo pedido junto a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o Professor Hermes Rodrigues Nery.  
 

Coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e do Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté (SP); professor de bioética (pós-graduado pela PUC-RJ, em curso promovido pela CNBB e Pontifícia Academia para a Vida); político, escritor e jornalista, o Professor Hermes é também vereador de São Bento do Sapucaí e, com exclusividade, concedeu entrevista ao Blog Monarquia Já.
Entrevista que abaixo transcrevemos nesta simbólica data de 15 de novembro, batizado da Princesa Dona Isabel.
 
_____________________________________________
 
"A PRINCESA ISABEL É MESMO UMA MULHER SANTA"
Afirma o prof. Hermes Rodrigues Nery em entrevista ao Blog Monarquia Já
______________________________________________
 
 
BMJ - Como surgiu a iniciativa de solicitar beatificação da Princesa Dona Isabel à Arquidiocese do Rio de Janeiro?
 
Prof. Hermes - Moro numa pequena cidade do Estado de São Paulo e como Presidente da Câmara Municipal de São Bento do Sapucaí (biênio 2009-2010) recuperei todas as atas antigas da Câmara, desejando obter subsídios para escrever a história do Município. Meus assessores disseram que a mais remota era de 1957, e que as demais estavam dispersas, perdidas, muitas delas numa enchente de 1945. Conversando com um e com outro, ex-prefeitos, pessoas idosas, professores, etc., conseguimos localizar todas as atas originais, desde a primeira, de 1858. Contratei paleógrafos de Pindamonhangaba para transcrever especialmente o primeiro livro (até 1868), e fiquei admirado de constar informações preciosas sobre o Segundo Reinado e entendi então que os documentos, na fonte, falam muito, iluminam bastante, sem crostas ideológicas. Pelas atas tomei conhecimento de que escravos alforriados foram lutar na Guerra do Paraguai e que na cidade havia um quilombo, que mais tarde daria o nome a um bairro do Município. Ao contrário do que pensava, nem todos os quilombos eram de escravos revoltosos, mas aquele, de modo especial, era de alforriados católicos muito devotos.
 
Eu conhecia no bairro do Quilombo a dona Luzia, uma senhora de quase 80 anos, líder do bairro, e que todo ano mantinha a tradição da festa do 13 de maio. Fui conversar com ela a respeito das origens do bairro e ela me contou que aquele Quilombo era abençoado, porque aquela festa existia para homenagear uma santa. Fiquei impactado com aquela colocação e indaguei. Mas que santa? E ela me respondeu, com muita simplicidade e profunda emoção: a Princesa Isabel. Havia em sua fala, uma forte devoção e um sentimento de gratidão, havendo, sim, mais que um respeito tão grande, mas uma veneração. Naquele momento algo me chamou a atenção e me fez começar uma pesquisa mais aprofundada para entender o que ainda hoje, decorridos mais de um século, uma descendente de escravos reconhecia na Princesa Isabel sinais de santidade.

Senti-me no dever de buscar uma bibliografia sobre a vida da Princesa Isabel, e após a leitura da biografia escrita por Hermes Vieira, comecei a entender que o sentimento da dona Luzia tinha fundamento. A história de vida da Princesa Isabel, por tudo o que ela viveu e sofreu, pelo tanto que ela amou o Brasil, especialmente a dor de seu longo exílio e tantos outros fatos, me fez crer que se tratava mesmo da história de vida de uma santa, mas muito pouco conhecida e aprofundada e que diante disso, precisávamos ter acesso aos arquivos, aos documentos, às suas inúmeras cartas, aos depoimentos dos que a conheceram, em vida, etc. E cada vez mais que tomava contato com algum novo documento, foi amadurecendo em mim a convicção de que a Princesa Isabel é mesmo uma mulher santa. Daí a motivação pelo pedido da abertura do processo de sua beatificação.

BMJ - Quais são suas virtudes heroicas, em que se baseia o pedido?
Prof. Hermes - Por ter uma personalidade forte e resoluta, a Princesa Isabel soube tomar decisões acertadas e corajosas, num momento histórico que requereu sabedoria e precisão decisória. Com isso, conseguiu efetivar a abolição da escravatura em nosso País, sem derramamento de sangue, sem sublevação e sem desordem pública. O que não aconteceu, por exemplo, nos Estados Unidos, cuja guerra de Secessão vitimou tantos, pela mesma causa. Ela não titubeou em anuir ao imperativo da História, pautada nos princípios e valores humanos e cristãos, pagando por isso um preço muito alto: a perda do trono e o mais cruel banimento sofrido por uma autoridade política em nosso País.

Ela era uma pessoa alegre e cativante, gostava de festas, era culta e elegante, tocava piano e falava vários idiomas. Mas era uma alma simples e terna, muito compassiva para com os sofredores, e muito animada pela alegria de viver. Perdeu tudo o que havia se preparado tantos anos, pois sabia que como futura Imperatriz, queria dar o bom exemplo de governante cristã. Mas o golpe do 15 de novembro, exigiu 24 horas para deixar o País, que nunca mais veria, até sua morte, 32 anos depois. Suas melhores virtudes cristãs foram afirmadas em seu penoso exílio, confiante em Deus, zelosa da família e dos deveres éticos e cívicos, soube sofrer os padecimentos com a mesma generosidade e dar o bom testemunho. Outros tantos dissabores e sofrimentos vieram nos anos de proscrição. O incêndio no Castelo d’Eu, em 1902, o flagelo da Primeira Grande Guerra (a quem acudiu a muitos, socorreu a tantos), a morte dos filhos, etc.), até a aceitação de saber que nunca mais veria o Brasil, e as manhãs luminosas do Rio de Janeiro, sua cidade natal. E aceitou tantas dores (muitas delas injustíssimas) na confiança de Deus sempre providente. Por isso, foi provada na fé.
 
BMJ - A Princesa Dona Isabel é conhecida por todos pela singular bondade, religiosidade e, principalmente, pela ampla contribuição nas questões sociais, podendo ser citada sua magnanimidade ao abolir a escravidão do Brasil, ato almejado por seu avô e por seu pai, mas efetivado por ela. Dado os fatos, seria a Princesa Dona Isabel um grande vulto da História do Brasil, mas não propriamente uma santa?
 
Prof. Hermes - Depois de estudos aprofundados, constatamos muitos fatos que dá á Princesa Isabel uma dimensão muito mais ampla, do que apenas de ter sido “um grande vulto na história do Brasil”. Ela fez muito mais não apenas para o Brasil, mas também para a Igreja. A sua adesão ao Evangelho foi autêntica e suas atitudes e decisões confirmaram o entendimento profundo que ela teve dos princípios e valores humanos e cristãos, vividos em todos os aspectos, tanto na vida pessoal quanto pública. A sua vida foi inteiramente de coerência e fidelidade ao Evangelho. Os depoimentos de todos os que a conheceram testemunham o seu vigor moral e cívico, que alimentado por uma espiritualidade católica exemplar.

Foram muitas as suas iniciativas em defesa da fé, numa época em que se gestava especialmente no continente europeu as ideologias anticristãs mais contundentes. Francisco Leme Lopes reconhece, em seu texto “Isabel, a Católica” que o “13 de maio é em verdade a maior data da nossa história”. E destaca a Rosa de Ouro que ela recebeu do Papa Leão XIII, “insígnia que o Brasil receberia de novo mais de meio século depois para a Basílica da Virgem de Aparecida”, as três vezes em que ela esteve “na direção suprema do País”, e “empunhou com mão serena e hábil o cetro imperial”, promulgando duas importantes leis de reforma social, a do Ventre Livre (1871) e a Lei Áurea (1888). É da princesa Isabel também a petição assuncionista, datada de 8 de setembro de 1900, solicitando ao papa a declaração do dogma da Assunção de Nossa Senhora. No ano seguinte, em 13 de maio reforçou este pedido ao episcopado brasileiro, para que chegasse à Santa Sé esta sua súplica.

No exílio, trabalhou muito para defender a fé, escrevendo ao papa: “Longe de minha pátria, sinto-me feliz ao menos por trabalhar pelo que nela pode fortificar a fé”. Ainda é da princesa Isabel outro pedido ao papa, unindo-se á voz do episcopado brasileiro, em 1877, pela canonização de Anchieta. “Queira, pois Vossa Santidade resolver que é lícito aos católicos brasileiros venerarem em seus altares a imagem de tão santo varão”. Sua devoção mariana está expressa em diversos documentos: “Meu amor e devoção à Santíssima Virgem torna-me grato escrever. Justamente em 1908, festejar-se-á o jubileu de Nossa Senhora de Lourdes cujo santuário inúmeras vezes visitei com a maior emoção”. Lourenço Luís Lacombe conta de sua compaixão pelos sofredores, em carta datada de 7 de novembro de 1864: “Hoje, foi dia de limpeza da Igreja e deixamo-la muito bem arranjadinha pela manhã (...) Acabamos, há pouco, com a festa da Igreja. Perdoei 6 réus e comutei duas penas de morte. É uma das únicas atribuições de que gosto no tal poder!!!”.

E depois da glória do 13 de maio, destacou Francisco Lemes: veio “a tradição, o abandono, o exílio, a morte dos pais, o esquecimento, a ingratidão”. De maneira que há muitos registros e documentos, como também testemunhos tanto de sua época, como das décadas posteriores, da sua força moral e espiritual, que faz dela uma presença de bondade e amor de dimensão universal, cuja santidade certamente um dia será confirmada pela Igreja, para que ela seja elevada às honras dos altares, do mundo inteiro.     
 
BMJ - A Princesa Dona Isabel era mulher significativamente dedicada a Família, as causas dos descriminados, sofreu, depois de seu casamento, uma grave campanha difamatória por parte de políticos e homens de poder da época. Exilada na França, sabe-se que se dedicou também a assuntos do Brasil, à Família e à caridade, no entanto, pouco se sabe dos detalhes. Os relatos das netas, a Condessa de Paris – De todo meu coração, e da Condessa de Nicolaÿ – Minha Mãe, a Princesa Imperial viúva (tiragem familiar, acessível a poucos), ajudam a vislumbrar um pouco sobre o fim da vida da Princesa Dona Isabel. Além de cinco ou seis biografias da Princesa, dentre as quais apenas duas ou três são relevantes, o que se sabe efetivamente sobre sua história, sua vida, não se deve fazer uma grande pesquisa?

Prof. Hermes - Estamos trabalhando nesse sentido, analisando os documentos, as suas inúmeras cartas, vários textos produzidos, além de uma boa bibliografia já existente. Penso que a nossa geração está mais receptiva a conhecer a luminosa vida da Princesa Isabel, sem as sombras ideológicas que macularam a visão conjuntural de sua biografia. Ela tem uma grande história de vida, e um modelo a ser seguido pela geração de jovens (no campo pessoal, como filha, mãe e esposa exemplar, e no campo público o modelo de governante cristã). Pretendemos no estudo que estamos preparando, fazer um panorama de seu tempo, para entender de modo amplo, os acontecimentos que marcaram a história do Brasil e da Igreja, na segunda metade do século XIX e início do século XX. Certamente muitos ficarão impactados com a força desta mulher, que não apenas em seu tempo, mas ainda hoje exerce grande admiração entre os brasileiros. O importante é que junto com a produção deste estudo, vamos subsidiara Arquidiocese do Rio de Janeiro com todos os documentos e informações possíveis, para ajudar no processo que visa a beatificação. Com tudo isso, os brasileiros irão amar cada vez mais esta mulher que nasceu destinada a ser a Imperatriz e defensora perpétua do Brasil.
 
BMJ - Efetivamente, qual era a conduta religiosa da Princesa, isto é, pensamento religioso, as bases de sua crença, em quais os aspectos pode-se atribuir santidade a seus atos?
 
Prof. Hermes - A Princesa d. Isabel foi a mais preparada para exercer o governo, e a que mais convictamente viveu os princípios e valores da fé católica em nosso País. Foi através de uma sólida formação, um matrimônio estável e a consciência dos problemas nacionais, exerceu os três períodos de regência com exemplar dignidade e coerência, demonstrando o quanto promissor seria o 3º Reinado. A partir da doutrina moral e social da Igreja Católica, que ela tão bem conheceu e viveu, norteou sua conduta pessoal e pública, inspirada no melhor exemplo dos príncipes cristãos, como a de São Luís, capaz de renúncias e sacrifícios pelo bem comum. Como tão bem salientou Francisco Leme Lopes,  diante dos sofrimentos, a Princesa d. Isabel, “austeramente fiel ao ensinamento paterno, ela continua a orar, a bem-fazer, a perdoar. No seu exílio, não permite recriminações nem queixumes. Certa da justiça que lhe há de fazer a história, contempla serena as misérias do presente... e quando se lembra das horas de infortúnio, só lamenta que da tremenda catástrofe não saísse uma pátria mais honrada, mais próspera, mais livre, mais digna, mais feliz...” O seu projeto de Brasil, solapado pelos republicanos positivistas, e desprezado pelos anárquicos que hoje ocupam os primeiros postos do governo, era um projeto de acordo com a identidade e a alma da Nação brasileira. Por isso ela foi tão querida e ainda hoje é, por estar ancorada no coração do povo, e de ter se empenhado com tão sincera dedicação na promoção de um Brasil pujante, com base no humanismo cristão.  
 
BMJ - Como está sendo recebida está campanha pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro?
 
Prof. Hermes - Tanto dom Orani Tempesta, quanto dom Antonio Augusto foram muito receptivos ao pedido de abertura do processo de beatificação. Dom Orani explicou que terá primeiramente que obter uma licença da Arquidiocese de Paris, tendo em vista que à princesa Isabel faleceu lá. A partir de então instituirá uma Comissão Especial para fazer os estudos necessários e buscar informações no sentido de comprovar as virtudes heroicas da Princesa Isabel, a força de sua fé, com o relato de depoimentos e testemunhos, e a constatação de milagres. Estamos desde então aprofundando os estudos, e cada vez mais convictos de que a vida da princesa Isabel corresponde às exigências que podem efetivar a sua beatificação. Sobre sua fama de santidade e devoção do povo para com ela, podemos atestar já em sua vida.  José do Patrocínio, assim que foi assinada a Lei Áurea, ajoelhou-se aos pés de d. Isabel e lhe chamou de santa, “Santa Isabel”. Os documentos comprovam, em várias localidades do Brasil, práticas de devoção à princesa Isabel, especialmente nas festas do 13 de maio feitas por descendentes de escravos, a exemplo do acontece em São Bento do Sapucaí, com a tradicional festa da dona Luzia, no bairro do Quilombo. O título de A Redentora lhe veio justamente pela sua fama de mulher exemplar de fé cristã, que foi capaz do grande feito da libertação, com prudência, energia e coragem necessárias, num processo gradual, sem derramamento de sangue. Até hoje historiadores ficam impactados com a explosão de júbilo de toda a Nação após a assinatura da Lei Áurea. Foram dias festivos intensos, não se tratando apenas Da comemoração de uma lei que há muito se esperava, mas do modo como tudo aconteceu e de quem protagonizou o feito, cujo sentimento de profunda gratidão ficou expresso por muito tempo, até hoje alcança muitos corações brasileiros.
 
BMJ - Existe alguma base de possíveis fieis já dispostos a trabalhar pela causa de beatificação?
 
Prof. Hermes - O movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté, que já vem atuando desde 2005 na defesa da vida, tendo sido bem sucedido, junto com outros grupos pró-vida, na luta contra a legalização do aborto do Brasil (http://juliosevero.wordpress.com/2008/05/11/%E2%80%9Cfoi-uma-vitoria-e-tanto-nunca-vi-isso-acontecer-no-congresso-nacional%E2%80%9D/), especialmente para a rejeição do PL 1135/91, que visava descriminalizar o aborto, até o 9º mês e foi rechaçado pelas Comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça, do Congresso Nacional e, finalmente, arquivado este ano, também responsável pela aprovação da primeira lei orgânica do País a reconhecer o direito a vida desde a concep ção, no texto constitucional local (http://diasimdiatambem.com/2010/04/22/promulgada-lei-organica-pro-vida-em-sao-paulo/). Está agora o Movimento Legislação e Vida trabalhando para incluir na constituição do Estado de São Paulo o direito a vida como primeiro e principal de todos os direitos humanos (http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=283521). Depois de bem sucedidas ações (http://diasimdiatambem.com/2011/08/18/abortistas-sofrem-outra-derrota-historica/), junto aos bispos, religiosos e leigos, em trabalho de comunhão eclesial, coube ao Movimento Legislação e Vida apresentar a Dom Orani o pedido para a abertura do processo de beatificação da Princesa Isabel, com o apoio do nosso bispo da Diocese de Taubaté, Dom Carmo João Rhoden. Nesse sentido, acreditamos que esta nova causa em muito ajudará também a ampliar a sensibilização da defesa da vida no País, pois assim como o movimento abolicionista, o movimento em defesa da vida hoje reforça o pensamento da doutrina social cristã que a Princesa Isabel teve como base para as suas ações pessoais e públicas. Acreditamos que também teremos êxito, com a graça de Deus, nesta iniciativa.
 
BMJ - Está prevista alguma diretriz para a campanha, isto é, algo que se assemelhe como os processos do Beato Imperador Carlos e da Serva de Deus Imperatriz Zita da Áustria ou da Rainha Geovana da Bulgária, que mobilize instituições católicas?
 
Prof. Hermes - Exatamente é o que estamos fazendo, buscando sensibilizar e mobilizar pela causa da beatificação da Princesa Isabel, conversando com bispos, religiosos e leigos, buscando os documentos, os depoimentos, os testemunhos, recortes de jornais, pronunciamentos oficiais, cartas, enfim, tudo o que pode comprovar a santidade da Princesa Isabel. Trata-se de um novo movimento isabelista que agregue os católicos em nosso País, com força unitiva, para a promoção de uma maior unidade da fé em nosso País. A Internet irá nos auxiliar muito nesse sentido, pois desejamos viabilizar um site que reúna todas as informações sobre a Princesa Isabel - documentos escaneados, pdfs, textos, artigos, entrevistas, livros, iconografia, vídeos, enfim, tudo o que pudermos reunir para somar o máximo de informações que contribuam a um melhor conhecimento do quanto a Princesa Isabel fez pelo nosso País, e do quanto a história de sua vida é um exemplo universal.
 
BMJ - Quais são suas perspectivas com relação ao processo de modo geral?
 
Prof. Hermes - As perspectivas são promissoras, e esperamos que com a  visita do papa Bento XVI ao Rio de Janeiro, em 2013, possamos avançar no processo e obter a documentação e o milagre necessário para que o mesmo propósito de Santa Teresinha se repita com a Princesa Isabel, quando a Santa de Lisieux expressou:  "Vou passar meu céu fazendo o bem na terra”. Sentimos vivamente a intercessão das Princesas Isabel, no atual momento da história do Brasil, e penso que a sua influência nos destinos da Nação fará história, pois muito do que ela quis realizar como Imperatriz, ainda está por fazer: o seu projeto de Nação, a partir dos valores humanos e cristãos.

A catolicidade da Princesa Isabel vista por um bisneto

Data: 29 de novembro de 2011 

Horário: 19h00 (recepção) 19h30

(início da palestra)

Local: Golden Tulip Paulista Plaza - 
Alameda Santos 85 Jardins - São Paulo

Veja mapa do local