quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Fwd: Esporte da época dos Romanov e arte contemporânea na Olimpíada em Sochi

Esporte da época dos Romanov e arte contemporânea na Olimpíada em Sochi

Rússia, exposição, história

Foto: RIA Novosti

Ver a bicicleta do último imperador russo Nicolau II e o vestido de equitação de Catarina, a Grande, essas e muitas outras coisas podem ser vistas pelo público na original exposição "Esporte e a família imperial", inaugurada em 21 de dezembro no Museu de Arte de Sochi em antecipação dos Jogos Olímpicos de Inverno. Mais de duas centenas de artefatos raros, incluindo fotografias da família real no passeio da tarde, chegaram à capital Olímpica do Museu Peterhof. Visitantes poderão também sentir o espírito do esporte na exposição "Esportes-arte-Sochi", realizada no mesmo museu. Seus organizadores já a chamaram de "verdadeiro hino da Olimpíada".

O tema dos Romanov e esportes nunca antes tinha sido considerado como uma exposição separada. Embora haja mais que suficiente material para discussão e estudo. Foi justamente graças aos Romanov que na Rússia começaram a se desenvolver tais esportes como o tênis, esgrima, remo, ciclismo. A partir do século XVIII, todos os membros da dinastia real se interessaram em esportes e prestavam muita atenção a sua forma física, diz a diretora-geral do Museu Peterhof Elena Kalnitskaya:

"A princípio eram jogos fora de casa. Depois, sob Pedro, o Grande foi introduzido o treinamento físico obrigatório em todas as escolas militares. No século XIX, na Europa já se desenvolveu o ciclismo, começaram a ser construídas quadras de tênis. Algo veio da Inglaterra, algo da França. E a própria palavra "esporte" vem do francês antigo "de sport". Todos os grandes príncipes se preocupam com sua saúde. As mulheres também se interessavam por tênis, caiaque, croquet. E a caça no século XVIII era considerada um esporte. Muitas imperatrizes russas gostavam de caça, especialmente Anna Ioannovna."

A apaixonada caçadora Anna Ioannovna, que chegou ao poder em 1730 para substituir o neto de Pedro, o Grande, sempre tinha pendurada na parede uma espingarda carregada. Se para sua desgraça algum pássaro passava junto do palácio, a imperatriz atirava sem hesitação. Simplesmente para se divertir. Ela atirava também contra objetos comuns – os visitantes da exposição vão poder avaliar a precisão da imperatriz no exemplo de uma placa perfurada por balas do palácio Monplaisir de Peterhof, um artefato único da coleção. A placa crivada é apenas uma das muitas raridades. Quase 90% da exposição serão mostrados pela primeira vez.

A exposição vizinha "Esporte-arte-Sochi" segue o posterior desenvolvimento da cultura física na Rússia, reunindo mais de 200 obras de autores de todo o país. Evidentemente, o principal tema da exposição são esportes de inverno. Os fãs do lendário jogador de hóquei soviético Valeri Kharlamov certamente se interessarão pelo retrato da vedeta da Supersérie de 1972. Os amantes da arte poderão admirar os patinadores retratados com cera quente sobre tecido. Esta exposição é uma das maiores do mundo em gêneros e tipos de arte representados, nota uma das curadoras da exposição Svetlana Faizulina:

"A exposição é muito diversa. Foi compilado um grande – como nunca – bloco temático de escultura. As belas artes literalmente cantam um hino à Olimpíada. Afinal, aqui estão apresentados não só diferentes gêneros e materiais, mas também vários tipos de arte: desenho, pintura, escultura, artesanato, e assim por diante."

Visitar a exposição está ao alcance de qualquer um – a entrada para todos os museus da cidade durante os Jogos Olímpicos será absolutamente gratuita. É um presente que os organizadores dos Jogos fizeram para seus convidados. E haverá muito para ver. O museu Nikolai Ostrovsky vai apresentar uma exposição de obras do famoso artista Sergei Andriaka, mestre de pintura em aquarela e fundador de sua própria escola. Suas naturezas-mortas e paisagens foram muitas vezes exibidas em grandes museus europeus. Achados arqueológicos únicos podem ser vistos no Museu de História na exposição "Antigo Ouro de Kuban e do Mar Negro", onde o artefato mais antigo tem mais de 5.000 anos.

Fwd: Volta da monarquia é desejada pelo Brasileiro!

O brasileiro deseja a volta da monarquia

Por  em 25/11/2013

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O brasileiro deseja a volta da monarquiaO brasileiro decidiria pela volta da monarquia se pudesse escolher novamente o regime de governo do país, pelo menos este foi o resultado de uma enquete realizada pelo Portal Terra. Após 20 anos do plebiscito que decidiu pelo Republicanismo presidencialista o cidadão brasileiro parece começar a confirmar a ideia de que o plebiscito não demonstrou o verdadeiro desejo da nação. Feito às pressas e com uma campanha confusa e pouco informativa o brasileiro voto no presidencialismo, mas se mostra arrependido.

A pesquisa mostrou que a imensa maioria dos participantes desejaria o retorno do sistema monárquico parlamentarista que vigorou no Brasil entre 1822 e 1889. A mudança de regime no Brasil não foi algo que teve o aval popular, e isso é claro, na realidade nossa república foi implantada com um golpe militar, o primeiro de nossa história.

O Plebiscito de 1993

Após a queda da ditadura em 1985 o Brasil entrou num turbulento debate político sobre que caminho seguir a partir de então, inclusive foi reaceso o debate sobre manter a república ou voltar a ser uma monarquia. Com a constituição de 1988 ficou acertado a realização de um plebiscito popular para que fosse decidido o regime de governo que vigoraria no Brasil a partir de então. Mesmo com este acordo foram realizadas eleições presidenciais, os defensores das diretas já defendiam que era importante estas eleições para assegurar a estabilidade política no Brasil.

Em 1989 foram realizadas então as eleições presidenciais e Fernando Collor foi eleito. Não é preciso lembrar que seu governo foi um fracasso e este sofreu o impeachment em 1992, mas habilmente renuncia em 29 de dezembro do mesmo ano para não ser condenado. Com a saída de Collor assume a presidência da república Itamar Franco.

Logo após tomar posse, Itamar Franco promulga a Lei 8.624 de 04 de fevereiro de 1993 que regulamentava a realização do plebiscito para a escolha do regime de governo. E o que se viu a partir daí foi uma manipulação de datas e campanhas para que o regime republicano não fosse vencido, impedindo assim que o processo fosse democrático de fato.

Estava previsto a realização do plebiscito no dia 7 de setembro, tendo então 7 meses de campanha para a conscientização da população, mas o processo foi arbitrariamente alterado logo após pesquisas iniciais que demonstravam que o regime monárquico possuía cerca de 30% do eleitorado. A data do plebiscito então foi altera para 21 de abril daquele ano, mais de 4 meses antes da data inicial. Por estes e outros acontecimentos o regime entrou para a história como legal mas não legítimo.

A Pesquisa recente

Portal Terra realizou uma enquete em que procurava saber se o povo pudesse votar novamente no regime de governo do país 20 anos após a realização do plebiscito de 1993 se o regime republicano presidencialista se sustentaria, e o resultado foi espantoso, a esmagadora maioria escolheu a Monarquia como regime acompanhado pelo parlamentarismo. Confira o resultado.

- Monarquia – 82 %
- República – 03 %
- Parlamentarismo – 11%
- Presidencialismo – 04%

Total de votos: 7.475 – Link original da pesquisa no Portal Terra

Artigo publicado originalmente no site parceiro Moral Política

*Jhonnatha Fernandes é blogueiro e mora na cidade de Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Inteligência militar no Império Russo

Inteligência militar no Império Russo: antepassado de Lev Tolstoi foi primeiro agente secreto permanente russo

Depois da tomada em julho de 1696 pelo exército russo da fortaleza de Azov, a Rússia começou já em 1697 a lutar por uma saída para o mar Negro. Para atingir esse objetivo, Pedro o Grande decidiu instituir uma embaixada permanente em Istambul. O primeiro embaixador permanente russo no Império Otomano foi o conde Piotr Tolstoi (1645-1729).

Inteligência militar: "um bom agente vale por um exército"

Piotr Tolstoi, o fundador da famosa linhagem Tolstoi, era considerado um dos homens mais instruídos do seu tempo. Na Itália ele estudou Arte Naval. Nos dois anos dessa sua estadia ele aprendeu a língua italiana, estudou navegação e arquitetura naval, conheceu o modo de vida europeu e estabeleceu contatos com alguns estadistas europeus.

Inteligência militar no Império Russo: de Ivan, o Terrível, a Pedro, o Grande

Antes da sua partida para Istambul em 1702, Piotr Tolstoi recebeu as seguintes instruções secretas: "Junto da corte do Sultão desvendar e descrever o estado desse povo, quais são as personalidades governantes, bem como irão agir e com que país em assuntos militares e políticos ou quais seus preparativos secretos para a guerra, tanto no mar como em terra firme."

A presença de um embaixador russo no Império Otomano durante o período que durou a Grande Guerra do Norte (1700-1721), quando operações militares em duas frentes de combate poderiam ter consequências graves, teve uma grande importância para o governo russo. As atenções de Pedro o Grande estavam então fixas no Báltico, ele queria conservar a paz com a Turquia a qualquer preço. Em Istambul ele contava com o patriarca grego ortodoxo de Jerusalém Dositeu, o qual fornecia ao enviado russo à Sublime Porta informações muito valiosas sobre o estado político interno do império e sobre a comunidade ortodoxa armênia. Ele escrevia nas suas comunicações ao chanceler Golovkin: "Estas pessoas trabalham de maneira sincera e sem receios e em troca não me pedem qualquer paga."

Inteligência militar no Império Russo: um sérvio ao serviço da Rússia

Devido à política hostil à Rússia de uma série de países europeus, Piotr Tolstoi não podia perder de vista a atividade de seus embaixadores em Istambul. Com a ajuda da sua rede de agentes, o embaixador russo conseguiu conhecer em 1701 o conteúdo da correspondência de Charles de Ferriol, o embaixador francês em Istambul entre 1699 e 1711, em que o diplomata francês tentava convencer as autoridades turcas da necessidade de se iniciarem ações militares contra a Rússia. O embaixador russo reagiu imediatamente: tendo recorrido a ofertas de dinheiro e presentes, na reunião privada do Sultão venceu o partido da paz, que era habilmente apoiado por Tolstoi. A expedição contra a Rússia não foi organizada.

Contudo, no outono de 1710, Tolstoi obteve uma informação secreta sobre uma reunião a realizar do Grande Divã com o Sultão sobre a ruptura de relações com a Rússia. Enquanto aguardava a sua iminente detenção no Castelo das Sete Torres, onde os turcos encerravam habitualmente os embaixadores estrangeiros como sinal de declaração de guerra, ele conseguiu ludibriar a vigilância dos guardas turcos e enviar uma mensagem secreta ao tsar. Nessa mensagem Tolstoi fornece uma informação detalhada sobre o aparelho administrativo e de governo da Turquia. Ele escreve, nomeadamente, sobre os responsáveis pelas finanças:"Eles não têm propriedades, ou não querem trabalhar, mas sabem roubar e delapidar o tesouro do povo."

Tolstoi informa por diversas vezes sobre a situação difícil da população cristã, a qual além das perseguições religiosas e opressão das autoridades estava submetida a pesados tributos suplementares: "Os povos cristãos sofrem abusos e discriminação com grandes extorsões." Ele descreve como muitas regiões da Bósnia e da Sérvia foram arruinadas e abandonadas pela sua população que se viu reduzida à miséria.

Depois da assinatura da paz com a Turquia em 1714, Tolstoi regressa à Rússia e continua a trabalhar no Colégio dos Negócios Estrangeiros. Ele tinha a confiança especial do tsar, o qual referiu: "Cabeça, se não fosses tão sábia já te tinha mandado cortar há muito tempo." Tolstoi foi um dos fundadores dos serviços secretos de Pedro o Grande (o Preobrazhensky Prikaz e a Chancelaria Privada). Ele participou em negociações diplomáticas, em 1716-1717 acompanhou Pedro I, na qualidade de conselheiro, na sua viagem à Europa: a Amsterdã, Paris e Copenhague. Em 1717, por ordens de Pedro I, executou um esquema operacional para a retirada de Nápoles para a Rússia do príncipe Alexei, filho do tsar, que tinha optado pela via da alta traição. Pelos serviços prestados Piotr Tolstoi foi agraciado com uma propriedade e com a Ordem de Santo André. O processo do príncipe Alexei aproximou-o da imperatriz Catarina, de quem recebeu o título de conde no dia da sua coroação.

Durante o reinado de Catarina I (1725-1727), Tolstoi foi membro do Supremo Conselho Privado. Nas lutas pela sucessão, Tolstoi tomou o partido de Isabel e de Ana, filhas de Pedro o Grande, contra Pedro II. Tendo perdido na contenda, em 1727 o primeiro agente permanente da inteligência russa foi detido juntamente com seu filho e enviado para o Mosteiro Solovetsky, onde morreu em 1729.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A Importância das cerimônias de ingresso nas entidades nobiliárquicas

Las ceremonias de ingreso en las entidades nobiliarias y su benigna influencia sobre el estado noble español.
El estudio del estamento nobiliario entraña dificultades para identificar a las personas que lo forman, consecuencia del desinterés de algunos por formar parte del mismo o incluso por parte de quien ha olvidado su pertenencia. Otra cuestión es la de quienes ingresan en una Orden o Corporación, ya que deben probar su nobleza, ser recibidos en una ceremonia de ingreso, y realizar el juramento. 
 
 
Texto: Íñigo de Nogales-Delicado y Rosal. Magíster en Derecho Nobiliario y Premial, Genealogía y Heráldica por la U.N.E.D. Fotos: Manolo Gómez. 
 
 
Introducción.
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Las ceremonias de ingreso de las entidades nobiliarias revisten una importancia extraordinaria al ser una de las escasas manifestaciones públicas que, como grupo social, lleva acabo el estamento nobiliario en la actualidad. Las ciencias sociales, en especial la antropología cultural y la sociología nos pueden ayudar a analizar y comprender, además, la trascendencia de estas ceremonias tanto para la entidad, como para el estamento y el individuo que ingresa.
 
Estas ceremonias o rituales de ingreso, se pueden estudiar desde dos ópticas diferentes pero complementarias: cómo 'rito de paso' o 'rito de institución'[1]. La primera estudiará como el rito afecta al individuo desde un punto de vista biológico-vital y dentro de su ciclo de vida familiar[2]. En cambio, la segunda, se centrará en la función social del ritual; es decir, en las consecuencias que tiene el rito tanto para el grupo social, como sobre el Individuo[3]. También podría estudiarse la profunda simbología que encierran los ceremoniales y que entronca con el carácter sacramental, religioso y ético de los antiguos rituales caballerescos[4]
 
En el presente artículo nos centraremos en las ceremonias de ingreso como 'ritos de institución', para así evidenciar algunas consecuencias importantes, que el ceremonial de ingreso tiene sobre el estamento nobiliario: la ratificación pública de diferencias sociales, cómo cumplen una función de salvaguarda y reafirmación del propio estamento. También expondremos de dónde nace la legitimación que tiene una entidad, para que todo lo anterior sea efectivo. Todo ello enmarcado en el contexto del variado fenómeno asociativo nobiliario español, con el que tenemos la suerte de contar en la actualidad.
 
Utilizaremos como sinónimos los conceptos de entidades, instituciones y corporaciones, pretendiendo englobar en ellos las diferentes órdenes, maestranzas, cuerpos, cofradías y asociaciones nobiliarias españolas, sin olvidar a las internacionales o extranjeras que gozan con una importante raigambre en España.
 
 
Desarrollo.
           
A través del ritual se reconoce, legitima y proclama la distanciación social preexistente entre aquellos individuos que lo experimentan de los que nunca lo experimentarán[5]Por lo tanto las ceremonias de ingreso expresan públicamente que existe una diferencia previa entre aquellos que han probado su nobleza o hidalguía, según los estatutos de la entidad nobiliaria correspondiente, frente a aquellos otros que no prueban y por lo tanto nunca podrán ingresar. De hecho, con estas ceremonias, se está diferenciando abiertamente, quiénes son los que forman parte del estamento y quiénes no. Esta diferenciación se materializa en una serie de cambios y comportamientos del y hacia el neófito, inequívocos y notorios[6]. Tras la ceremonia, los miembros de la corporación le reconocen como "Hermano de manto" y si no le correspondía previamente, recibe tratamiento de Ilustrísimo Señor o Señora. Oficialmente, pasa a ser 'uno de los nuestros'. Además tiene derecho a utilizar, según cada entidad, hábito o manto, uniforme, insignias y otros distintivos privativos. Por ejemplo, podrá asistir a un acto social con una miniatura de la venera en el chaqué, placa con el frac o uniforme y con el traje de diario portar en el ojal una roseta o distintivo de la corporación. Aparecerá su nombre y tratamiento en un escalafón junto al resto de caballeros y damas. Puede que, además, tenga un lugar reservado en funciones religiosas o incluso en procesiones. En su esquela podrán sus parientes citarle como Caballero o Dama de tal, con su tratamiento correspondiente. Todas estos 'derechos' que adquiere el neófito, se obtienen tras la promesa o jura y, aparte de cohesionar el grupo, enfatizan la diferencia con aquellos que no pueden obtener y disfrutar los citados 'derechos'.
 
En relación con lo anterior nos encontramos con una de las funciones más interesantes que desempeña un ritual, que es el de permitir la entrada sólo a aquellos que pueden y deben ingresar en él, pero también tiene el importante cometido de, en la medida de lo posible, impedir que los individuos salgan del grupo social y por tanto se degraden o pierdan categoría[7]. Habitualmente los autores que, desde dentro del estamento, lamentan el desmembramiento y casi extinción del estado noble, cifran en el abandono o renuncia de su condición a sus propios miembros como la principal causa[8]. Las ceremonias de ingreso ayudan a que esto no suceda, pues además de que el individuo está admitiendo públicamente su pertenencia al estamento, puede llegar incluso a alterar la imagen que tiene de sí mismo, obligándole a adoptar comportamientos que se ajusten a esa nueva imagen[9]. Luego, a través del ritual de ingreso, la entidad ejerce esa función de salvaguarda del estamento nobiliario, manteniendo la categoría, resguardando y custodiando la calidad de sus miembros.
 
Para que el ritual de ingreso tenga validez y por tanto trascendencia para el estamento, la corporación necesita que la ceremonia sea legitimada por una autoridad superior[10]. Si tomamos como ejemplo la ceremonia anual de ingreso en el Real Cuerpo de la Nobleza de Madrid, veremos que quién toma la promesa a los nuevos caballeros y damas es su presidente. Pero por muy reconocida que pueda ser su figura socialmente y principal el papel que ocupe en la ceremonia de ingreso, él no ostenta la expresada autoridad por sí mismo, sino que es otorgada y reconocida por diferentes actores fuera y dentro de la ceremonia. Además de la venia para el acto que se solicita preceptivamente y concede la Casa Real, podemos identificar al menos cinco actores: en primer lugar la junta directiva del Cuerpo, así como el resto de caballeros y damas que lo conforman y le tienen como presidente. En segundo lugar, todas aquellas personalidades, que habiendo aceptado ser, protectores del Real Cuerpo avalan la institución[11]. En tercer lugar, el presidente y también la ceremonia es ratificada por el propio estamento, puesto que asisten como testigos representantes de La Diputación Permanente y Consejo de la Grandeza de España (agrupa a Grandes y Títulos del Reino), órdenes, corporaciones, cofradías y asociaciones nobiliarias. En cuarto lugar, aquellos representantes del Ministerio de Asuntos Exteriores, Órdenes Militares y cuerpo diplomático acreditado ante el Reino de España[12]. En el quinto lugar, se engloban aquellas personas que asisten a la ceremonia como 'público' entre los que se encuentran los familiares y amigos. Por último es importante subrayar el lugar dónde acontece la ceremonia, el Real Monasterio de la Encarnación, que impregna al rito con un aura de solemnidad y en cierta forma legitimador al realizarse la promesa en un recinto sagrado y refrendado posteriormente con una Santa Misa, que es presidida y oficiada por los capellanes del Cuerpo, ambos Monseñores.
 
 
Conclusión
 
En la actualidad acometer un estudio sobre el estamento nobiliario en España, puede entrañar algunas dificultades a la hora de identificar y elegir a los individuos objeto de estudio, puesto que si bien podemos distinguir a algunos de sus miembros por la notoriedad de su linaje o gracias a la dignidad nobiliaria que ostentan, no podemos conocer a priori qué importancia le otorga ese mismo individuo a su condición noble. Incluso se podría dar el caso, de una persona que, a pesar de haber heredado o habérsele concedido esa calidad, no le dé importancia y, en consecuencia, no se considere a sí mismo como parte del estamento. También puede ocurrir todo lo contario, pero sin utilizar alguna técnica cualitativa, es muy difícil que podamos saberlo. Uno de los grandes problemas del estamento nobiliario es que, desde la unificación de estados en el siglo XIX, la nobleza, especialmente la no titulada, ha perdido la memoria histórica y sus individuos han olvidado la pertenencia a una determinada clase social con los derechos, deberes y obligaciones que comportaba formar parte de ella[13]
 
Ahora bien, puesto que el formar parte de una entidad nobiliaria es un acto voluntario, cabe pensar, que el individuo que da este paso, cree y es consciente de su condición noble, ya que debe preparar y someter su expediente de ingreso ante un fiscal o junta de probanza, los cuáles deben juzgar las pruebas plenas o actos positivos de nobleza presentados. Además, una vez aprobado este expediente, la entidad recibe a los neófitos en una ceremonia de ingreso, en el transcurso de la cual se realiza un solemne juramento o promesa de adhesión a la entidad y a un determinado ideario. Se nos facilita así la identificación de aquellos individuos del estamento nobiliario, que además de heredar u obtener esta cualidad, la hacen valer y la proclaman con su ingreso en los referidos cuerpos nobiliarios.
Sin duda, las entidades nobiliarias son ámbitos de trabajo de gran interés para estudiar al estamento nobiliario español en la actualidad. En particular son especialmente relevantes sus ceremonias de ingreso al comprobar que se trata de 'Rituales de Institución', que, legitimados, transcienden a los individuos y los límites de la propia corporación teniendo consecuencias positivas sobre el propio estamento, convirtiéndose estas entidades en garantes del mismo.
 
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1. Martin Segalen. Ritos y rituales contemporáneos. Alianza Editorial, 2011. Pág. 56
2. Martin Segalen. Ritos y rituales contemporáneos. Pág. 41
3. Pierre Bourdieu "Los ritos como actos de institución". Honor y gracia. Coord. por Julián Pitt-Rivers, J. G. Peristiany. Alianza Editorial, 1993. Pág. 113
4. Manuel Fuertes de Gilbert y Rojo, Barón de Gavín. La nobleza corporativa en España: nueve siglos de entidades nobiliarias. Ediciones Hidalguía, 207. Págs. 309-331
5. Pierre Bourdieu "Los ritos como actos de institución". Págs. 113-114
6. Pierre Bourdieu "Los ritos como actos de institución". Págs. 116 y 120
7. Pierre Bourdieu "Los ritos como actos de institución". Pág. 119
8. Fernando García-Mercadal y García-Loygorri, Manuel Fuertes de Gilbert y Rojo, Barón de Gavín. Caballeros del siglo XXI: Vindicación jurídica y sentimental de las corporaciones nobiliarias españolas. Dykinson, 2004. Págs. 17-19 y " Faustino Menéndez Pidal. La nobleza en España ideas, estructuras, historia. Fundación Cultural de la Nobleza Española, 2008. Pags. 329-372.  
9. Pierre Bourdieu "Los ritos como actos de institución". Págs. 116 y 118
10. Pierre Bourdieu "Los ritos como actos de institución". Pág. 122
11. Según el Estado del Real Cuerpo de la Nobleza de Madrid, editado en el año 2009, págs. 21-29, respaldan la institución formando parte de ella: Como Jefe Supremo, S.M. el Rey, son Caballeros Protectores S.A.R. el Príncipe de Asturias y S.A.R. el Infante don Carlos, Duque de Calabria, y como Damas Protectoras, S.M. la Reina, S.M. a Reina de los Belgas, Doña Fabiola de Mora y Aragon, S.A.R. la princesa de Asturias y S.A.R. Doña Ana de Orleáns, Princesa de Francia. Además su Capellán Mayor Perpetuo es su Eminencia Reverendísima el Cardenal Arzobispo de Madrid, Don Antonio María Rouco Varela, su Capellán de Honor el Excmo. Rvdmo. Sr. Monseñor, Don Antonio Astillero Bastante, Deán de la Catedral de Santa María la Real de la Almudena, y su Capellán el Excmo. Rvdmo. Sr. Monseñor, Don Joaquín Martín Abad, Vicario episcopal para la Vida Consagrada. Por último son miembros de Honor Perpetuos el Excmo. Sr. Alcalde del Excelentísimo Ayuntamiento de Madrid y el Excmo. Sr. Ministro de Asuntos Exteriores.
12. En el artículo sobre el juramento y toma de manto de nuevos caballeros y damas del Real Cuerpo de la Nobleza de Madrid publicado en Numen Digital, revista de excelencia: <http://www.numendigital.com/index.php?articulo=633> y en la reseña publicada en el diario ABC de 12 de febrero 2.011, Pág.55, se enumeran las instituciones nobiliarias que estuvieron presentes en la ceremonia a través de sus representantes: Diputación Permanente y Consejo de la Grandeza de España, Real Consejo de las Órdenes Militares, Real y Militar Orden de San Hermenegildo, Soberana Orden de Malta, Orden de Caballería del Santo Sepulcro de Jerusalén, Sacra Orden Militar Constantiniana de San Jorge, Reales Maestranzas de Caballería, Real Cuerpo de la Nobleza de Cataluña, Real Cofradía de Caballeros Cubicularios de Zamora, Ilustre Cabildo de Caballeros y Escuderos de Cuenca, Real Hermandad de Infanzones de Nuestra Señora de la Caridad de Illescas, Real Hermandad del Santo Cáliz de Valencia, Junta de Nobles Linajes de Segovia, Real Asociación de Hidalgos de España y el Ilustre Solar de Tejada.
13. "Bases sociales de la emblemática: aristocracia y nobleza, pasado y presente". Manuel Fuertes de Gilbert y Rojo. Emblemata, revista Aragonesa de emblemática. Vol. XVI. Ed. Instituto 'Fernando el Católico', 2010. Págs. 185-202.
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