sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Fundação Joaquim Nabuco


Já falamos da criação do primeiro hospítal e do primeiro banco no Brasil quando da chegada da Família Real. Agora mais uma notícia: 200 anos da imprensa no Brasil. Vale a pena a leitura. Mauro Demarchi


Eventos marcam 200 anos da imprensa no Brasil
publicado em 07.02.2008

MARIANA BOTTA
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Em meio às comemorações dos 200 anos da chegada da família real ao Brasil, este ano também marca o bicentenário da criação da imprensa no país. A data será tema da Bienal do Livro 2008, que acontece de 14 a 24 de agosto em São Paulo, e motivará uma série de eventos por todo o país.

Como a data é comemorada em junho, quando um dos primeiros jornais, o "Correio Braziliense" completa 200 anos, algumas entidades ainda não têm seu calendário de eventos fechado. É o caso do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, que pretende programar seminários temáticos para o meio do ano, da Biblioteca Nacional, que prioriza a festa em torno do bicentenário da chegada da família real, mas tem planos de realizar uma exposição sobre o surgimento da imprensa, e da Associação Brasileira de Imprensa, que também comemora seu centenário neste ano.

No Nordeste, porém, o clima de festa é mais organizado. A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que fica em Recife (PE), deu início em junho passado ao projeto "200 Anos de Imprensa no Brasil", com ênfase na preservação do acervo.

"Já iniciamos os trabalhos de restauração, digitalização e microfilmagens de mais de cem periódicos raros da região. Começamos com os jornais carnavalescos, como "O Azucrim", de grupos amadores do final do século 19", diz a diretora de documentação da Fundaj, Rita de Cássia Araújo.

História

Mais de 300 anos após o descobrimento, a instalação da Imprensa Régia só foi autorizada quando a corte portuguesa se mudou para o Rio de Janeiro, inaugurada em 13 de maio de 1808. Antes disso, houve, no mínimo, outras duas tentativas de exercício da atividade tipográfica --uma em 1747, no Rio de Janeiro, por Antonio Isidoro da Fonseca, e outra em 1807, em Minas Gerais; há suspeitas de que tenha existido uma imprensa em Pernambuco, também em 1807, trazida pelos holandeses, algo não comprovado por meio de impressos.

O fato é que o primeiro jornal impresso no Brasil, a "Gazeta do Rio de Janeiro", só foi lançado em 10 de setembro de 1808. Antes disso, em 1º de junho do mesmo ano, passou a ser impresso em Londres, o também brasileiro "Correio Braziliense ou Armazém Literário".

"A "Gazeta do Rio de Janeiro" era publicada pela Imprensa Régia e, como tudo o que se publicava, tinha o aval do príncipe regente, depois rei, D. João 6º. Ou seja, passava antes pela censura. Apesar de dedicar seu espaço à divulgação dos decretos e informações relativas ao governo e à família real, também publicava anúncios e notícias", conta Isabel Lustosa, doutora em ciência politica, historiadora da Casa de Rui Barbosa e autora do livro "D. Pedro I" (2006; Cia. das Letras).

Diferentes tanto no formato quanto no conteúdo e periodicidade, o "Correio Braziliense" (mensal, enquanto a "Gazeta" era semanal e, depois, bissemanal) se parecia mais com um livro do que com um jornal, e cada edição tinha cerca de 140 páginas --a "Gazeta" tinha quatro.

"O "Correio" era um jornal que tinha abertamente a intenção de incentivar a independência do Brasil", diz Cybelle de Ipanema, livre-docente e doutora em história pela UFRJ, presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro e primeira secretária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Anúncios

Há cerca de dois anos, a Biblioteca Nacional digitalizou as edições de ambos os jornais, que estão disponíveis para consulta on-line em www.bn.br.

"Esses jornais, tal como a realidade de que tratam, guardam pouca semelhança com o Brasil e a imprensa dos nossos dias", diz Isabel Lustosa.

Para ela, a "Gazeta do Rio de Janeiro" é fonte de valor inestimável, principalmente pelos anúncios que publicava. "Ali se pode obter muitas informações sobre os usos e costumes brasileiros naquele período."

Quanto ao "Correio Braziliense", a pesquisadora afirma que a importância é ainda maior: "ele se prende não só à nossa história, mas também às grandes transformações que o mundo estava vivendo. Quem se interessa pelo processo de independência das colônias espanholas, por exemplo, encontra ali vasto material. A própria evolução dos acontecimentos que antecederam e sucederam à derrocada de Napoleão está ali minuciosamente documentada", diz.


Fundação Joaquim Nabuco.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Uma Convocação a Todos os Monarquistas!


Acabamos de receber do Sr. Embaixador Raul Fernando Leite Ribeiro, Coordenador das Relações Internacionais e do Cerimonial Gabinete do Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, o convite para participarmos das comemorações dos 200 anos da transmigração da Família Real Portuguesa. Logo abaixo das palavras de Sandra Ramon, convocando todos os Monarquistas, temos o texto do email do Sr. Embaixador. Vamos todos lá, assistir à bela cerimônia. Mauro Demarchi


POUCAS PALAVRAS


Aos brasileiros que amam nosso Brasil!

Precisamos construir uma nova nação: digna, séria, próspera, respeitável. Um trabalho novo e idéias novas são sinônimo de futuro.

Todos nós, que já passamos por diversas fases, desejamos ter tido antes, a oportunidade que temos hoje.

Mas vivemos sob uma ditadura militar e não tínhamos acesso sequer à informação: a censura à época era muito forte. Qualquer um e todos eram suspeitos de tudo, de qualquer coisa.

Foram tempos difíceis. Nunca proponho que o apaguemos das páginas de nossa História, posto que é Memória.

E o que faltou a nossa Pátria, foi exatamente isto: Memória.

Memória que foi apagada com o uso da força, do golpe, da traição, da manipulação e, num crescente, entre golpres e contra golpes, ditaduras, renúncias, suicídio, mortes inexplicáveis, chegamos ao Brasil de hoje.

O grande recurso que desde a chegada de D. João ao Brasil, no Período Colonial e no advento do Império com D.Pedro I e D.Pedro II, foram a CULTURA, EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO.

Esses três fatores combinados, permitem o que podemos chamar de formação de consciência cidadã.

Aqueles que, por ignorarem a verdade histórica, jogam pedra nestes três grandes homens, de quem devemos aproximar pela bravura, nobreza e amor a este solo brasileiro, a Princesa Isabel, mostram que tiveram suas mentes congeladas pelo cada vez mais inviável sistema educacional brasileiro e, tanto assim, que entendem escolarização como sinônimo de educação.

A educação não se adquire nos bancos escolares. Antes, na participação harmoniosa da família, sociedade, religião, e, nestes tempos velozes, pelos veículos de comunicação de massa.

Este foi talvez, o grande equívoco da república. Brincaram de criar escolas e copiar modelos educacionais de outros países.

Aqui, a grande diferença entre estes e nossos amados João, Pedro I, Pedro II, Isabel.

Lá, no distante século XIX, anteviram a importância da cultura, da formação, da liberdade.
Estão aí suas obras. Citá-las? Podemos. Todas? Não. Porque até o momento, não temos inventado um sistema que permita rastrear, dia a dia, a criação de intituições que permanecem há dois séculos, pois perderíamos a produção, a conseqüência, o fruto que gerou sementes e sementes que inspiraram e permitiram outras obras.

Quem poderá dizer de cada médico formado na primeira Faculdade de Medicina? É apenas um exemplo.

Mas temos aí a Imprensa Régia, fomos o segundo país do mundo a imprimir seu próprio selo, o sistema de telégrafo, que poucos sabem, mas foi o grande aliado da Princesa Isabel naquele longínquo 13 de Maio: graças ao telégrafo, a notícia chegou ao mesmo tempo em todo o país, permitindo a festa da raça negra e, impedindo os latifundiários escravocratas de organizarem uma reação. A Biblioteca Nacional, a Escola de Belas Artes, a Faculdade de Direito. Banco do Brasil e Casa da Moeda. Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Para não estender muito, o Colégio D.Pedro II. Ambição de gerações fazer parte do corpo de alunos, até hoje, uma referência dentre as escolas no país.

Eis que 200 anos depois, aquela semente deixada em solo infértil pela ação republicana, parece querer apontar um verde. Verde folha. Verde esperança. Verde Bragança.

Esta é a nossa oportunidade.

Reguem este solo, protejam esta semente que brota, espalhem a notícia.

Abram a guarda. Baixem as armas. Ergam a cabeça. Tragam nas mãos as cores monárquicas e o branco da paz. Dispam-se desta carcaça republicana que violenta. Será o sorriso, o conhecimento, a honra e a ética, que lhes emprestará sabedoria no cumprimento do dever que a Pátria lhes impõe.

MONARQUISTAS EM AÇÃO!

Sandra Ramon Franco


Palavras do Embaixador:


E não se esqueçam de estar todos às 09,00 horas de 07 de março, no Palácio da Cidade (Rua São Clemente, 360, Botafogo), quando, ao som da banda dos Fuzileiros Navais, hastearemos as bandeiras não só do Brasil e de Portugal, mas ainda do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve.

 

Abraço em todos do

 

Embaixador Raul Fernando Leite Ribeiro

Coordenador das Relações Internacionais e do Cerimonial

Gabinete do Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro

História - A carta da Princesa e a reação dos escravocratas.


A manutenção da escravidão no Brasil, bem ao contrário do que as novelinhas “históricas” da Rede Globo apresentam, era desejo dos republicanos e militares. Esta notícia publicada no jornal “Correio Brasiliense” em 2006 é muito atual. Participar desta revisão histórica, é dever de todos os monarquistas e um objetivo do “Monarquia em Ação”. Quer dar seu contributo? Junte-se a nós. Mauro Demarchi 


A carta da princesa

Jornal Correio Braziliense
coluna Opinião
15/05/2006
Sueli Carneiro
Doutora em educação pela USP e diretora do Geledés - Instituto da Mulher Negra
A televisão, em 30 de abril, divulgou o conteúdo de uma carta da princesa Isabel datada de 11 de agosto de 1889 endereçada ao visconde de Santa Victória. Nela se revelam os seus esforços e de seu pai, o imperador D. Pedro II, para prover condições dignas de sobrevivência e inserção da população ex-escrava na sociedade brasileira. O texto da princesa defende a indenização aos ex-escravos, a constituição de um fundo para a compra e doação de terras que lhes permitissem sobreviver e se inserir socialmente pela exploração agrária e pecuniária sustentada.
Mas há coisas que só podem ocorrer no Brasil. A revelação de um documento histórico cujo conteúdo é de grande importância para milhões de brasileiros descendentes de escravos reduziu-se, na matéria produzida pela TV, a mera reatualização dos nossos antigos manuais didáticos que eram prenhes na reiteração do caráter benevolente da princesa por decretar a Abolição. Mais que isso, o documento histórico foi utilizado como oportunidade adicional de crítica velada aos movimentos negros nacionais que ousaram questionar o alcance libertário da lei assinada em 13 de maio. Os questionamentos desses movimentos resultaram na troca da princesa Isabel, como símbolo de libertação da escravidão, pela figura do líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi dos Palmares, em clara sinalização de que a Abolição permanecia projeto inacabado a despeito das intenções da princesa, o que a sua carta revelada apenas referenda.
Longe de servir para iluminar as contradições do presente, o documento histórico é utilizado para conter a própria marcha da história. Ao focar na redenção da imagem da princesa e na sutil condenação dos sujeitos políticos que representam, no presente, a continuidade histórica da luta por libertação tem por sentido deslegitimar as suas reivindicações, as suas falas.
A importância do documento para a tevê e para os estudiosos escolhidos para comentá-lo está nos gestos e intenções generosas da princesa e não no projeto que seu conteúdo aponta. A conseqüência da matéria é sugerir aos espectadores e, em especial, aos movimentos negros, a reposição do reconhecimento histórico da figura benevolente da princesa, agora acrescido por suas propostas indenizatórias aos ex-escravos. Porém, sobre as indenizações que são o conteúdo essencial da carta, a matéria se resume a constatar que elas jamais foram feitas.
No entanto, o melhor reconhecimento a se fazer à princesa seria pautar a discussão sobre o seu sonho malogrado de provimento aos ex-escravos de condições para sobreviverem e prosperar dignamente na sociedade brasileira - carência de que padecem ainda hoje os seus descendentes -, dando inclusive absoluta atualidade à carta. Porém, são precisamente editoriais raivosos de jornais contra as políticas para a redução das desigualdades raciais que conspiram contra os ideais defendidos pela princesa e enaltecidos na matéria.
Compreende-se, então, o foco dado ao documento.
Entre as personalidades convidadas para comentar o documento, houve quem destacasse o fato de que a classe política da época impediu a realização dos desejos emancipatórios da princesa em relação aos ex-escravos. Parece que aquelas forças políticas que impediram o progresso das idéias generosas da princesa continuam inspirando as classes políticas do presente. Estamos diante do mesmo impasse. Os esforços para impedir essa segunda Abolição se materializam, entre outros fatos, na resistência do Congresso em aprovar o Estatuto da Igualdade Racial, que já se encontra desfigurado de sua formulação original. O texto previa a formação de um fundo que daria sustentabilidade a um amplo programa de democratização do acesso dos afrodescendentes às oportunidades sociais, sem o qual o estatuto perde eficácia. No entanto, nem mesmo assim ele pôde ser aprovado.
A necessidade de formação de um fundo para sustentar o projeto político da princesa e os esforços empreendidos pelo imperador para viabilizá-lo aparecem assim descritos na carta:

A CARTA DA PRINCESA

"Fui informada por papai que me collocou a par da intenção e do envio dos fundos de seo Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do anno passado, e o sigilo que o Snr. pidio ao prezidente do gabinete para não provocar maior reacção violenta dos escravocratas. Deus nos proteja si os escravocratas e os militares saibam deste nosso negócio pois seria o fim do actual governo e mesmo do Império e da caza de Bragança no Brazil. (...) Com os fundos doados pelo Snr. teremos oportunidade de collocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas proprias trabalhando na agricultura e na pecuária e dellas tirando seos proprios proventos. Fiquei mais sentida ao saber por papai que esta doação significou mais de 2/3 da venda dos seos bens, o que demonstra o amor devotado do Snr. pelo Brazil. Deus proteja o Snr. e todo a sua família para sempre!"
Três meses após a data dessa carta, a princesa e o Imperador foram depostos e desconhece-se o destinos dos tais fundos. É o Brasil, desde sempre.


Brturbo.com.br - (sem assunto).

História - Lei Áurea e os jornais da época.

A Lei Áurea
O original da Lei Áurea e seu texto

“A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:

Art. 1º – É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.

Art. 2º – Revogam-se as disposições em contrário.”

---------------------------------
* O QUE DISSERAM OS JORNAIS

Veja como a imprensa da antiga capital federal, o Rio de Janeiro, noticiou a assinatura da Lei Áurea e a reação da população:
"Está extinta a escravidão no Brasil. Desde ontem, 13 de maio de 1888, entramos para a comunhão dos povos livres. Está apagada a nódoa da nossa pátria. Já não fazemos exceção no mundo."
O Paiz, 14 de maio de 1888
"Em todos os pontos do império repercutiu agradavelmente a notícia da promulgação e sanção da lei que extingüiu no Brasil a escravidão. Durante a tarde e a noite de ontem fomos obsequiados com telegramas de congratulações em número avultado e é com prazer que publicamos todas essas felicitações, que exprimem o júbilo nacional pela áurea lei que destruiu os velhos moldes da sociedade brasileira e passou a ser a página mais gloriosa da legislação pátria."
O Paiz, 14 de maio de 1888
"O povo que se aglomerava em frente ao Paço, ao saber que já estava sancionada a grande Lei, chamou Sua Alteza, que aparecendo à janela, foi saudada por estrepitosos 'vivas'."
Gazeta da Tarde, 15 de maio de 1888
"Continuaram ontem os festejos em regozijo pela passagem da Lei Áurea da extinção da escravidão. A rua do Ouvidor esteve cheia de povo todo o dia e durante uma grande parte da noite, sendo quase impossível transitar-se por esta rua. Passaram [...] os estudantes da Escola Politécnica, os empregados da câmara municipal e o Club Abrahão Lincoln, composto de empregados da estrada de ferro D. Pedro II, todos acompanhados de bandas de música."
O Paiz, 15 de maio de 1888
"Geral o contentamento, enfim, transbordando da grande alma popular, que andava cantando a epopéia homérica da redenção."
Cidade do Rio, 18 de maio de 1888

 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Você Sabia?

 D.JOAOVI-FUNDADOR DE UBERABA-2/3/1820

“Hei por bem que se estabeleça uma freguesia no distrito de Uberaba até a

confluência do rio Paranaíba e rio Pardo, com a invocação de Santo Antônio e São

Sebastião de Uberaba, dividindo-se com a Capela de N. S. Do Monte do Carmo, e com

a Freguesia do Desemboque, por onde mais conveniente for. Faça executar com os

despachos necessários”. Palácio do Rio de Janeiro em 02 de março de 1820. Com a

rubrica de Sua Majestade; Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Rei de

Portugal e Imperador Titular do Brasil; João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís

António Domingos Rafael de Bragança (Dom João VI).

("UM CAUSO DAS AGUAS CLARAS E BRILHANTES"/HOMENAGEM A CIDADE DE UBERABA EM SEU ANIVERSARIO-JORNAL DA MANHÃ 02/03/2007).

Você sabia?

Você sabia?

Iniciamos hoje um novo quadro em nosso blog: Você Sabia? Quem produzirá matéria para esse bloco é Sandra Ramon.


 VOCÊ SABIA?
No pleito presidencial de 1902, vencido por Rodrigues Alves, assombrou a República uma mulher – a primeira a receber votos para o cargo – ao abiscoitar a 51ª colocação no cômputo geral das urnas. A Princesa Isabel !!!

Quatro anos depois, em 1906, a impávida presidenciável melhorou seu desempenho, chegando na 28ª posição, derrotada agora pelo mineiro Afonso Pena. Seu nome:

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, mais conhecida como PRINCESA ISABEL, A REDENTORA!


Você sabia ?

Se tivermos em conta a população com direito a votos à época, poderemos observar que o negro não votava, o analfabeto não votava, a mulher não votava.

A condicional "SE", não existe em História... Mas imaginar nós podemos.

Com os excluídos votando, Isabel seria a Primeira Presidente da História do Brasil...ou será que do mundo?

Vamos verificar?

Monarquia em Ação no Orkut


Monarquia em Ação no Orkut


Por Sandra Ramon


Rio Homenageia D.Carlota Joaquina
Foto Eliane Carvalho / Prefeitura do Rio


Rio - Inaugurada a placa que dá nome de “Rainha Carlota Joaquina” ao viaduto sobre a Avenida das Nações Unidas, próximo ao Túnel do Pasmado, em Botafogo, Zona Sul.

Segundo Cesar Maia, a homenagem à rainha é mais do que justa:

"Estamos comemorando um momento importante de resgate da nossa história. Carlota Joaquina foi uma mulher de forte presença no cenário político do Brasil, e, com certeza, a mais importante personagem que o Rio de Janeiro recebeu nos últimos tempos, já que escolheu a cidade para passar temporadas (ela solicitou a construção de um solar na Praia de Botafogo)", afirmou o Prefeito, que também destacou a importância da chegada da Família Real ao Brasil. "A vinda dos portugueses foi responsável pela transformação do Rio, tanto do ponto de vista urbano como político. Na época em que a Família Real chegou ao Rio de Janeiro, tínhamos um porto, que, protegido por suas condições naturais, era praticamente um areal".


 

Imperial Acervo Histórico Brasileiro - Monarquia


Acaba de ser lançado o Imperial Acervo Histórico Brasileiro, fruto dos estudos e das pesquisas de um universitário do Ceará. A ele passo a palavras:
EntradaNosso objetivo
Todos os anos, centenas de milhares de estudantes brasileiros aprendem que no período entre 1822 e 1889 o Brasil foi um país atrasado, agrário, endividado, corrupto, escravocrata e imperialista.
O objetivo deste website não é reescrever a história, pelo contrário, é poder finalmente contá-la sem paixão, doutrinação ou ideologia.
Aqui você encontrará não só o lado positivo do período monárquico de nosso país, mas também o negativo, sem jamais privilegiar um lado ou outro.
Todos os nossos textos, sem exceção, estão devidamente acompanhados de sua fonte bibliográfica para caso o leitor tenha interesse em expandir o seu conhecimento possa o fazer sem um maior esforço.
No entanto, recomendamos que não se assuma o que há aqui escrito como verdade dogmática e sim, que se busque aprender mais sobre o tema em livros especializados para que se possa ter uma noção clara deste período.

O autor

Eu me chamo Licínio Miranda e sou estudante concludente do curso de Direito na Universidade de Fortaleza no estado do Ceará. Tenho 23 anos e o meu interesse pelo Brasil império surgiu no meu último ano de colégio, já em preparação para o vestibular, após lera obra 'Maldita Guerra' de Francisco Doratioto, que me fez perceber pela primeira vez o tamanho da minha ignorância e do quanto eu estava enganado a respeito da história do Brasil.
Não acredito que eu consiga recriar nos visitantes deste website tal sensação que tive após a leitura deste livro que trata da Guerra do Paraguai. Sou forçado a reconhecer que não possuo nem a experiência e muito menos o conhecimento do autor, mas espero ao menos fazê-los se interessarem mais sobre o assunto.
Para quem desejar trocar idéias ou perguntar algo, basta me enviar um e-mail (é só clicar na seção "Contato" no canto direito) e terei o maior prazer em respondê-lo(a).

Imperial Acervo Histórico Brasileiro - Monarquia.

Notícias: Moedas comemorativas serão lançadas em junho - 22/02/2008


Moedas comemorativas serão lançadas em junho


SÃO PAULO, 22 de fevereiro de 2008 - O Banco Central (BC) vai lançar moedas comemorativas ao bicentenário da chegada da Corte portuguesa ao Brasil e ao centenário do início da imigração japonesa ao País. A tiragem inicial será de 2 mil exemplares para cada moeda, podendo chegar a 10 mil. A moeda comemorativa à chegada da Corte terá valor de face de R$ 5 e será confeccionada em prata. A moeda alusiva à imigração japonesa terá valor de face de R$ 2 e será cunhada em cuproníquel.

De acordo com o BC, o lançamento das moedas, aprovado pelo Conselho Monetário Nacional, ocorrerá em junho. A moeda comemorativa do bicentenário da chegada da corte portuguesa ao Brasil será lançada no dia 13 de junho, no Rio de Janeiro, e a do centenário da imigração japonesa no dia 18 de junho, em São Paulo.

"As emissões fazem parte do programa de moedas comemorativas do BC, cujo principal objetivo é difundir a história e a identidade nacional e afirmar a imagem do Brasil, consolidando seu padrão monetário no País e no exterior", informou o BC em nota.

A família real chegou no Rio de Janeiro no dia 7 de março de 1808. O príncipe regente d. João e a Família Real portuguesa deixaram para trás uma Europa conturbada pelas guerras napoleônicas. O BC lembra que a presença da corte portuguesa desencadeou mudanças como a abertura dos portos brasileiros às nações amigas, a transformação arquitetônica e urbanística da cidade do Rio de Janeiro; e o desenvolvimento cultural e artístico representado pela criação de bibliotecas e museus.

A moeda registra o evento simbólico do desembarque da Família Real no Rio de Janeiro, na atual Praça XV, e presta homenagem a cinco instituições fundadas por D. João: a Justiça Militar da União (criada como "Conselho Supremo Militar e de Justiça"); o Jardim Botânico do Rio de Janeiro ("Jardim da Aclimação"); a Imprensa Nacional ("Impressão Régia"); o Ministério da Fazenda ("Erário Régio"); e o Banco do Brasil.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Reinaugurado Monumento histórico!


Monumento histórico que marcou a abertura dos portos às nações amigas é reinaugurado no Rio de Janeiro.



Do Rio de Janeiro
Fabíola Ortiz
23/02/08

Após sete meses de restauração, o monumento que comemora a abertura dos portos, localizado no Largo do Russel, na Glória, foi reinaugurado neste sábado (23).

Segundo o secretário municipal das Culturas do Rio de Janeiro, Ricardo Macieira, o monumento é um dos mais importantes do Brasil, ele foi construído no ano de 1908, na época para celebrar o centenário do decreto régio que abria os portos às nações amigas.

“O monumento é extremamente importante. No dia 28 de janeiro de 1808, se deu o decreto da abertura dos portos às nações amigas, é uma atitude com reflexos que são percebidos até o dia de hoje. Para nós, hoje é uma alegria ter esse monumento belíssimo que foi inaugurado em 1908 por conta do centenário da abertura dos portos, e nós hoje estamos aqui comemorando os 200 anos”, disse Macieira.

O monumento histórico foi projetado pelo escultor francês Eugene Benet, e é composto por duas escadarias que dão acesso à rua do Russel, com luminárias antigas e figuras femininas de três metros de altura, inspiradas nas estátuas da Praça da Concórdia em Paris, que simbolizam o comércio e a navegação.

Para o coordenador geral da Comissão Dom João VI, o embaixador Alberto da Costa e Silva, muitos cariocas passam pelo local mas não sabem da importância do monumento. “É, sobretudo, um monumento que marca o momento exato em que o Brasil deixa de ser uma Colônia isolada nos trópicos e se abre ao convívio internacional”.

A restauração que contou com um investimento de R$420 mil, recuperou o piso com a colocação de pedra portuguesa, os postes de iluminação, as estátuas, a estrutura da laje que suporta o monumento e limpou as escadarias.

André Zambelli, secretário do Patrimônio Cultural, relembrou que antes da restauração “o monumento estava pichado, as luminárias quebradas, o sistema elétrico não funcionava, e estátuas feitas em bronze precisavam de limpeza”. Além do piso que foi recuperado, a área verde no entorno também foi reconstituída.

O Rio de Janeiro investiu cerca de R$20 milhões para recuperar todas as obras que fazem parte do calendário de comemorações do bicentenário da chegada da Família Real ao Brasil – como o Outeiro da Glória, o palacete da Princesa Isabel em Santa Cruz que fez parte da fazenda dos Jesuítas, e o convento de Santa Tereza.

No próximo dia 8 de março, outra obra restaurada será entregue aos cariocas, a igreja Nossa Senhora do Carmo, a antiga Sé, no centro do Rio será reaberta ao público.

A banda de Fuzileiros Navais também esteve presente na reinaugauração. Em 1808, os Fuzileiros acompanharam a vinda da corte portuguesa ao Brasil.

O evento também marcou o lançamento do selo comemorativo do bicentenário.

Ao longo de 2008, museus e instituições criados a partir da chegada da corte portuguesa planejam vários eventos pela cidade, como exposições, seminários, concursos e premiações

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O Senado e o Império Brasileiro - Parte 1


O Senado e o Império Brasileiro


Ampla participação político-institucional marca atuação do Senado. Os 180 últimos anos da história do país não podem ser contados sem que se mencione o Senado, aberto pelo imperador Dom Pedro I em 6 de maio de 1826.


O Senado e a Câmara dos Deputados foram criados em 1824, com a outorga da Constituição Política do Império do Brasil, que definia o Brasil como monarquia centralista e hereditária. Nascido dentro de um modelo semelhante aos da tradição greco-romana, inspirado na Câmara dos Lordes da Grã-Bretanha e influenciado pela doutrina francesa de divisão e harmonia dos poderes do Estado e dos direitos dos cidadãos, o Senado começou a funcionar em maio de 1826, com a eleição de sua primeira Mesa Diretora.

Cinqüenta senadores representavam as províncias em quantidade proporcional à população. Para ocupar o cargo de senador, vitalício e privativo de brasileiros natos ou naturalizados, eram exigidos idade mínima de 40 anos e rendimento anual mínimo de oitocentos mil réis.

À época, o Imperador escolhia um senador de cada uma das listas tríplices, formadas por candidatos eleitos nas províncias por votação indireta e majoritária. À exceção dos príncipes da Casa Imperial - senadores por direito que tomavam assento aos 25 anos de idade -, os senadores eram escolhidos com base na experiência de administração pública ou serviços prestados à Pátria (magistrados, militares, eclesiásticos, médicos), bem como entre cidadãos mais antigos e ilustrados.

Durante o Império, o Senado atuou de forma decisiva em vários momentos da vida nacional. Entre eles, destaca-se “a maioridade de Dom Pedro II”, determinada pelos senadores em julho de 1840, ao proclamá-lo imperador aos 14 anos.

No Segundo Reinado, o Senado ganhou maior distinção. O próprio Dom Pedro II dizia que, se não fosse monarca, gostaria de ser senador. Marcante foi a adoção da prática parlamentarista inglesa, em 1847, com a criação do cargo de presidente do Conselho de Ministros – equivalente a primeiro-ministro –, indicado pelo Imperador com a atribuição de formar o Ministério a ser submetido à Câmara dos Deputados. O cargo foi quase sempre ocupado por senadores.

Em 1852, foi proposta no Senado a criação de nova Capital do Império no centro do Brasil. A transferência da sede do poder central – idéia originalmente defendida por José Bonifácio em 1823 – só viria a ocorrer cem anos depois, com a fundação da cidade de Brasília em 21 de abril de 1960.
A experiência política do Senado do Império destacou-se ainda em questões de relacionamento externo. Ela foi fundamental na solução da longa desavença entre o Brasil e a Inglaterra acerca da questão do tráfico de escravos, nas disputas contra o Uruguai e a Argentina e na assinatura com o Paraguai, em 1844, de um tratado de aliança, comércio, navegação e limites.

O fim da escravatura foi decidido no Senado, com a libertação incondicional e imediata dos escravos. Estimulado pela força do movimento abolicionista e pelo chefe do Gabinete Ministerial, Senador João Alfredo Corrêa de Oliveira, o projeto de lei da Abolição tramitou aceleradamente, sendo a Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888. A independência dos senadores vitalícios, em relação a qualquer interesse eleitoral, propiciou a extinção pacífica do modelo escravocrata.

À mesma época, culminava o movimento abolicionista e ocorriam reformas eleitorais, estendendo a elegibilidade e o direito de voto dos brasileiros – inclusive os não-católicos e os escravos libertos.
Em 15 de novembro de 1889, foi proclamada a República pelo Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, instaurando-se no país um novo sistema de governo, que pôs fim ao período do Brasil Imperial. Um movimento desencadeado a partir das campanhas republicana e abolicionista entre as camadas urbanas, os fazendeiros paulistas e o Exército precipitou o golpe militar que proclamou a República.  (Continua no próximo artigo)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Entrevista: Mauro Demarchi - Coordenação Monarquia em Ação


M.E.A – Qual o seu papel, dentro do Monarquia em Ação?

MFD – Coordenador. O movimento Monarquia em Ação nasceu a partir das conversas e reflexões de um grupo de amigos, reunidos através da internet. Juntamente com Sandra Franco, professora universitária no Rio de Janeiro, André Fernando Garcia, advogado residente em Ponta Grossa, e um universitário de Goiás, António Gueiros, iniciei este movimento. Em seguida veio nos ajudar na coordenação um promotor público pernambucano, Quintino Geraldo Diniz de Melo, cujo pseudônimo é "Miguel Saquarema".


M.E.A – Como avalia os primeiros passos desse movimento recém-criado?

MFD – As adesões são muitas e vão se somando dia a dia. Contamos em nossos quadros com gente ativa, dos mais variados perfis, mas que admira a monarquia e luta pela sua restauração. Muitos deles são veteranos monarquistas que desde a época do plebiscito têm prestado relevantes serviços. E também há muitos jovens que acabaram de tomar contato com a causa monárquica. Para estes, com certeza o movimento será uma escola de formação; para aqueles, representa a continuidade e fidelidade na militância. Graças ao impulso dos veteranos, o movimento em poucos dias se tornou uma realidade, surgindo com muito dinamismo e força de expansão. Mas é evidente que a participação dos jovens lhe trará muito mais garra e vida.


M.E.A – Qual o campo de ação do movimento?

MFD – Estamos com duas linhas principais de ação atualmente. Este é o nosso começo: o lançamento do blog e a criação de uma comunidade e fórum no Orkut. Para o futuro, vamos estudar a conveniência do lançamento de um site. Além disso, estamos desenvolvendo outras iniciativas de caráter não-virtual, que serão divulgadas pelo blog e comunidade na ocasião oportuna.


M.E.A – O blog criado tem o objetivo de tomar a liderança e se tornar o quartel-general do movimento monárquico?

MFD – De jeito nenhum. Seria uma tolice pensar uma coisa dessas! Só quem desconhece a estruturação e a vida interna do movimento monárquico poderia ter esse objetivo. Como órgão de coordenação superior do movimento monárquico já existe há muito tempo o Pró-Monarquia, que atua sob comando direto da Família Imperial. Para os demais movimentos, os Círculos Monárquicos, por exemplo, vigora o princípio da subsidiariedade, que lhes assegura autonomia para realizarem os seus fins, sempre em consonância com o Pró-Monarquia e a Casa Imperial. Face a essa estrutura funcional e orgânica, a meu ver, não há necessidade de se criar uma federação das associações monárquicas.


M.E.A – Como se dará o relacionamento com os outros movimentos monárquicos?

MFD – Temos a intenção de estabelecer com todos um relacionamento harmônico e cordial. Não queremos competir, viemos para somar. Não nascemos para atrofiar nenhum deles. Nem queremos crescer à custa da diminuição de qualquer segmento monarquista. Nossa atuação visa preencher uma lacuna, vamos agir sobretudo na internet. Os blogs e as comunidades do Orkut têm um dinamismo - na divulgação de eventos, entrevistas, artigos etc., - que não é próprio a um Círculo Monárquico ou a um boletim monárquico. Qualquer movimento monarquista pode se servir do Monarquia em Ação para divulgar, através da internet, por meio de nosso blog e comunidade, a sua própria atuação. Somos o retrato on line da atividade de todos os movimentos monárquicos brasileiros.


M.E.A – Mas como se dará o relacionamento com grupos monárquicos que não reconhecem a legitimidade de D. Luiz?

MFD – Não sei. Não depende só de nós. Relacionamento supõe pelo menos dois. Posso falar pelo nosso lado. De nossa parte, será um relacionamento cortês, procurando a conjunção de esforços. O ramo de Petrópolis, como é conhecido, possui uma inegável presença na vida social nacional. E no exterior, possui vínculos familiares com a casa real francesa e espanhola. E com tantas outras casas da alta nobreza. São recursos valiosos que poderiam servir à causa monárquica no Brasil. E estão inativos. Mas somos transparentes e sinceros: o direito fala a favor da legitimidade de D. Luiz. E é de bom senso (de justiça, também, é claro) não começar por uma ilegitimidade uma ação, cujo objetivo é sanear a vida política do Brasil. Seria incoerente. O que mais conviria aos anseios do Brasil profundo, seria a convergência dos dois ramos, sem prejuízo do direito e da justiça. Que essa situação anômala cessasse, isso só favoreceria a consecução dos objetivos monárquicos. E tenho confiança que um dia cessará, pois estou certo que minha opinião é compartilhada pela compacta maioria dos monarquistas no Brasil.


M.E.A – São reais as possibilidades de uma restauração monárquica no Brasil?

MFD – A restauração não depende da contratação de um marqueteiro mágico, que faça uma maquiagem em nossos Príncipes, modelando um discurso populista, um new look mais a gosto da mídia. A mudança não se faz a golpes de publicidade. Sem dúvida ela foi importante, desde a ascensão de Hitler até a reeleição de nosso atual presidente. Mas há uma coisa muito misteriosa na opinião pública, à maneira de um pêndulo num relógio, que é o fator que considero decisivo. O pêndulo está num lado e, ao se movimentar, um dinamismo o impulsiona para o lado oposto. Assim é a opinião pública. Ela se encontra no momento artificialmente anestesiada, abúlica. Sente-se ameaçada pelo caos e a insegurança, e envergonhada pelos ininterruptos escândalos nas esferas oficiais do Poder republicano. Em certo momento ela vai despertar, e se sentirá atraída pela estabilidade, segurança e ordem, proporcionadas pelo regime monárquico. Será então a hora da restauração da monarquia no Brasil. Tonificar as apetências profundas, robustecer as esperanças, contribuir para a criação desse clima, tarefas que reputo de extrema importância, são o objetivo do movimento Monarquia em Ação. E então a monarquia poderá voltar nos braços do povo. No presente quadro, não vislumbro outra possibilidade.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Radar da mídia: Dom Luiz, Príncipe com estatura de estadista


A Folha de S. Paulo (25.nov.2007), em uma reportagem de Sylvia Colombo, de quase uma página do Caderno Mais!, dedicado à vinda da Família Real portuguesa para o Brasil, entrevistou o Príncipe, Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil:


"Aqui nós temos uma missão"


Numa grande, porém discreta, casa no bairro do Pacaembu (São Paulo), onde funciona a sede da Casa Imperial do Brasil, dom Luiz de Orleans e Bragança, 69, viu no episódio um bom sinal.

"A repercussão mundial da fala do rei mostra o carisma que a monarquia ainda possui. Chávez é um demagogo mal-educado, mas, quando apareceu o rei da Espanha, com séculos de tradição atrás de si, ele se sentiu inibido", disse, em entrevista à Folha, na sala decorada com brasões do império.

Dom Luiz é bisneto da princesa Isabel e trineto de dom Pedro 2º. Nascido na França, para onde a família real foi obrigada a se exilar por ter sido banida pela República, veio ao Brasil pela primeira vez quando já tinha 7 anos.

"Lembro-me como se fosse hoje. Foi durante a Segunda Guerra Mundial, e me recordo das pessoas no navio comemorando quando o Japão pediu a paz. Quando cheguei ao Rio, havia uma névoa, e só se podiam ver nesgas do Pão de Açúcar. E eu, que até então me sentia totalmente em casa na França, pensei: 'Aqui nós temos uma missão'." ....

Bem mais conservador que a linhagem de Petrópolis - à qual pertence, por exemplo, o festeiro e parlamentarista dom João, de Paraty -, o ramo de Vassouras dedica-se à divulgação da causa monarquista e à arregimentação de defensores do regime pelo país.

Em 1987, durante a Assembléia Nacional Constituinte, dom Luiz escreveu cartas aos parlamentares brasileiros para pedir o fim da cláusula pétrea, que dizia que não podia ser colocada em discussão a forma republicana de governo. "Eu defendia que a cláusula era sumamente contrária aos princípios democráticos que os próprios parlamentares diziam professar. Afinal, era uma injustiça permitir que o Partido Comunista existisse e não permitir a existência dos monarquistas."

Já em 1993, quando houve o plebiscito para decidir entre os três sistemas - presidencialista, parlamentarista e monarquista -, dom Luiz e seus irmãos se engajaram na luta por este último. ....

Para ele, a forma ideal para o Brasil seria uma monarquia constitucional parlamentar.

"O ideal seria que o regime tivesse algo de monárquico, algo de aristocrático e algo de democrático, com um Senado vitalício, uma Câmara de deputados eleita a cada quatro ou cinco anos, um Judiciário e um Legislativo independentes e um Executivo exercido por um primeiro-ministro, indicado pelo soberano, de acordo com a maioria parlamentar do momento. Além do Poder Moderador, que era algo genial que nossa Constituição do império tinha e que depois outros países, como a França, quiseram copiar", diz.

Dom Luiz é também um entusiasta defensor das iniciativas de dom João 6º.

"É preciso reforçar que dom João 6º não saiu fugido do Brasil, nem que era um bobalhão, como se diz hoje. As pessoas também falam que era um sujeito indeciso, mas a verdade é que era um tipo tranqüilo, que tocava as coisas com muita esperteza. Foram impacientes com ele. É verdade que não era um homem bonito, não podia ser considerado um Adônis, mas até aí..."

Na comemoração dos 200 anos da vinda da família real, dom Luiz diz que gostaria de ser ouvido e que se pensasse em reescrever os livros escolares de história. "Houve uma campanha sistemática para denegrir nosso passado imperial e os grandes vultos desse período. Depois vieram os marxistas, que, com sua visão dialética, só vêem a luta de classes, e nunca a paz"."


Radar da mídia: Dom Luiz, Príncipe com estatura de estadista.

Personagens Marcantes: A PRINCESA ISABEL - parte 1

Princesa Isabel
marcante personagem na História do Brasil


Dom Luiz de Orleans e Bragança


É com muito gosto que atendo ao pedido de Catolicismo de escrever algo sobre minha bisavó, a Princesa Isabel. Máxime porque, embora seja venerada no Brasil como a Redentora da raça negra, sua personalidade total não é geralmente conhecida. Dou aqui alguns traços, a fim de contribuir para esse conhecimento. Pouco se sabe, por exemplo, sobre seu vulto de grande dama, sua bondade bem brasileira e seu inalterável amor ao Brasil.

A Princesa Isabel era filha de D. Pedro II e de Da. Teresa Cristina Maria de Bourbon, das Duas Sicílias. Desse matrimônio nasceram quatro filhos –– um varão, duas mulheres e mais um varão. Os filhos homens morreram cedo, e portanto às filhas, Da. Isabel e Da. Leopoldina, transmitiu-se diretamente o direito à sucessão ao trono.

Isabel, a mais velha, nasceu em 20 de julho de 1848, batizada a 15 de novembro do mesmo ano com o nome de Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Rafaela Gonzaga, na capela imperial, pelo Bispo Conde de Irajá. Padrinhos por procuração: D. Fernando, rei de Portugal, e a rainha Maria Isabela, viúva de Francisco I das Duas Sicílias, sogra de D. Pedro II. Conta o livro de Hermes Vieira: “Antes do batismo, na escadaria da capela imperial, o Imperador, aproximando-se da filha e tomando-a nos braços, avançou um passo e a apresentou ao povo, que lá fora, curioso, comprimido, correspondeu ao gesto do monarca ovacionando Sua Alteza e aos soberanos do Brasil. Ouviram-se então os sons heróicos do Hino Nacional, confundidos com o vozerio consagratício da multidão, entoados pelas bandas de música postadas no passadiço e no coreto armado junto ao alpendre da torre da capela imperial”.(Nota 1: Hermes Vieira, Princesa Isabel – Uma Vida de Luzes e de Sombras, Editora Novos Ensaios Brasileiros, São Paulo, 1989, p. 19.)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Leis da Monarquia em vigor


Paulo Afonso da Mata Machado pesquisando, no site do Planalto para fazer uma consulta, descobriu que há as seguintes leis da época do Império ainda em vigor:
Lei 1.827, de 11.8.1827 - criou cursos de Ciências Sociais e Jurídicas (mais tarde faculdades de Direito) em São Paulo e em Olinda
Lei 556, de 25.6.1850 - Código Comercial (em vigor com alterações)
Lei 601 de 18.9.1850 - legisla sobre as terras devolutas do país (o art. 2º é bastante ecológico: Os que se apossarem de terras devolutas ou de alheias, e nellas derribarem mattos ou lhes puzerem fogo, serão obrigados a despejo, com perda de bemfeitorias, e de mais soffrerão a pena de dous a seis mezes do prisão e multa de 100$, além da satisfação do damno causado. Esta pena, porém, não terá logar nos actos possessorios entre heréos confinantes.)
Lei 3.150, de 31.12.1882 - regula o estabelecimento de sociedades anônimas
Lei 3.353, de 13.5.1888 - Lei Áurea
Você sabia disso?


O texto foi publicado no Amigos da Monarquia grupo de debates e opiniões no Yahoo.


 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

HISTÓRIA = Abdicação e Regências


O blog Monarquia em Ação, inicia hoje o arquivo HISTÓRIA com matérias diversas sobre a formação da nossa nacionalidade.


Dom Pedro I abdica e as regências entram em cena

“Augustos e digníssimos representantes da nação brasileira: está encerrada a sessão.” Inusitadamente, com essas palavras dom Pedro I encerrou os trabalhos legislativos de 1829, enquanto deputados e senadores presentes esperavam um discurso que diminuísse as tensões nacionais.

À grave crise econômica, juntavam-se acusações de descumprimento da Constituição. Em 1830, a situação se agravou com o assassinato do jornalista Líbero Badaró, ferrenho crítico do governo. Como solução, o monarca nomeou, em março de 1831, o “Ministério Brasileiro”, mas, poucos dias depois, o dissolveu, reunindo antigas figuras do reinado no chamado “Gabinete dos Marqueses”. Os liberais, entre eles o senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, pressentiram que o imperador suspenderia direitos políticos. Resolveram protestar e pedir a reintegração do ministério anterior. Mais de 2 mil pessoas se juntaram no Campo de Santana (RJ). Pressionado, dom Pedro I abdicou na madrugada de 7 de abril de 1831 em favor de seu filho de cinco anos.

No prédio do Senado, às 10h da manhã, parlamentares elegeram, como determinava a Constituição, uma regência provisória, composta pelo senador José Joaquim Carneiro de Campos (Marquês de Caravelas), pelo senador Vergueiro e pelo brigadeiro Francisco de Lima e Silva. Em 17 de junho, a Assembléia Geral elegeu a Regência Permanente, composta por João Bráulio Muniz, José da Costa Carvalho e o brigadeiro Lima e Silva.
Em 1834, as regências passaram a ser unas e o senador Padre Diogo Antônio Feijó foi eleito, em 1835, o primeiro regente. O segundo e último regente foi o senador Pedro de Araújo de Lima.

Fonte: Jornal do Senado - Edição nº 2.367/79 – Brasília, 8 a 14 de maio de 2006

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O brado. O pendão - CartaCapital


A revista Carta Capital, publicou algum tempo atrás matéria sobre as visitas ao Museu do Ipiranga em dias históricos. É muito interessante o artigo, por isso o publicamos aqui. O Ipiranga é um dos mais visitados museus da América Latina, administrado pela USP. O museu, não apenas guarda lembranças da época da Monarquia, mas também da República. Da Monarquia ficaram lindos móveis, belos tapetes, objetos científicos e culturais. O arquivo destaca uma coisa interessante, o que da República temos para ver nesse Museu: Uma placa na entrada da sala destaca “Acervo cedido pela Justiça Federal (...) relativo a processo pela prática de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro”.
Boa leitura a todos.


Edição 420
O brado. O pendão
por Ana Paula Sousa

O dia da Proclamação da República lota o Museu do Ipiranga
O quadro Independência ou Morte causa confusão: “Esse aqui não tem nada a ver com o feriado, né?” DÚVIDA
O segurança diz que 7 de Setembro e 15 de Novembro são os dias de glória do palácio SALVE, SALVE!

O quadro mais ilustre do museu do Ipiranga, em São Paulo, é uma celebração do 7 de Setembro. Mas, em Dia da Proclamação da República, o óleo Independência ou Morte, monarquicamente pintado por Pedro Américo, em 1888, induz a erro:

– Esse aqui não tem nada a ver com o feriado, né?, sussurra para o namorado a mocinha de minissaia e botas.

– Não, acho que não, responde ele, o cenho franzido pela dúvida.

Bom, mas sem o grito da independência, que ouviram do Ipiranga as margens plácidas, República também não haveria. Logo, não há qualquer despropósito na afluência ao Museu Paulista da USP (é esse o seu nome correto) no 15 de novembro de céu rajado de sol. O segurança Joselito Soares, 17 anos de “casa”, é craque na medição dos ânimos patrióticos:

– Veja bem, as pessoas gostam muito de vir aqui no 7 de Setembro e no 15 de Novembro. Hoje, eu ainda não sei quanto vai dar, mas, no último 7 de Setembro, deu mais de 25 mil pessoas. Esse aqui é o museu mais visitado da América Latina e o público gosta de vir aqui em dias históricos.

De tão patriótico o espírito dos visitantes, ganha aparência de jogo da Copa a quarta-feira 15 no belo palácio de feitio renascentista e jardins viçosos. Pelos corredores, a repetição de camisetas em verde-e-amarelo indica que o dia de visita não foi escolhido aleatoriamente. Postados à entrada do museu, Martin Afonso de Souza e o índio Tibiriçá, fossem ainda homens e não pinturas, sentiriam orgulho dos descendentes.

O gerente-financeiro Rogério Oxisque, acompanhado da esposa, a operadora de telemarketing Evelyn, e das duas filhinhas, não incorreu no lugar-comum. Em vez do verde-e-amarelo usado pelo resto da família, optou pelo azul-e-branco. Juntos, eram a bandeira nacional – ou o pendão, como poetaria Olavo Bilac, letrista dos hinos da República e da Bandeira.

– A gente quer passar para as meninas a história do nosso país. E está tudo aqui, aposta Evelyn.

– Com certeza. A gente vê que todos os nossos costumes vieram de Portugal, atalha o marido.

A tentativa de descobrir detalhes da história do Brasil, revisitada em banheiras de mármore, “cadeirinhas e liteiras”, insígnias, brasões, “pratos, elixires e urinóis do século XIX” e nos panoramas e retratos pintados, é o que move boa parte dos visitantes. Atualmente bem cuidado, o museu é de fato tocante. E a boa notícia é que, aos poucos, parece estar se desvencilhando das versões de carochinha da história oficial.

Um exemplo da organização mais crítica pode ser colhido nos comentários relativos ao quadro Independência ou Morte, definido, numa placa explicativa, como obra que divulga “uma interpretação sobre a história brasileira, produzida nos fins do século XIX, e identificada com a celebração da monarquia”. A ação imortalizada no quadro épico de Pedro Américo pode não ter sido bem daquele jeito. Mas do “brado” de dom Pedro ninguém tirará a aura de hit. Deleitando-se com a própria consciência cívica, a mãe testa os conhecimentos do pimpolho de 6 ou 7 anos:

– Ele gritou o quê? Independência ou...

O menino impacienta-se:

– Ai, mãe!

Há também quem tenha ido ao museu atrás de outras coisas que não a história. Os chineses de Hu-Pei, em excursão pela América Latina, queriam um museu para suas câmeras digitais. Conseguiram. Já as meninas do colégio ETE Rocha queriam entrevistados para uma reportagem estudantil sobre classicismo, “a escola literária portuguesa da época de Camões”, como elas próprias se encarregam de explicar.

– A gente estava pensando num lugar para ir e achamos aqui um bom lugar. Ah! Quem freqüenta museu deve saber o que é classicismo, aposta Ariane Albertini, de 16 anos.

Enquanto as meninas preparam o vídeo, todas serelepes, um grupo também de jovens diverte-se com as poses que o belo cenário inspira. Eles vieram de Tapiratiba, cidade a 350 quilômetros da capital. Moram tão perto de Minas Gerais que misturam os erres característicos do interior paulista com o som arredondado da língua do “uai”. Saíram de casa às 5 da manhã. Do museu, partiriam para o shopping e, feitas umas comprinhas, voltariam para casa. Estavam todos encantados com a pompa da construção.

– O que eu mais gostei mesmo foi da escadaria de mármore, com os tapetes vermelhos, diz Daiana Pereira, de 17 anos.

– Ah, eu achei o máximo a maquete, completa a amiga Bruna Françoso, de 18.

Trata-se da maquete em gesso do arquiteto Bezzi, que, de tão elaborada, levou quase o mesmo tempo que o edifício para ficar pronta. Concorrendo com a maquete no quesito “sucesso”, estão as grandes bolas de vidro preenchidas com água, representativas dos rios do País. Amazonas, Parnahyba, Jaguaribe, Rio Negro. Tudo escrito em letras de bronze. Mas, ao mesmo tempo que atrai, o antigo também assusta.

– Que fedor!, diz o menino na sala dos velhos sofás e cadeiras.

– É cheiro de morto, conclui a irmã.

– É cheiro de madeira, afirma, repreensiva, a mãe.

O pai, José de Almeida, pastor evangélico residente no bairro de Sapopemba, zona leste da cidade, não dá trela para a parolagem familiar. Prefere refletir:

– Olhando isso aqui a gente pensa no ser humano. Você vê como tudo acaba. Tanto poder, tanta fama, pra acabar tudo isso. Ficam as cadeiras.

Se, da monarquia, ficaram as cadeiras, da república ficou um outro acervo. Na sala do piso térreo, à direita da escadaria de mármore, uma exposição chamada Acervos para Descobrir trata da história contemporânea.

A placa, à entrada, explica: “Acervo cedido pela Justiça Federal (...) relativo a processo pela prática de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro”.
Acondicionadas na sala, estão as relíquias compradas pelo ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, que faliu o Banco Santos e teve as obras de arte que colecionava apreendidas pela Justiça. Um exercício de caligrafia de dom Pedro II, um comprovante de pagamento de “imposto sobre escravo” e uma carta “patente de confirmação” de dom João VI estão entre os itens que o banqueiro perdeu. São as trapaças republicanas contribuindo para o palácio que os monarcas um dia ergueram.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Um conto, para amenizar e distrair os leitores de nosso blog




From: André Garcia


O ENIGMA DO FERREIRO E O ROSTO DO REI

Novellino
No tempo do imperador Frederico, havia um ferreiro que trabalhava o ano inteiro no seu ofício, sem guardar domingos, nem a Páscoa nem dias santos, por mais solene que fosse a festa. Trabalhava todos os dias até ganhar quatro soldos, mas depois disso não dava mais nenhuma martelada, mesmo que fosse da maior urgência o trabalho encomendado, e ainda que lhe pagassem muito bem.
Um dia alguém o denunciou ao imperador por profanar os dias santificados, trabalhando como nos demais dias do ano. Frederico o convocou à sua presença, e perguntou se era certo o que lhe diziam. O ferreiro não negou, e então o rei perguntou:
— Qual o motivo que te leva a quebrar o preceito dos dias santificados?
— Senhor, para atender às minhas obrigações, tenho que ganhar quatro soldos todos os dias. Conseguido isso, termina para mim a jornada até o dia seguinte.
— E o que fazes com esses quatro soldos?
— Senhor, eu os divido em quatro partes iguais. Uma eu devolvo, faço doação de outra, jogo fora a terceira, e uma eu invisto na minha subsistência.
— Explica melhor isso.
— A doação, senhor, eu a faço pagando impostos. A devolução é devida ao meu pai, tão velho e pobre que já não pode ganhar o próprio sustento, pelo que ele me emprestou quando eu era ainda criancinha e não podia trabalhar. Desperdiço a outra parte dando-a à minha mulher, para os seus gastos, o que é o mesmo que jogar fora, pois ela não sabe fazer nada além de comer e beber. Invisto na minha subsistência o restante, quer dizer, na manutenção da minha casa.
O imperador pensou então: "Se o mandasse parar de fazer assim, eu o colocaria injustamente em muitos apertos. Mas vou impor a ele uma condição severa, e se não a cumprir, vai me pagar caro". Disse então ao ferreiro:
— Vai com Deus! Mas a explicação da tua conduta, que me deste agora, não a podes contar a ninguém. Nem uma única palavra, antes de ver meu rosto cem vezes, sob pena de cem libras de multa.
Não era fácil para um simples ferreiro ver o rosto do rei umas poucas vezes, quanto mais cem, o que significaria para ele silêncio definitivo sobre o assunto.
No dia seguinte o imperador resolveu apresentar aos seus sábios um enigma, e pediu-lhes que explicassem o sentido oculto da moeda devolvida, da moeda doada, da moeda jogada fora e da moeda investida. Deu-lhes oito dias de prazo para a resposta.
Depois de muito discutirem e não acharem a solução, os sábios concluíram que o assunto devia guardar relação com a presença do ferreiro ante o imperador, mas nenhum deles sabia o que se passara entre os dois. Não achando outra saída, resolveram espionar o ferreiro, e compareceram às escondidas na oficina. Pediram-lhe que desse a explicação, mas o ladino se conservou hermético. Ofereceram-lhe então dinheiro em troca da informação. Depois de deliberar consigo mesmo, o ferreiro respondeu:
— Já que estais tão interessados, juntai cem libras de ouro, pois só mediante essa quantia eu poderei dar-lhes a explicação.
Convencidos de que seria tempo perdido insistir, e temendo que se esgotasse o prazo de oito dias, quotizaram-se e puseram em mãos do ferreiro as cem libras. Com toda calma ele foi pegando uma por uma das moedas, e as olhava com atenção na frente e no verso. Todas as moedas continham em relevo a efígie do imperador, sendo de um lado a figura eqüestre, e do outro a face. Terminado esse lento ritual, ele explicou aos sábios o caso, exatamente como o explicara ao imperador. Os sábios saíram dali contentes.
Esgotado o prazo de oito dias, apresentaram-se ao imperador e lhe deram a explicação pedida, deixando-o muito surpreso, pois tudo coincidia com as palavras do ferreiro. Suspeitou logo que ele tivesse dado com a língua nos dentes, e pensou: "Esses sábios não seriam capazes de descobrir sozinhos toda a explicação, e o devem ter ameaçado ou até açoitado para obtê-la. Vou chamá-lo, e agora ele vai ter de me pagar toda a dívida atrasada". Mandou chamar o ferreiro, e lhe perguntou:
— Parece que, apesar da minha proibição, falaste mais do que era conveniente, revelando o segredo que eu te havia confiado. Agora vais ter de pagar amargamente a leviandade.
— Senhor, podeis dispor não só de mim, como também de todo o mundo para fazer o que vos agrada, por isso a vós me entrego como a um pai e senhor muito amado. Porém não creio ter infringido vossas ordens, que eram de guardar o segredo até conseguir ver a vossa face cem vezes. Por isso perderam tempo todos os que tentaram obter de mim o segredo antes de haver cumprido aquela condição. Mas depois que me apresentaram cem libras de ouro, e que na presença dos interessados eu contemplei vossa augusta face em cada uma delas, não tive dúvidas em contar-lhes o que sabia. Não me parece portanto que eu vos tenha ofendido. Além do mais, eu com isso me livrei da presença insistente e incômoda dos tais sábios.
— Vai com Deus, e que Ele te dê sorte, pois foste bastante mais inteligente do que todos os meus sábios juntos!
(Novellino, in R. Menéndez Pidal, "Antología de cuentos" - Labor, Barcelona, 1953)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A Crise dos Pais Imperfeitos - Stephen Kanitz


Ponto de vista: Stephen Kanitz


A Crise dos Pais
Imperfeitos

"Talvez seja a hora de propormos a volta da
família real e a criação do parlamentarismo,
para o bem de todos"

Todo adolescente passa por uma crise muito pouco diagnosticada. Vou chamá-la de "Crise dos Pais Imperfeitos", que surge quando o adolescente descobre que o pai e a mãe não são as pessoas perfeitas que eles imaginavam.

Embora muitos pais nunca tenham insinuado nada nesse sentido, os próprios filhos os idealizam como perfeitos. Como a maioria não o é, mais dia menos dia ocorre a grande decepção.

Muitos pais pioram a situação dando a entender que nunca erram, que sabem tudo e que são, em suma, o máximo. Até o dia em que o mundo desaba, e a verdade nua e crua aparece: ninguém é perfeito.

A maioria dos jovens sonha em ter pais perfeitos para sempre, um governo perfeito a cada eleição, em criar um mundo perfeito sem injustiças, onde até os grandes planos de governo funcionam porque serão sempre perfeitos.

Essa crise traz também uma enorme insegurança pessoal. A redoma de vidro do pai herói e da mãe heroína se desfaz. Uma crise dessas mal resolvida pode se agravar e se transformar em desilusão, desânimo, o que pode levar à exclusão social e à perda de ambição. Pode também levar à depressão, às drogas e, finalmente, ao crime, já que o mundo não é mais perfeito. Pode gerar desobediência à autoridade paterna, contestação e revolta contra os pais e as instituições que eles representam. Um perigo para a democracia.

É uma revolta injusta contra os pais, já que ninguém é perfeito, e que se manifesta como uma recusa de fazer parte da sociedade de forma construtiva e incentiva a inserção social de forma destrutiva e violenta. Jovens se recusam a participar desta sociedade de várias maneiras, que prefiro não enumerar. Um dos sintomas é exagerar no intento de "ser diferente", quando o normal é se inserir na sociedade sendo inovador e criativo.

Por isso uma separação na família é tão devastadora para a maioria das crianças, não por causa da separação em si, mas porque antecipa em muitos anos a "Crise dos Pais Imperfeitos". Quando ouvem o anúncio da separação, os filhos acabam tendo de lidar com duas crises ao mesmo tempo, e muitas crianças ainda são novas demais para aceitar a crise da imperfeição. Elas ainda precisam daquela imagem dos pais unidos na perfeição.

Muitos brasileiros, se não a maioria, na fase adulta, projetam esse desejo de perfeição no mandatário de seu país. Muitas vezes projetamos nos nossos governantes uma imagem do pai perfeito. Isso ocorreu em relação a Getúlio Vargas.

Novamente exigimos uma perfeição que não é justo exigir. A crise política pela qual estamos passando tem alguns contornos dessa "Crise do Pai Imperfeito". Exigimos uma perfeição do governo que Lula nunca prometeu, e ficamos profundamente decepcionados e desiludidos com o primeiro deslize que aparece.

Por isso, alguns países sabiamente mantiveram as suas monarquias. O monarca encarna aquela figura do pai perfeito, e, como ele não faz absolutamente nada, não pode causar a menor decepção. É uma figura preservada, todo mundo se sente seguro e feliz, e o país cresce. Segundo a revista Economist, monarquias pagam muito menos juros e são economias bem mais estáveis que outros regimes. O Brasil está parado economicamente desde 1998, devido às sucessivas crises políticas envolvendo importantes membros do governo.

Não estou defendendo a monarquia para o Brasil, mas, se essas crises políticas continuarem a paralisar a economia, talvez seja a hora de propormos a volta da família real e a criação do parlamentarismo, para o bem de todos. Assim, teremos estabilidade sem juros altos e a volta do crescimento econômico, a um custo bem menor.

Diga aos seus filhos que você, os políticos, o governo e nossos presidentes não são perfeitos. Eu sei que a maioria dos pais adora mostrar o contrário, adora ganhar do filho num drible de futebol, com medo de que descubram a verdade. Posso garantir que eles já o achavam perfeito muito antes de você se mostrar. O que eles precisam aprender é a verdade.

Portanto, mostre aos seus filhos que você não é perfeito. Ensine que não há utopias perfeitas, somente imperfeições a serem corrigidas. Comece de preferência nesta semana, aos poucos, para não assustá-los.



Stephen Kanitz é administrador por Harvard
(www.kanitz.com.br)


VEJA on-line.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Argumentário Monárquico - UOL Blog

Escrito por Correio Imperial às 19h29
[ (1) Apenas 1 comentário ] [ envie esta mensagem ]




3 - Vantagens da forma monárquica

3.1 - Fatos históricos

Nos tempos do Império do Brazil, sob Dom Pedro II, o Brasil tinha uma moeda estável e forte, possuía a Segunda Marinha de Guerra do Mundo, teve os primeiros Correios e Telégrafos da América, foi uma das primeiras Nações a instalar linhas telefônicas e o segundo país do globo a ter selo postal;

-o Parlamento do Império ombreava com o da Inglaterra, a diplomacia brasileira era uma das primeiras do mundo, tendo o Imperador sido árbitro em questões da França, Alemanha e Itália;

- em 67 anos de Império tivemos uma inflação média anual de apenas 1,58%, contra 10% nos primeiros 45 dias da República, 41% em 1890 e 50% em 1891;

- a unidade monetária do Império, o mil réis, correspondia a 0.9 (nove décimos) de grama de ouro, equivalente ao dólar e à libra esterlina;

- embora o Orçamento Geral do Império tivesse crescido dez vezes entre 1841 e 1889, a dotação da Casa Imperial se manteve a mesma, isto é 800 contos de réis anuais? E que D, Pedro II destinou ¼ de seu orçamento pessoal em benefício das despesas da guerra do Paraguai;

- 800 contos d réis significava 67 contos de réis mensais e que os republicanos ao tomarem o poder estabeleceram para o presidente provisório um ordenado de 120 contos de réis por mês;

- uma das alegações dos republicanos para a derrubada da Monarquia era o que eles chamavam de custo excessivo da Família Imperial? A verdade é que esta recebia a metade do ordenado do 1º presidente republicano;

- Dom Pedro II se recusou a aceitar a quantia de 5 mil contos de réis, oferecida pelos golpistas republicanos, quando do exílio, mostrando que o dinheiro não lhes pertencia, mas sim ao povo brasileiro (5 mil contos de réis era o equivalente a 4 toneladas e meia de ouro? Quantia que o Imperador recusou deixando ao País um último benefício: o grande exemplo de seu desprendimento. Infelizmente esse exemplo não frutificou na República, como seria necessário);

- no Império o salário de um trabalhador sem nenhuma qualificação era de 25 mil réis? O que hoje eqüivale a 5 salários mínimos;

- o Brasil era um exemplo de democracia. Votava no Brasil cerca de 13% da população. Na Inglaterra este percentual era de 7%; na Itália, 2%; em Portugal não ultrapassava os 9%. O percentual mais alto, 18%, foi alcançado pelos Estados Unidos. Na primeira eleição após o golpe militar que implantou a república em nossa terra, apenas 2,2% da população votou. Esta situação pouco mudou até 1930, quando o percentual não ultrapassava a insignificante casa dos 5,6%.

- no plebiscito de 1993 a monarquia recebeu, aproximadamente, sete milhões de votos (13% dos votos válidos} e, nesta época uma pesquisa do DATA FOLHA mostrava que 21% da população era monarquista ou simpatizante..

3.2 - Fatos e dados que mostram a superioridade da forma monárquica de governo Os melhores argumentos a favor da Monarquia são os fatos. Exemplos reais se multiplicam. Todos os indicadores são favoráveis a forma monárquica de governo. Examinemos os mais importantes.

3.2.1 - Quanto à economia, constata-se que as monarquias geram mais da metade do PIB mundial. Este dado, que de "per si" já é impressionante, torna-se mais marcante quando verificamos que sua população não ultrapassa a casa dos 10% de toda a população da terra.

Por conseqüência, a renda 'per-capita' média encontrada dentre os que vivem sob a forma monárquica de governo é muito maior do que a daqueles que vivem sob as repúblicas. Duas vezes e meia maior.

Estes fatos concordam com outros dados econômicos, especialmente quando se verifica que das 12 economias mais fortes do mundo atual, 8 são monarquias.

Argumentário Monárquico - UOL Blog.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

D. Luiz comenta a chegada da Família Real portuguesa há 200 anos


D. Luiz comenta a chegada da Família Real portuguêsa há 200 anos
Entrevista - Revista Catolicismo, fevereiro de 2008

Revista — Fala-se geralmente que o Príncipe Regente Dom João e a Família Real fugiram para o Brasil. Está correto isso? Ou a realidade histórica é diferente?

Dom Luiz — A consciência de que o Brasil, pelo seu tamanho e pelas suas riquezas, teria um papel de primeira plana no império português, existiu desde o século XVII. Isso se vê no fato de que, a partir da ascensão ao trono da dinastia de Bragança, em 1640, o herdeiro imediato da Coroa tinha o título de Príncipe do Brasil. Cogitou-se desde o fim do século XVII em transferir para a América a capital do império luso, a fim de afastá-la das turbulências européias e, ao mesmo tempo, pô-la num lugar a partir do qual fossem mais fáceis e rápidas as comunicações com a África e a Ásia. O Rio de Janeiro tornara-se escala obrigatória para os navios rumo ao Oriente, e as possessões africanas foram muitas vezes administradas, desde o século XVIII, por governadores gerais e vice-reis do Brasil.

Quando se apresentou para Portugal a ameaça de uma invasão napoleônica, o então Príncipe Regente Dom João viu que era o momento de concretizar o velho plano, para poupar à Dinastia a sorte de tantas outras Casas reinantes espoliadas pelo tirano corso. A fim de ter tempo para preparar a transferência, Dom João aparentou longa indecisão entre a aliança inglesa e a francesa. Era preciso armar e preparar toda uma esquadra, encaixotar todo o necessário para a vida da corte e o funcionamento do governo na nova capital. Móveis, baixelas, obras de arte, biblioteca, arquivos, tesouro nacional, mil coisas diversas. O Príncipe Regente conseguiu, com sua aparente abulia, despistar magistralmente Napoleão. A ponto de este, em suas memórias redigidas no exílio de Santa Helena, se manifestar ressentido contra o “único soberano que o ludibriara”.


Revista — Estaria correto ou é exagerado dizer que Dom João VI assentou as bases do império brasileiro?Dom João, que ainda não era soberano, mas somente Príncipe Regente em nome de sua mãe Da. Maria I, ficou encantadíssimo de ver um povo tão bom


Dom Luiz — É inteiramente exato! Segundo o historiador Oliveira Lima, o Príncipe Regente Dom João veio para o Brasil com o intuito de formar aqui um grande império. Mal chegou ao Brasil, aquele homem aparentemente abúlico e indeciso tomou uma série de medidas fundamentais para isso. Basta citar que, no mês que passou na Bahia de 22 de janeiro a 26 de fevereiro, antes de desembarcar definitivamente no Rio de Janeiro, já decretara a abertura dos portos ao comércio internacional, aprovara a formação da primeira Escola de Medicina do Brasil e os estatutos da primeira companhia de seguros, concedera a licença para a construção de uma fábrica de vidro e outra de pólvora. Além disso, ordenara abrir estradas, encomendara um plano de fortificação e defesa da Bahia e a formação de dois esquadrões de cavalaria e um de artilharia. Não é razoável supor que todas essas medidas, que tiveram tantas conseqüências benéficas a longo prazo, tenham sido decididas na hora, ao sabor dos acontecimentos, sem que tivesse havido um planejamento anterior, um projeto político preexistente.

Já no Rio de Janeiro, dois dias depois de desembarcar a 8 de março, Dom João organizou o governo. O Ministério compunha-se de: Negócios Estrangeiros e da Guerra, com D. Rodrigo de Sousa Coutinho, futuro Conde de Linhares; Negócios do Reino, com D. Fernando José de Portugal, que seria feito Marquês de Aguiar; e Negócios da Marinha e do Ultramar, com D. João Rodrigues de Sá e Meneses, Visconde de Anadia.

No afã de criar as estruturas do País, Dom João ainda editou o regulamento da Administração Geral dos Correios, criou uma Escola Superior de Técnicas Agrícolas, um laboratório de estudos e análises químicas, a Academia dos Guardas-Marinha, a Academia Real Militar, que incluía Engenharia Civil e Mineração, a Impressa Régia. Estabeleceu, além disso, o Supremo Conselho Militar e de Justiça, o Arquivo Militar, o Tribunal da Mesa do Desembargo do Paço e da Consciência e Ordens, ou seja, o Judiciário independente no Brasil, a Intendência Geral de Polícia, o Erário Régio, o Conselho da Fazenda, o Corpo da Guarda Real. Mais tarde seriam criados o Banco do Brasil, a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional, o Real Teatro de São João e o Jardim Botânico, este último com a finalidade de aclimatar no Brasil espécies vegetais oriundas da África e Ásia.

As regiões mais distantes foram exploradas e mapeadas, e Oliveira Lima relata que o Príncipe Regente mandou pôr marcos de pedra em todas as nossas fronteiras, das Guianas à Argentina. Esses marcos serviriam muito mais tarde, já na República, para calçar as negociações de limites com nossos vizinhos, levadas a cabo pelo Barão do Rio Branco.

Cabe ainda lembrar que em 1815, já como Rei com o título de D. João VI, elevou o Brasil a Reino Unido com Portugal e Algarves. Com isso, politicamente ficava o Brasil emancipado de Portugal e equiparado à antiga mãe-pátria.

Dom João realmente deu ao Brasil as instituições políticas, judiciárias, militares, culturais e econômicas fundamentais para um país independente e soberano.



Revista — Apenas considerando a perspectiva histórica: na opinião de Vossa Alteza, qual a grande qualidade e qual a grande carência de Dom João?


Dom Luiz — A meu ver, as grandes qualidades de Dom João foram o seu excepcional descortino político e a sua sagacidade benévola e benfazeja. Uma de suas carências foi a falta de talento militar. Um Dom Pedro I teria mandado a Família para o Brasil, tomando a frente da resistência contra o invasor. Entretanto, é preciso ponderar que Dom João deve ter tomado em consideração, para agir como agiu, o fato de saber que o fermento da Revolução Francesa também se encontrava no Brasil; e que, permanecendo em Portugal, ele se arriscava a perder aquilo que era o maior florão de seus domínios. O que aconteceu com a América Espanhola parece lhe dar razão...

http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/C2C0F14B-3048-313C-2EAE8AA63C210A9E/mes/Fevereiro2008

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Analise profunda da situação brasileira e do papel da monarquia



Tesouros escondidos…


A matéria é antiga, foi publicada em 1991. A entrevista é do “Diário Popular” e o entrevistado o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que acabava de proferir palestra no Circulo Monárquico de S. Paulo. O texto entrou para a História e é oferecido aqui como subsidio para analise e reflexão.



30 de março de 1991

Entrevista ao "Diário Popular"

Diário Popular - Com relação à palestra do Sr. agora nesse Círculo [monárquico], quais são as inquietações e esperanças que o Sr. coloca para o Brasil de hoje?

Plinio Corrêa de Oliveira
- O mundo está num estado de confusão geral tanto no Leste quanto no Oeste. É uma confusão da qual pode sair qualquer coisa. Por outro lado, especificamente a América do Sul e mais especificamente o Brasil parecem estar passando da confusão para o caos.

DP - A que o Sr. atribui essa análise do Sr.?

PCO -
Eu atribuo a que o Brasil foi muito sacudido pela propaganda comunista, tendências comunistizantes de toda ordem, e, sobretudo, a crise progressista dentro da Igreja Católica, que é a maior força espiritual do Brasil.

Eu estou falando talvez um pouco depressa, não?

DP - Está bom, está perfeito.

PCO -
Acrescido a isso tudo, a situação da dívida externa.

DP - E quais são as esperanças?

PCO -
A esperança é a seguinte: eu noto na massa do povo brasileiro, que a meu ver o grande desconhecido no Brasil é o povo brasileiro...

DP - Por quê?

PCO -
Vamos ver daqui a pouquinho.

Em geral eu noto no povo brasileiro, eu noto um grande lastro de bom senso e de uma tendência a frear todos os delírios - freá-los num sentido conservador. Agora, o que é que eu entendo por povo brasileiro?

DP - Frear todos...

PCO -
Todos os excessos, todos os delírios.

Agora, o que é que eu entendo por povo brasileiro? Aqui está a questão.

Eu entendo por povo brasileiro, vamos dizer, esse peso sensato do povo brasileiro não está no jet set. Não me queira muito mal, mas é raro na midia, esse bom senso é raro na midia e em geral nas nossas cúpulas: cúpula política, cúpula universitária, cúpula econômica. Todos esses se deixaram impressionar pela idéia de que o comunismo está tomando conta do Brasil e que, portanto, é preciso ceder. A convicção sensata de que não está tomando conta e de que, portanto, não é preciso ceder, é preciso frear, se encontra na burguesia pequena, média e no povinho. Se quiserem no "povão".

DP - Com relação a todo Ciclo que está sendo realizado aqui, o Sr. acha que a população brasileira está preparada para aceitar o retorno da Monarquia, e até que ponto está preparada para aceitar?

PCO - Eu não pertenço a esse movimento monárquico, eu sou amigo dos príncipes, e sou monarquista doutrinário, mas não político. A TFP, da qual eu sou Presidente, é um movimento a-político. Eu venho aqui dizer a eles uma palavra de colaboração como tenho colaborado com todas as correntes políticas que tem procurado aproximar-se da TFP. Quer dizer, eu sou extra-partidário e a-político. De maneira que o Sr. está me pedindo aí, nesse ponto, uma opinião política e, portanto, fora de meu campo.

Está claro ou não?

DP - Perfeito. Mas de qualquer forma eu gostaria de saber a opinião do Sr.. Se há condições...

PCO -
Condições há. Há condições para que o povo, o "povão" exatamente, bem esclarecido, sendo bem esclarecido, opte por esta solução. Não quer dizer com isto que eu esteja trabalhando nesse sentido. Quer dizer, portanto, a TFP e a ação monárquica são coisas completamente distintas.

DP - O grosso da população pode entender que a monarquia tem idéia da centralização do poder, e nisso possa até impedir um avanço...

PCO -
Não, não me parece, porque a tradição monárquica brasileira é profundamente parlamentar, o exemplo de D. Pedro II deixou uma figura da monarquia inteiramente diferente do monarca absoluto, de maneira que não me parece que eles tenham que recear este perigo.

DP - De centralização...

PCO -
É, de despotismo. O Sr. está falando sobre o nome de centralização, mas no fundo é despotismo. Quer dizer, o czarismo, vamos dizer.

DP - No entender do Sr...

PCO -
Não, ah não. Depois eu conheço muito bem Dom Luís e Dom Bertrand, e sei das posições profundamente opostas a essa monarquia absoluta e centralizadora da qual o Sr. está falando.

DP - Só mais duas perguntas. Como fazer chegar à maioria da população essa idéia de monarquia para a população entender e talvez até trazer um bom número de simpatizantes...

PCO -
Os meios, eles não me dizem o que é que eles estão pensando, eu me mantenho alheio a isso. Mas o que me ocorre aqui é a midia, não tem outro remédio.

DP - Via midia?

PCO -
Eu não vejo outro meio.

DP - E em ações concretas...

PCO -
Para ser conhecida no Brasil inteiro sem a midia, só a TFP. O Sr. há de reconhecer que a midia não favorece a TFP. Entretanto, não há um lugarejo do Brasil onde a TFP não seja conhecida. O Sr. vai em qualquer lugar, qualquer "caixa prego", tem gente que conhece a TFP.

DP - Que tipo de ação concreta junto à população, deveria ser feito e pode ser feito para divulgar...

PCO -
Isso escapa à minha ação. Eu não interfiro na atividade de uma organização a qual eu não pertenço, que é a Ação Monárquica.

DP - O Sr. acredita que a monarquia, considerando esse plebiscito de 93, seria a solução mais adequada, ideal para governar esse país?

PCO -
Eu tenho a impressão - aqui estou falando como brasileiro, como cidadão brasileiro simplesmente e não como presidente da TFP - eu acho que uma coisa é certa: que se a monarquia tivesse desfechado no resultado que desfechou a república, seria o caso de suprimi-la. Isso ninguém nega.

DP - A monarquia tem chances e seria o caminho mais viável...

PCO -
É possível que muitos brasileiros pensem como eu. É razoável que muitos brasileiros pensem como eu.

DP - Então, entre os três, o Sr. prefere...

PCO -
Quais são os três?

DP - Presidencialismo, Parlamentarismo...

PCO -
Parlamentarismo e presidencialismo é uma matéria que está fora do assunto monarquia, são dois assuntos. Monarquia é uma coisa: é a forma de governo que tem à testa um rei. Há duas modalidades de monarquia: parlamentar e absoluta. A parlamentar é a única viável hoje em dia.

DP - Isso para o Brasil?

PCO -
Para o Brasil. Não se pode pensar em outra, não cabe. Ninguém aceitaria, não vai.

DP - Aí o Sr. não está questionando a questão do Parlamentarismo e Presidencialismo...

PCO -
O plebiscito é o seguinte: Monarquia ou república, um ponto. Agora, ponto dois: se for monarquia, será absoluta ou parlamentar? Terceiro: se for república, há de ser presidencial ou parlamentar?

Quer dizer, são no fundo quatro...

DP - Uma análise do Sr. fazendo a comparação da república com a monarquia, a viabilidade para o Sr. qual é?

PCO -
Ah, isso eu não sei. Eu estou fora disso, a TFP cuida de outras questões.DP - Muito obrigado.