segunda-feira, 31 de março de 2008

Príncipe Dom Bertrand em Maringá - PR

Em sua visita a Maringá – PR o Príncipe Dom Bertrand concedeu entrevista ao jornal “O Diário”. Publicamos aqui nesse blog apenas a entrevista. A introdução da matéria poderá ser vista no link abaixo. 


 


O Diário Online - – Maringá, PR


 A realeza contra a reforma agrária


 



(…)


Na passagem por Maringá, Dom Bertrand concedeu entrevista ao O Diário. O princípe recebeu a reportagem no Hotel, onde estava hospedado. A seguir, leia os principais trechos da entrevista.



O Diário: Qual o motivo da vinda do senhor para Maringá?
Dom Bertrand: Vim a convite de várias entidades. Falei à Sociedade Rural sobre as ameaças ao agronegócio e, na quinta-feira, participei de uma conferência no Cesumar sobre as oportunidades e também as ameaças que pairam sobre o setor. Dentre essas ameaças está a reforma agrária e os ditos movimentos sociais que, na verdade, são uma guerrilha rural. Eles invadem as fazendas, queimam as casas, matam o gado, destróem as florestas e laboratórios, enfim, uma verdadeira conspiração contra o agronegócio. Infelizmente, isso tudo tem a complacência e o apoio do governo.


 


O Diário: O senhor é contrário a qualquer tipo de reforma agrária?
Dom Bertrand: Absolutamente contrário. Desafio qualquer economista, agrônomo ou sociólogo a me apresentar um exemplo que tenha dado certo. A reforma não funciona porque não respeita a livre iniciativa e a propriedade privada. Para se ter uma idéia do fracasso da reforma agrária no País, o Brasil tem hoje em dia 67 milhões de hectares de agricultura e 200 milhões de hectares de pastagens. E tem 68 milhões de hectares de reforma agrária. O que produz esses 68 milhões de hectares? Favela rural. Eles só não morrem de fome porque o governo manda cestas básicas que compra de agricultores que produzem.


 


O Diário: O senhor tem propriedade rural?


Dom Bertrand: Tenho, com meus irmãos, uma micropropriedade, um sítio no Estado do Rio. Mas fui criado em uma fazenda que meu pai tinha em Jacarezinho. Passei toda minha juventude na fazenda. 


 


O Diário: Como é o dia a dia do príncipe hoje no País?


Dom Bertrand: Viajo muito. Coordeno o Movimento Monárquico, junto com meu irmão, e também um grupo de brasileiros idealistas, chamado Paz no Campo. O objetivo do Paz no Campo é alertar contra as ameaças que pairam sobre o futuro agrícola do País.


 


O Diário: O Paz no Campo tem relação com o movimento Tradição, Família e Propriedade?


Dom Bertrand: O Tradição, Família e Propriedade teve um problema atrás e, portanto, não estamos mais falando em seu nome. Esse movimento está nas mãos de outras pessoas.


 


O Diário: As pessoas o reconhecem quando o senhor está na rua?


Dom Bertrand: Reconhecem. Outro dia, saindo daqui do hotel, um rapazinho do curso secundário parou e disse: Ah, o senhor é o príncipe Dom Bertrand...


 


O Diário: Qual a avaliação do senhor sobre a República?


Dom Bertrand: Uma coisa essa é certa: hoje em dia ninguém afirma que a República deu certo. O Brasil deu certo até 1889. Depois de 15 de novembro de 1889 (data em que foi proclamada a República e marcou o fim da Monarquia brasileira) começou o caos neste País. Para se ter uma idéia, nós fomos um dos primeiros países do mundo a ter uma rede telefônica (segundo historiadores, D. Pedro II teria dito: "Meu Deus, isso fala!", ao ouvir a voz de Graham Bell ao telefone, em uma exposição no ano de 1876, nos Estados Unidos. Um ano depois, a rede era instalada no Rio de Janeiro). Fomos o segundo País do mundo a ter selo postal. O primeiro cabo submarino ligando a América Latina à Europa era nosso e ainda tínhamos a segunda maior marinha do mundo.


 


O Diário: O senhor imagina como seria o Brasil hoje se a Monarquia não tivesse acabado?


Dom Bertrand: Há uma pesquisa que as Nações Unidas publicam todo ano sobre o Índice de Desenvolvimento Humano. Entre as quinze primeiras nações da 
lista, dez são monarquias. Isso porque a Monarquia garante a unidade, a estabilidade e a continuidade à nação, coisas que a República não garante. Com a Monarquia, o Brasil certamente teria continuado na via de progresso e modernidade. Rui Barbosa, que foi quem redigiu o decreto da Proclamação da República (deputado e jornalista, Barbosa escreveu o decreto número um, que anunciava a escolha da forma de República Federativa, com as antigas províncias constituindo os Estados Unidos do Brasil), algum tempo depois se dizia arrependido. Uma frase célebre dele diz: "O parlamento do Império era uma escola de estadistas. O congresso da República transformou-se em uma praça de negócios". Não sei o que ele diria se visse Brasília hoje.


 


O Diário: A família real recebe algum dinheiro do governo?


Dom Bertrand: Não, nenhum. Além de não recebermos nada, após a Proclamação da República, foram confiscados todos os bens da família, que foi exilada.


 


O Diário: Como o senhor garante seu sustento hoje?


Dom Bertrand: Tem as doações de monarquistas e tenho meus meios de vida também.


 


O Diário: Caso a Monarquia voltasse ao Brasil, quem seria o rei?


Dom Bertrand: Nesse caso, o meu irmão mais velho, Dom Luiz. Depois dele, seria eu. E como eu não tenho filhos, a próxima geração seria representada 
pelo filho do nosso irmão, Dom Antônio.


 


O Diário: O senhor teve uma preparação especial, como príncipe?


Dom Bertrand: Isso vem com o sangue. Ouvi os familiares e meus pais contarem. Papai (Dom Pedro Henrique) voltou do exílio só com a roupa do corpo (após a Proclamação a família real foi exilada na França e só retornou ao Brasil em 1945) e um português rico do Rio de Janeiro lhe deu uma casa. Ele vendeu a casa e comprou uma fazenda no Paraná, de 73 alqueires, em Jacarezinho, onde criou seus 12 filhos. Mas, um dos conselhos paternos que mais agradeço ter recebido foi quando ele nos reuniu no jardim da casa da fazenda e disse: "Meus filhos, vamos aproveitar as únicas coisas que posso deixar para o futuro de vocês. Porque 73 alqueires divididos para 12 filhos não vão fazer a vida de ninguém. Mas eu posso deixar algo que é muito maior que isso. Em primeiro lugar, a fé católica apostólica romana. Em segundo lugar, uma boa educação e, em terceiro lugar, a consciência de uma missão histórica a realizar pelo Brasil. Preparem-se, que um dia o Brasil os chamará.


 


O Diário: O senhor votou para qual candidato nas últimas eleições presidenciais?


Dom Bertrand: O voto é secreto, mas não votei no Lula. 


 


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Para ver mais detalhes basta clicar no link abaixo.

http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/172953/

sexta-feira, 28 de março de 2008

Manifesto do Movimento Monarquia em Ação

Leia atentamente este Manifesto, assine e faça parte deste grupo, para a difusão do ideal da restauração da monarquia.

NOSSO PROPÓSITO

Este blog foi aberto num ano muito especial. Comemoramos os 200 anos da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil! Um grande impulso foi dado em 1808, finalmente foram colocados fundamentos fortes para a construção de um império no Novo Mundo.

Logo depois, veio a independência em 7 de setembro de 1822. E assim o Brasil recebeu dos céus o primeiro sorriso e a primeira bênção, que necessitava para iniciar sua caminhada na História. Após o breve reinado de D. Pedro I, o País conheceu o progresso e a estabilidade, e logo alcançou projeção internacional.

Admirada, temida e respeitada, a jovem nação atravessou com galhardia quase todo o século 19. Admirada pelas belezas naturais estupendas, pelas pródigas riquezas naturais de seu subsolo, pela Amazônia verdejante, pelos caudais imensos de um Amazonas e São Francisco. Temida pela fibra de seu povo que, sem se deixar arrastar pelas turbulências provocadas por caudilhos aventureiros, soube se posicionar com segurança varonil ao lado de suas coirmãs sul-americanas. Respeitada pelo forte vínculo monárquico capaz de unir vastidões quase continentais sob um comando estável; pela inteligência de seu povo, capaz das ousadias de um Engenheiro Rebouças, construtor de estradas de ferro em locais que se julgara impossível; pela capacidade de sonhar alto e levantar o homem sobre as nuvens, como o fez Santos Dumont.

Um raio súbito caiu em dia de sol. A República foi imposta por uma ditadura militar, a ferro e fogo, no ocaso desse primeiro século de existência. A nação estarrecida soube depois que tinha sido banida a Família Imperial. Naus benfazejas haviam trazido os construtores da Pátria. Mas o segredo dos conspiradores, ajudado pela escuridão da noite, a fez embarcar e a condenou ao exílio.

Hoje, não assistimos à construção, mas à demolição de valores que sempre nortearam os melhores filhos do Brasil. Em lugar da harmonia e da ordem, afligem-nos o caos crescente e a insegurança onipresente. Inúmeras pessoas fazem uma retrospectiva histórica e questionam as evidentes mazelas do período republicano. Incontáveis outras buscam uma saída para a situação em que estamos.

Os que aqui nos reunimos, temos em comum uma apetência profunda, um grande sonho e uma esperança batalhadora. Voltamos nossos olhos, neste momento, para o Príncipe D. Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial brasileira, a quem apresentamos nossas homenagens e manifestamos a intenção de, sob sua orientação, trabalhar com denodo para o real bem do povo brasileiro.

Aos que nos lerem e aplaudirem, agradecemos o estímulo do apoio. Para nós, as palmas vão além: desejaríamos que fossem capazes de despertar os que ainda estão átonos ou anestesiados, em estado de letargia psicológica que os impede de acudir nosso País.

Aos que nos criticarem de boa fé, agradecemos a colaboração que nos dão. O embate das idéias nos ajuda a explicitar pensamentos e a robustecer convicções.

Aos que quiserem se juntar a nós, os recebemos com alegria, mas os prevenimos: não somos um encontro de saudosistas, nem concedemos títulos e condecorações honoríficas, nem sequer fornecemos palco para satisfação de ambições pessoais. Somos, simplesmente, a monarquia em ação!

Mauro Demarchi
Sandra Ramon
André Garcia
Antonio Gueiros Bezerra Junior
Rafael de Oliveira Cruz
Quintino Geraldo Diniz de Melo
Vitor Bertassi
Bertolina Maffei
Klaibson N. R. Borges
Ana Claudia Perussolo
José Henrique Vallim
Sylvia Soares
Silvio Dantas
António Carlos Pires
Jorge José Bitar
Maria das Graças
Daniel Dantas de Oliveira
Daniel Pinheiro Junior
Hermenegildo Pereira Fernandes Pessoa

Cartilha Monarquista - parte 5

13. Pergunta: A idéia da Monarquia está viva no Brasil?

Tudo que é bom é "rei", é real.

No Brasil, o imaginário popular está impregnado da imagem de realeza: o Rei Pelé, a Rainha das Atrizes, o Rei da voz, o Príncipe das Peixadas, a Imperatriz Leopoldinense, o Império Serrano e um sem-número de designações que buscam transmitir qualidade e liderança são provas desse fato. O próprio adjetivo real associa veracidade e autenticidade. Um brasão de armas ou uma coroa figuram em todo produto que busca apresentar-se como fino e requintado.

Um pouco de História

Uma das alegações republicanas para a derrubada da Monarquia era o que eles chamavam de custo excessivo da Família Imperial.

Compare e comprove: embora o orçamento Geral do Império tivesse crescido às vezes entre 1841 e 1889, a verba de manutenção da Casa Imperial se manteve a mesma, ou seja, 800 contos de réis anuais.

Esse valor significaria 67 contos de réis mensais: pouco mais da metade do ordenado de 120 contos por mês atribuída ao primeiro Presidente republicano. Mordomia e República, estas sim nasceram de mãos dadas no Brasil.

D. Pedro II, quando no exílio, se recusou a aceitar a quantia de 5 mil contos de réis, oferecida pelos golpistas republicanos, indagando com que autoridade dispunham de um dinheiro que não lhes pertencia, mas sim ao povo brasileiro.

Essa quantia era o equivalente a quatro toneladas e meia de ouro. Ao recusar a mordomia, D. Pedro II deu ao País mais um exemplo de desprendimento e probidade. Infelizmente, esse exemplo não frutificou na República. Pelo contrário.

A participação popular na proclamação da República foi praticamente nula. Receando que o povo chamasse o Imperador de volta, a República manteve os monarquistas na ilegalidade por quase um século.

Somente em 1988 foi derrubada a famigerada Cláusula Pétrea, preceito constitucional que proibia discutir a República e a Federação. No Império, entretanto, o Partido Republicano funcionou sem restrições e com inteira liberdade de organização e propaganda. Chegou mesmo a ter representantes na Câmara dos Deputados: uma bancada de apenas dois deputados no final do Império, o que dava bem a medida de sua impopularidade.

Implantada a República, nada disso foi permitido aos monarquistas, numa gritante diferença de tratamento. Quem, de fato, acreditava em democracia e liberdade?

Levar a sério a proposta da Monarquia Parlamentar é considerar uma opção real de mudança.

O Brasil precisa de um Imperador.

Viva Dom Luiz!

Vi

Cartilha Monarquista - parte 4

10. Pergunta: E os partidos de Oposição?

O Imperador garante a Oposição.

Na Monarquia Parlamentar quem manda é o governo eleito - e não o Imperador, que somente modera e arbitra para defender o povo quando este manifesta insatisfação com o governo. Não pertencendo a nenhum partido, o Imperador não age como os Presidentes de República que perseguem ou compram a Oposição para poder mandar sozinhos...

As Oposições podem ser muito mais eficazes tendo garantida a liberdade de manifestação daqueles que são contrários ao governo vigente.

Para que se corrijam as distorções e se reduzam as desigualdades de uma sociedade como a nossa, é importante que as Oposições "quebrem o pau" muito mais do que hoje.

11. Pergunta: Quanto custa urna campanha presidencial?

Uma fortuna! E quem paga é você...

A eleição de um Presidente da República custa uma fábula e nenhum candidato dispõe de muitos milhões de dólares para financiá-la pessoalmente. Tem de recorrer aos grandes grupos econômicos, e o resultado é que o Presidente eleito sobe ao poder com mil-e-um compromissos e "dividas eleitorais" que acabam conduzindo à corrupção e são pagas com o dinheiro da povo.

No regime parlamentar monárquico, com o voto distrital misto, o candidato aos cargos legislativos não precisará recorrer ao poder econômico para se eleger, pois sua campanha se limitará a uma área reduzida, isto é, ao distrito pelo qual concorre.

12. Pergunta: E os lideres carismáticos?

Na Monarquia, o carisma é um atributo da realeza.

Na Monarquia, o carisma se fixa na pessoa da Rei, uma vez que ele simbolizará o caráter permanente e a continuidade da Nação através de sua dinastia. É esse atributo da realeza que dificulta a emergência de lideres carismáticos, políticos messiânicos que, como a História comprova, acabam sempre instaurando tiranias e infelicitando o povo.

Cartilha Monarquista - parte 3

7. Pergunta: A Restauração da Monarquia seria legítima?

A própria Monarquia é legítima.

Na realidade, o governo provisório da república recém proclamada havia prometido à Nação, pelo Decreto n° 1, um Plebiscito que determinaria a permanência da República ou a Restauração do Império. Reconhecia, assim, claramente a sua ilegitimidade, por não ter sido consagrada pelo voto popular. A promessa, no entanto, não foi cumprida na ocasião, sendo "desarquivada" 104 anos mais tarde, quando, após a extinção da "cláusula pétrea", realizou-se o Plebiscito de 1993, o qual, por falta de tempo hábil para a divulgação esclarecedora sobre a Monarquia, resultou no prolongamento da república presidencialista. Nem mesmo o Parlamentarismo, um sistema de governo que cobra responsabilidade do Congresso, conseguiu passar.

8. Pergunta: Qual será o papel do Congresso na Monarquia?

Um Congresso melhor, com o voto distrital misto.

Para que o povo possa se manifestar, cobrando responsabilidade dos políticos, é preciso adotar o voto distrital misto. É isto que vai permitir ao eleitor votar conscientemente e fiscalizar de fato seus representantes no Congresso.

A metade dos parlamentares passará a representar distritos, ou seja, regiões do país. Eles podem ser eleitos até por bairros ou grupos de bairros nas cidades. E terão de prestar contas regularmente de seus atos aos eleitores de seus distritos. O eleitor passa a ter um controle que nunca teve.

A outra metade, a ser eleita pelo critério proporcional, será proveniente de listas partidárias que obrigarão os partidos a apresentar candidatos cuja autoridade moral e competência elevem o nível das campanhas eleitorais, melhorando o padrão de qualidade das Câmaras.

A proposta do voto distrital misto inclui ainda a restauração da correta proporcionalidade da representação popular na Câmara dos Deputados. Acaba de vez com o absurdo de um eleitor de Roraima valer o voto de vinte paulistas, quinze mineiros ou doze fluminenses. A representação igualitária dos Estados no Senado continuará como é atualmente.

É claro que, com a reorganização da lei eleitoral, decorrente do voto distrital misto, haverá uma tendência natural de reagrupamento das forças políticas em torno de partidos realmente representativos da vontade popular.

9. Pergunta: Na Monarquia não existem mais mordomias que na República?

As Monarquias zelam pelo dinheiro público.

Nas Monarquias modernas não há cortes suntuosas. Os monarcas não exibem nem usufruem luxos desnecessários e não esbanjam os recursos públicos. Nos momentos difíceis, os monarcas são os primeiros a dar o exemplo: na crise do petróleo, houve monarcas europeus que passaram a andar de bonde e ônibus! Alguém já imaginou um Presidente fazendo isso no Brasil?

A Família Dinástica (Real ou Imperial) vive da dotação orçamentária a ela destinada pelo Poder Legislativo. As Monarquias modernas custam muito menos que as Repúblicas. Mesmo no passado, a nobreza brasileira era puramente nominal: os títulos mais importantes eram concedidos por mérito, não passavam de pai para filho e não geravam mordomias pagas com o dinheiro do povo.

Já os Presidentes, vêm e vão, nomeiam a parentada e os cabos eleitorais (que permanecem na folha de pagamento), deixam pesadas contas e projetos faraônicos a serem pagos com o sacrifício da Nação. Certamente você não esqueceu o desperdício de recursos que foi a Transamazônica, aquela estrada que liga nada a coisa nenhuma...

Cartilha Monarquista - parte 2

4. Pergunta: Qual é a função do Imperador?

Estado e Governo são coisas diferentes.

Na Monarquia ocorre a separação entre o Estado, que é permanente, e o Governo, que é transitório. O Imperador é o Chefe do Estado; o Primeiro Ministro é o Chefe do Governo.

O Imperador não governa: ele é o "Quarto Poder" - um moderador e um árbitro neutro, isento, colocado acima das lutas partidárias e da influência dos grupos econômicos. O Imperador não pensa na próxima eleição, mas na próxima geração. E cuida de educar seu filho para sucedê-lo no trono.

O Imperador exerce o Poder Moderador, que, na República, vem sendo indevidamente desempenhado pelas torças armadas através de golpes e insurreições. O Monarca (Imperador ou Rei) é o fiel da balança e o fiscal do povo junto ao Governo. Sendo apartidário, convive facilmente com um Primeiro Ministro socialista, como ocorre na Espanha e na Suécia, ou com um Chefe de Governo conservador, como na Inglaterra.

Nós queremos um Imperador para nos defender do Governo. Queremos um Parlamento forte e responsável. Mas um Primeiro Ministro descartável. Se ele deixar a desejar, se for ruim, não teremos de agüentá-lo por quatro, cinco anos. Muda-se o Primeiro Ministro, mas o povo continua no poder através do Imperador.

E para se mudar o Governo, não é preciso nenhum golpe de Estado e, menos ainda, uma revolução.

Um jogo que acaba bem.

A República Presidencialista é como um jogo de futebol sem juiz. É o que acontece agora no Brasil: ninguém se entende. A República Parlamentarista é como um jogo de futebol onde o juiz pertence a um dos times. Já sabemos o que acontece quando o juiz é "ladrão". A Monarquia Parlamentar é como um jogo de futebol onde o juiz é imparcial. Ele garante o respeito às regras. O jogo acaba bem. Vence o interesse do povo.

5. Pergunta: Quem será o Imperador?

O trono do Brasil pertence ao povo.

O trono do Brasil tem dono: o povo brasileiro. É ele que, através do Congresso Nacional, reconhece o Imperador. Assim aconteceu com D. Pedro I e D. Pedro II de acordo com a Constituição vigente em nossa Monarquia.

Com a restauração da Monarquia, seria reconhecido um dos Príncipes da Casa de Bragança - descendente das Princesas Isabel e Leopoldina, D. Pedro II e D. Pedro I - que, por história e tradição, ocuparia o trono do Brasil como traço de união entre todos os brasileiros.

6. Pergunta: O Parlamentarismo não pode funcionar com um Presidente?

O Parlamentarismo só é viável com a Monarquia.

Se a Monarquia não desse tão certo, por que estaria o Japão mantendo, há tantos séculos, essa forma de governo? Por que teria a Espanha retornado à Monarquia, e está se dando tão bem? Em nosso país não há uma tradição de Parlamentarismo Republicano. A curta experiência que tivemos foi logo torpedeada e fracassou. Não adianta ser Parlamentarista e manter a República.

Só a Monarquia poderá assegurar o Parlamentarismo responsável e sua continuidade no Brasil. Quando necessário, o Imperador dissolverá o Congresso, nos termos da futura Constituição, convocando imediatamente novas eleições, ou seja, deixando o povo falar.

Cartilha Monarquista - parte 1

Esclareça aqui as suas dúvidas sobre a Monarquia Parlamentar.

1. Pergunta: Monarquia não é coisa do passado?

As Monarquias, hoje, estão na liderança.

A Monarquia é a forma mais moderna, mais eficaz e mais barata de governo. Monarquia quer dizer também democracia, liberdade de expressão e de imprensa.

Monarquias são, hoje, os países mais liberais e mais adiantados do mundo, com a melhor distribuição de renda e os padrões de vida mais elevados. Os exemplos são Suécia, Noruega, Dinamarca, Holanda, Inglaterra, Bélgica, Espanha, Canadá, Austrália e Japão.

Juntas, essas nações são responsáveis por uma imensa fatia do chamado PIB mundial.

Entre os 25 países mais ricos e democráticos do mundo, 18 são Monarquias, ou seja, constituem a esmagadora maioria.

São países que fornecem, ainda, exemplos de socialismo que funciona na prática. Aí estão a Espanha e a Suécia para comprovar.

2. Pergunta: E a Monarquia brasileira?

O Brasil já foi do Primeiro Mundo.

No Império, o Brasil tinha uma moeda forte; possuía uma importante indústria naval e uma das maiores redes ferroviárias do mundo; instalou os primeiros sistemas de correios, telégrafos e comunicações telefônicas das Américas, e gozava de ampla liberdade de pensamento, expressão e imprensa, tendo conquistado, por tudo isso, a admiração e o respeito das demais nações.

No tempo de D. Pedro II, a auto-estima era elevada, como reconhecem historiadores isentos. O povo tinha orgulho de ser brasileiro.

3. Pergunta: E a nossa República?

O passado e o presente condenam a República.

O golpe militar de 15 de novembro de 1889 nos empurrou goela abaixo a República, passando por cima da vontade popular, que apoiava a Monarquia. A queda da Monarquia teve muito a ver com a abolição da escravatura.

Como seu pai, D. Pedro II, a Princesa Isabel jamais teve escravos e, ao assinar a "Lei Áurea", deixou bem claras as suas convicções: perdeu a coroa mas não abriu mão de libertar os escravos; por outro lado, sua condição de herdeira do trono, futura Imperatriz, acirrou o preconceito machista dos generais que iriam derrubar a Monarquia.

A República nasceu sem legitimidade e apoiada pelos senhores de escravos. Deu no que deu.

Foram 12 estados de sitio, 17 atos institucionais, 6 dissoluções do Congresso, 19 rebeliões militares, 3 renúncias presidenciais, 3 presidentes impedidos de tomar posse, 4 presidentes depostos, 7 constituições diferentes, 2 longos períodos ditatoriais, 9 governos autoritários e um sem-número de cassações, banimentos, exílios, intervenções nos sindicatos e universidades, censura à imprensa e outras arbitrariedades. Nos últimos 65 anos até 1994, o único presidente civil eleito diretamente pelo povo que completou o seu mandato foi Juscelino Kubitschek; e outro, Getúlio Vargas, foi levado ao suicídio. Fernando Henrique Cardoso foi, nos últimos anos, o segundo presidente a conseguir idêntica proeza na república.

Ruy Barbosa, que viveu na Monarquia e foi um dos fundadores da República, deu a mão à palmatória e, já em 1914, afirmava:

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. Esta foi a obra da República nos últimos anos."

Imagine o que ele diria hoje!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Dom Luiz de Orleans e Bragança

Além das notícias sobre Dom Luiz já publicadas neste blog Monarquia em Ação queremos destacar mais algumas:

* Entrevista de D. Luiz no Jornal Nacional. Apesar de apresentar um texto com muitos erros, as palavras de D. Luiz tem destaque marcante.



* D. Luiz visita o Tribunal de Justiça do Paraná

13/03/2008 Presidente do TJ recebe membros da Família Imperial brasileira Autor: Assessoria de Imprensa


O presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador José Antônio Vidal Coelho recebeu, na tarde desta quinta-feira (13), a visita de cortesia de Dom Luiz de Orleans e Bragança, chefe da Casa Imperial do Brasil e de Dom Bertrand de Orleans e Bragança, que estiveram em Curitiba presenciando a sessão solene ocorrida na Assembléia Legislativa, em comemoração aos 200 anos da vinda da Família Real portuguesa ao Brasil.
Participaram do encontro, o desembargador Antônio Lopes de Noronha, 1º vice-presidente do TJ, Anette Maria Roesner, secretária, e Denise Cristina Rychuv Santos, subsecretária do Tribunal.
Depois de conversarem no gabinete da Presidência, os visitantes fizeram questão de conhecer o Plenário do TJ e o Museu da Justiça.


Os príncipes Dom Luiz e Dom Bertrand de Orleans e Bragança, acompanhados pelos desembargadores Antônio Lopes de Noronha, 1º vice-presidente, e José Antônio Vidal Coelho, presidente, durante a visita ao Plenário do TJ.

* Dom Luiz visita Base Aérea de Santa Cruz


Descendentes da família imperial visitam BASC


A Base Aérea de Santa Cruz (BASC-RJ) recebeu, no dia 5 março, a visita de descendentes da antiga família imperial do Brasil. Entre os visitantes, o chefe da Casa Imperial do Brasil, Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança e o irmão dele, Dom Bertrand de Orleans e Bragança. Eles foram recepcionados pelo Comandante da BASC, Coronel Gilson de Barros Caputo Junior.

Os príncipes e comitiva conheceram as instalações da organização, que eles recordaram como uma área que fazia parte da antiga Fazenda Imperial de Santa Cruz.


Fonte: BASC


quarta-feira, 19 de março de 2008

Argumentário Monárquico


O blog Argumentário Monárquico apresentou excelente matéria sobre a divulgação da causa monárquica. Tão importante o texto e tão de acordo com o pensamento do Movimento Monarquia em Ação que aqui o publicamos:


1 - Ordem de importância dos argumentos

Em recente pesquisa de opinião, realizada entre os leitores do Correio Imperial, solicitou aos seus leitores que escolhessem qual a melhor linha de divulgação dentre as opções apresentadas. Tabuladas as respostas, verificou-se a seguinte ordem de preferência:

Primeira - A postura eclética que reúne as três opções abaixo;

Segunda - Utilizar o poder de encantamento da monarquia;

Terceira - Apresentar as vantagens da forma monárquica de governo; e,

Quarta - Mostrar as mazelas e contradições da forma republicana de governo;

A primeira e a segunda linha, encontram defensores entre aqueles que se dedicam ao estudo teórico e histórico das formas políticas.

A terceira é menos teórica, como no caso da posição do escritor Ariano Suassuna (é bem conhecida sua sentença: "A monarquia é mais bonita do que a república"), bem como a do monárquico português Soveral (sua linha pode ser resumida pelo seguinte trecho de um de seus artigos: "Mas tudo isto, podendo ser explicado, detalhado, somado e diminuído, tem sobretudo de ser sentido. Daí, desde logo, que a nova estratégia monárquica tenha de ganhar autenticidade, associando-lhe ao tradicional debate das suas vantagens racionalizadas a força de um movimento de adesão intuitiva e emocional, a que normalmente se chega sem muitas explicações mas com muita fé").

Para utilizar o poder de encantamento da monarquia, recomenda-se:

a ) a contínua apresentação da Família Imperial Brasileira. Toda divulgação monárquica deve citar Sua Alteza Imperial e Real o Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança. monarquistas);

b ) a divulgação de eventos monárquicos com toda "pompa e circunstância" que os cercam.

Nota 1: Não se discute questões dinásticas. Dom Luiz é o Chefe da Casa Imperial. Sabemos que existem falsos monarquistas que, a cada dia, inventam uma novidade. Apresentam um outro príncipe que poderia ser o que não é e nunca será. Falam em uma nova dinastia que ainda não existe e jamais virá à lume. São numericamente insignificantes. Nada mais querem do que atrapalhar ao máximo o inevitável: a restauração da monarquia parlamentar no Brasil. Pessoas deste tipo existem em todos os países do mundo que têm tradição monárquica. Pertubam no Reino da Dinamarca, contestam a Rainha da Inglaterra, são contra o Rainha de Copas e o Rei Momo. Se dizem do contra. Não são nada.

Para apresentar as vantagens da forma monárquica de governo, bem como para mostrar as mazelas e contradições da forma republicana é importante ter em conta:

a ) os fatos históricos;

b ) dados estatísticos que mostram a superioridade e as vantagens da forma monárquica de governo;

c ) a teoria monárquica.

Contudo, é preciso que se guarde a devida proporção dos argumentos mantendo sempre a prioridade dos elementos brasileiros. Se apegar demais à teoria ou a eventos internacionais pode causar a impressão de estar fora da realidade.

Nota 2: Existem algumas afirmações falsas a respeito do nosso Brasil que, de tão repetidas, acabam parecendo verdades. Uma delas diz que o Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão. Não foi.

O último país do mundo a abolir a escravidão foi a Arábia Saudita em 1962. E não foram apenas os países árabes que adentraram pelo século XX mantendo a escravidão.

No nosso Brasil, a abolição da escravatura ocorreu em maio de 1888. Em alguns estados de nossa terra, bem antes desta data, nossos irmão negros já eram livres.

Se compararmos o Brasil com os Estados Unidos, logo veremos que os norte-americanos só aboliram a escravatura vinte e poucos anos antes da Lei Áurea. (Em termos de históricos, este intervalo de tempo é mínimo.)

Há de se ter também em conta que, em nossa terra, a abolição foi pacífica. Na América do Norte, foi preciso uma guerra civil que destruiu grande parte do país. Os estados do sul e sua população foram massacrados.

Mas não se pode atribuir à abolição a posição de fato único na libertação dos escravos. Quando da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, a lei do ventre-livre e a dos sexagenários já haviam reduzido o número de escravos a bem menos de um quinto do que era antes.


Argumentário Monárquico - UOL Blog.

Sites e grupos monarquistas

O grupo "Amigos da Monarquia" hospedado no Yahoo, oferece uma lista de sites e grupos monarquistas. Aqui segue a relação.



Monarquia BR
Portal monárquico ligado à Pró Monarquia
http://www.monarquiabr.net

Alleanza Monarchica
Site monárquico italiano
http://www.alleanza-monarchica.com

Argumentário Monárquico
Apresenta argumentos a favor da monarquia
http://argumentario.zip.net

Associação Amigos Reais
Site monárquico do Paraná, com representações em São Paulo.
http://www.monarquiabr.net/dominios/amigosreais.monarquiabr.net

Brasil Imperial
Site monárquico independente
http://www.monarquia.com.br

Correio Imperial
Site do Correio Imperial, informativo monarquista via Internet (a assinatura é gratuita)
http://www.geocities.com/correioimperial/Correio-Imperial.html

Círculo Monárquico de Belo Horizonte
Artigos sobre a boa causa monárquica
http://belohorizonte.site.voila.br

Círculo Monárquico de Curvelo
Artigos comentários sobre a monarquia
http://curvelo.zip.net

Círculo Monárquico de Fortaleza
Site do Círculo Monárquico de Fortaleza - Obs.: tem muitos links interessantes.
http://www.circulomonarquico.com.br

Círculo Monárquico de Pernambuco
Site do Círculo Monárquico de Pernambuco.
http://www.samnet.com.br/cmp

Círculo Monárquico de Ponta Grossa
Textos sobre a monarquia
http://monarquiapg.zip.net

Círculo Monárquico do Rio de Janeiro - Dom Luiz o Príncipe Perfeito
Site oficial do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro
http://www.circulomonarquico.org.br

Folha Imperial
Um noticiário objetivo sobre a boa causa monárquica
http://folhaimperial.zip.net

Heraldry by Countries
Site de heráldica, internacional.
http://www.heraldica.org/topics/national

Heráldica Pelotense
Site comercial para pesquisa de brasões de famílias.
http://www.heraldica.com.br

Imperial Club
Site monárquico italiano.
http://www.imperialclub.net

Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos do Rio Grande do Sul
Organização de proselitismo monárquico fundada em Porto Alegre (RS) em 20/8/1985
http://www.ibem.org

Manifesto Pela Restauração da Monarquia Parlamentar no Brasil
http://imperiodobrasil.zip.net

Importante depoimento


No excelente grupo Amigos da Monarquia encontramos um depoimento de João Baptista. Vale a pena ler e comentar. Muitas coisas estão mudando no Brasil de hoje. Precisamos aproveitar este momento.


Amigas e Amigos,

Foi com surpresa que vi, ontem, na aula de História-3, a professora falar da maneira mais elogiosa sobre Dom Pedro II e, principalmente, comentar sobre a seriedade do regime monárquico no que se refere à FORMAÇÃO do príncipe/princesa que esteja sendo preparado(a) para ocupar o Trono futuramente.
Citou, inclusive, o Príncipe William, que teria falado com o irmão, o Príncipe Harris, que ele, Harris, podia pensar, por exemplo, em estudar Medicina porque não estava próximo da sucessão, ao passo que ele próprio, William, era obrigado a seguir as orientações educacionais em vista de suas obrigações futuras, isto é, ele não tinha escolha, tinha que seguir o que era necessário para ser futuramente Rei.
Acentuou que Dom Pedro II era muito interessado em cultura de modo geral e era HONESTÍSSIMO, nunca usando o dinheiro do Estado em suas viagens e patrocinando, de seu próprio bolso, ajudas para pessoas necessitadas.
O livro indicado por ela para fazermos trabalho sobre Dom Pedro II é o escrito por José Murilo de Carvalho, que está, aliás, fazendo tanto sucesso.
E olha que ela deve ter, pelo que comenta em sala, convicções marxistas!!
Disse outra coisa surpreendente: que se no plebiscito de 1993 a conjuntura tivesse sido um pouco diferente, possivelmente estaríamos com a monarquia restaurada no Brasil e que isso seria, muito provavelmente, muito melhor para o país!!

É isso aí.....

Grande abraço e saudações monárquicas
João Baptista

Aventuras na História

Com o título de capa 1808 - 2008: 200 anos da Família Real no Brasil, está nas bancas a mais recente edição ("Edição de colecionador") da revista Aventuras na História da Editora Abril, toda dedicada ao momentoso tema. Entre suas 22 matérias há uma única entrevista, a concedida pelo Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança enquanto sucessor dinástico de Dom João VI, e que vai ilustrada com excelente fotografia de Sua Alteza. Recomendamos sua leitura.

Atenciosamente
Pró Monarquia

quarta-feira, 12 de março de 2008

Instituto Histórico e Geográfico e Faculdade de Direito de SP Convidam:

Revista de História da Biblioteca Nacional

1808, antes e depois... - Novidades nas livrarias

A corte engana Napoleão, cartas de Carlota Joaquina e a viagem da família real

O ano de 2008 anuncia novas e velhas polêmicas e a demolição de mitos. Talvez fosse melhor pensar, antes de tudo, na pertinência das comemorações em torno da “data canônica” – para alguns especialistas a precursora da Independência. No último Simpósio Nacional da Associação Nacional de História (2007), o historiador Luiz Felipe de Alencastro fez uma proposta ousada, que poucos têm coragem de sustentar: Por que 1808 e não 1850? Afinal, onde estará a crise do escravismo nas obras lançadas e relançadas em razão do bicentenário da vinda da Corte? A falta de opção por este viés interpretativo não compromete a qualidade de alguns livros, como os do jornalista Laurentino Gomes, da historiadora Francisca Nogueira de Azevedo, e o relato de época do tenente irlandês Thomas O’ Neil, acompanhado de alentada introdução de Lília Schwarcz.

Quanto a 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil, não há como negar o esforço do autor em percorrer a bibliografia sobre o tema, desde o clássico de Oliveira Lima até as interpretações mais recentes, estabelecendo o debate historiográfico e preocupando-se em situar os fatos no contexto histórico. Por outro lado, uma das premissas do jornalista, “resgatar a história da Corte portuguesa no Brasil do relativo esquecimento a que foi confinada”, parece contraditória ante a numerosa bibliografia sobre o período. Além disso, o extenso subtítulo é suscetível à traição. Embora o objetivo de alcançar um público mais amplo e pouco afeito à literatura acadêmica seja louvável, apostar em “fuga” da família real – por mais que os instantes finais da partida autorizem essa fórmula – e na imagem do “príncipe medroso” significa retroceder a questões há muito debatidas e até refutadas. Fuga ou transferência, justamente por se tratar de evento histórico, é algo que não se limita à semântica. A aparentemente simples operação de substituir a segunda palavra pela primeira implica desconsiderar um projeto político de mudança do centro de poder monárquico aventado em Portugal desde o século XVI – apesar das hesitações que retardaram a partida do cais de Belém em 1807. Um aspecto serve de ponte entre a obra do jornalista e a de Francisca Nogueira. Enquanto o primeiro reitera o ódio profundo entre D. Carlota Joaquina e D. João, a historiadora – há anos dedicada à tarefa de “repensar e reconstruir” as imagens cristalizadas sobre a Princesa do Brasil – mergulhou no íntimo da correspondência da espanhola de gênio impetuoso, portadora de uma educação refinada e inspirada nas Luzes do reinado de Carlos III, e trouxe à tona elementos importantes para a revisão da personagem.

Carlota Joaquina: cartas inéditas revela traços da relação entre a “esposa amante e fiel” e “meus amores da minha alma” – D. João –, assim como da ardorosa defensora da integridade dos domínios espanhóis na América após a deposição dos Bourbon. Decidida a não se deixar abater pelos “obstáculos que continuamente se opõem às minhas idéias e justas operações”, escreveu ao governador de Montevidéu em 1810 e enviou-lhe diversas jóias para que realizasse “as gloriosas empresas que vos inspira vosso santo patriotismo”. A polêmica rainha devassa não é a única revigorada. Os tais 15 mil (pouco mais ou menos) cortesãos que teriam acompanhado o regente na travessia do Atlântico terão seu descanso da tormentosa viagem mais uma vez interrompido. Tudo por causa do relançamento de A viagem da família real portuguesa para o Brasil, um escrito de 1810 assinado por Thomas O’ Neil, fonte que alimentou a idéia de fuga e do exorbitante número de membros da comitiva real. “Muitas vezes pouco confiáveis”, segundo Lília Schwarcz, as informações do irlandês provêm da sua memória e de relatos colhidos, configurando uma trama em que os fatos aparecem freqüentemente truncados. (Fabiano Vilaça)

1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil, de Laurentino Gomes. São Paulo, Editora Planeta do Brasil, 408 páginas, R$ 39,90 www.editoraplaneta.com.br

Carlota Joaquina: cartas inéditas, de Francisca L. Nogueira de Azevedo. Rio de Janeiro, Editora Casa da Palavra / Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 408 páginas, R$ 55,00 www.casadapalavra.com.br

A viagem da família real portuguesa para o Brasil, de Thomas O’ Neil. Rio de Janeiro, José Olympio / Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 128 páginas, R$ 29,00 www.record.com.br


Revista de História da Biblioteca Nacional.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Sandra Ramon: COMENTÁRIO DE QUEM VIVEU O MOMENTO

Te Deum na Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e S. Benedito dos Homens Pretos - Rio de Janeiro

Comentários da Prof. Sandra Ramon sobre as comemorações no Rio de Janeiro

Engana-se a jornalista, preocupada com o possível erro diplomático cometido pelo jovem negro Vanderli, membro da Irmandade dos Homens Pretos, membro do Instituto Dona Isabel I, a Redentora, um brasileiro militante da causa monárquica.

Vanderli, em sua posição de Mestre de Ceromônias, talvez a pessoa que tenha emprestado maior empenho ao sucesso da festa dos Homens Pretos, antes a festa do povo brasileiro, representou o grito de tantos quantos estavam presentes ao ato.

Faltou à profissional, a emoção que todos devemos emprestar ao exercício de nosso trabalho. Faltou a ela, perceber detalhes muito mais distintos. Exerceu a função para o qual foi paga.

Não pôde perceber o congraçamento social que havia naquela igreja na manhã de 08 de março de 2008. Homens, mulheres, crianças, pretos, mulatos, brancos, estudados ou não. Gente simples do povo, reis, rainhas, príncipes, imperadores, a neta da Princesa Isabel! Misturados homegeneamente pelo encanto do imaginário popular, viram o que desejavam ver e emocionaram-se. Vibraram. Vibramos. Foi a maior manifestação popular ligada a História que pudemos assistir.

Erro diplomático? Às favas. Conta a beleza e a grandeza sócio-cultural religiosa manifestada em cada presença.

Pobre jornalista, que não foi sensível à esplendorosa entrada de Dom Luiz à Igreja, ao som de Magnificat, pelo coral da Igreja Nossa Senhora de Lurdes. Momento ímpar: quem não emocionou-se? Quem não curvou-se ante a magestosa presença do nosso Imperador "de jure"?

Dona Teresa. Por que não foi citado que o Mestre de Cerimônias, ao aclamar sua presença, lembrou sua importãncia naquela data em que comemora-se também o Dia Internacional da Mulher? E a sua idosa magestade, simples, bonita, aplaudida de pé levanta-se, vira-se em direção a Assembléia e faz um gracioso gesto de agradecimento, bem à moda das Cortes.

A Homilia do Abade Dom José Palmeiro Mendes do Mosteiro de São Bento. Curta, breve, aula de História sobre o momento ali revivido.

O comportamento elegante, porque natural. Rico, porque cada um levou o melhor de si no coração, na alma, na honra, na vontade.

O cortejo da entrada da Irmandade, com seus estandartes, suas opas, simbolismos da fé e respeito de cada mulher, cada homem, velhos, novos. Brasileiros.

Tal como D.João há duzentos anos, D.Luiz é incensado e curva-se ante o altar de Nossa Senhora. Pede bênçãos para o país onde a sua chegada, declarara: "Aqui temos uma missão".

Em um templo que abriga mais de mil pessoas, completamente lotado, o silêncio celestial quando todos ajoelham-se contritos à entrada do Santíssimo Sacramento. Emoção pura. Um nó se faz na nossa garganta e lágrimas teimosas enchem nosso olhar. Independentemente de questão religiosa, ali estava o Espírito Santo de DEUS a jogar chuvas de bênçãos sobre a Pátria Brasileira.

Te-Deum. Do Padre José Mauricio, mulato, protegido de Dom João que encantara-se com seus dotes artísticos musicais. No arcaico latim, origem de nossa lingua portuguesa, brasileira, de tantas terras, de tantas raças.

Sim. Vanderli anunciou a chegada de Dom Duarte Pio, rei de Portugal. E ninguém importou-se porque estávamos ali por uma causa maior. Pusemo-nos de pé a aplaudir sua entrada.

Simplicidade e emoção pontuaram o discurso do Procurador da Irmandade dos Homens Pretos e do Dr. Francisco, estudioso exemplar e dedicado das histórias do Brasil e Portugal, benfeitor da Irmandade.
Nada desviava a atenção dos presentes. Nenhum ruído podia ser percebido na numerosa assembléia.

Linda a decoração. Flores amarelas contrastavam o verde das folhas, enfeitando o Brasil. Bandores em verde-amarelo pendiam por todos os cantos e recantos da igreja, alegrando sua sóbria arquitetura colonial.

Palavras de Dom Luiz de Orleans e Bragança. Ternura. Conhecimento das raízes nacionais. Atenção aos atuais problemas brasileiros. Perfeição do Estadista. Quando anunciado, é respeitosamente ovacionado de pé, posição em que permanecem os presentes até o "Tenho Dito" seguido de longos aplausos.

Palmas ao Imperador do Brasil. Palmas à esperança de ver a Pátria novamente vibrante a brilhar no palco das grandes nações do mundo. Palmas ao Império Brasileiro restaurado. Palmas. Palmas para o Brasil. Palmas para a brava gente brasileira.

A Banda da Polícia Militar toca o Hino Nacional e o povo de pé canta com entusiasmo.

Encerrando, as bênçãos por Dom Abade.
Cada um dos presentes, certamente levou seu pensamento ao Alto, pedindo em prece por nosso país.

Em procissão, deixa a igreja a Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, fundada em 1640.

O povo não tem pressa. Convidado a um "copo d'água", dirige-se ao salão principal e, solene, aguarda a entrada do Imperador, novamente aclamado.

E repete-se o "beija mão", hoje simplificado por um simples cumprimento, conforme insiste Dom Luiz.

VIVA DOM LUIZ! VIVA O BRASIL! VIVA PORTUGAL, NOSSA PÁTRIA MÃE! E todos davam vivas, pois há muito está consagrada a amizade dos povos brasileiro e português.

Felizes aqueles que têm olhos de ver, ouvidos de ouvir. Pois ali, tudo foi perfeito.

Naqueles momentos, não haviam diferenças de nacionalidade, raça, cultura, credo.

Ali estavam, mostrando "que um filho seu não foge à luta", o Brasil, os "filhos deste solo, mãe gentil, PÁTRIA AMADA, BRASIL!"

Sandra Ramon Franco

D. Duarte chamado "rei" numa igreja do Rio

Notícia enviada pela Prof. Sandra Ramon representante do Movimento Monarquia em Ação nas homenagens de comemoração dos 200 anos de chegada da Família Real Portuguese ao Brasil. É importante ler a notícia e logo depois, ler o comentário feita pela Prof. Sandra Ramon.

CATARINA CARVALHO
Enviada especial ao Rio de Janeiro
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, no centro antigo do Rio de Janeiro, estava ontem engalanada de flores amarelas e polícias militares empunhando bandeiras. Lá dentro, a música era cantada em latim. O tom era de festa. Só destoava a rapariga que à porta distribuía panfletos a quem passava, como numa "manif". "Nota de desagravo", dizem.

A celebração que decorria nesta igreja era alternativa ao programa oficial. Nela não participava Cavaco Silva, convidado de Lula nas comemorações dos 200 anos da chegada da família real ao Brasil, que estão a decorrer. A Igreja do Rosário foi onde D. João VI, ainda príncipe regente, assistiu ao Te Deum no dia em que desembarcou no Rio, 8 de Março de 1808. Mas não foi a igreja escolhida agora para as comemorações oficiais. A nobre função coube à actual sé, remodelada por uma empresa privada e onde Cavaco assistiu a um concerto.

Fora das comemorações oficiais, a Igreja do Rosário não se ficou e resolveu fazer um panfleto de protesto e celebrar na mesma com "uma missa solene, aberta ao mesmo tipo de público, que de forma entusiasta recebeu a família real, em 1808: nós, brasileiros comuns".

Negros, mulatos, brancos, enfim, numa definição, brasileiros, encheram os bancos da igreja. A irmandade que gere a igreja chama-se "dos homens pretos" porque foi desde cedo composta por escravos, e negros libertados - muitos com fundos da paróquia. No primeiro Te Deum, o príncipe regente foi recebido pelos negros da congregação, como retrata o quadro de Armando Viana, agora na capa do catálogo da grande exposição sobre o tema, aberta na sexta-feira por Cavaco e Lula no Museu Nacional.

Foi essa audiência mista que rejubilou em palmas com a entrada de D. Duarte Pio na cerimónia. No Rio a convite da câmara, atrasado por ter estado com Cavaco - veio a pé dois quarteirões até à igreja -, foi saudado com um "vem entrando o rei de Portugal" pelo nervoso apresentador negro, que nem reparou no erro diplomático.

Na igreja já estavam D. Luís Gastão, herdeiro do trono brasileiro, e seus irmãos, que se associaram à celebração não oficial. Para os Bragança, descendentes de D. João VI, todas as comemorações são boas: dignificam as memórias familiares, relembram o lugar deles, herdeiros sem trono, na história. "Fiquei muito emocionado com o discurso de Lula", conta D. Bertrand de Orleans e Bragança, irmão de D. Luís. O presidente brasileiro agradecera à família o papel na criação do Brasil e enalteceu D. João VI no discurso de inauguração das comemorações.

D. Duarte Pio é descendente de D. Miguel, que não esteve ao lado do irmão na questão brasileira. Mas 200 anos depois, e sem monarquia instituída em nenhum dos países, a questão é pouco relevante. Como aliás mostra a recepção, entre o eufórico e o curioso, que ele e Isabel de Herédia tiveram nesta missa e no que se seguiu.

Depois da cerimónia, houve o "aperto de mão" a D. Luís - muito parecido com o beija-mão real em que D João VI passava tardes no Paço Real. Os que participaram na missa foram cumprimentar o herdeiro, ele sentado numa cadeira no meio do salão paroquial, eles em fila indiana à espera do momento. Nenhum dos presentes teve de passar por seguranças, como aconteceu na cerimónia de Lula e Cavaco. Até o fotógrafo de serviço, Jadson, apareceu porque viu o anúncio da missa no jornal e achou que havia ali negócio: vendia, por 20 euros, "a sua foto com o imperador". Uma verdadeira manifestação popular, como dizia Isabel de Herédia, "muito divertida e sem preconceitos". "Viva o Brasil! Viva D. Luís! Viva D. Duarte Pio! Viva Portugal, nossa pátria mãe!", gritou o apresentador no final da cerimónia.



O Jeitinho Brasileiro na Trisecular Irmandade

Quem passa em frente à Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e de S. Benedito dos Homens Pretos não imagina quanta história aquelas paredes já viram. Se aquelas portas falassem, certamente contariam tantos causos do mais alto interesse histórico.
Quando chegou a Família Real Portuguesa, a Igreja já era catedral há 70 anos. Foi para essa Igreja que D. João VI e sua família se dirigiram no dia 8 de março de 1808, onde foi cantado um Te Deum. Passo a palavra ao Sr. Pedro Lopes que relata: Nesta oportunidade, o cabido (cônegos) da Igreja quis impedir que os negros da Irmandade, fundada e composta por escravos libertos e alforriados, recebessem o Príncipe Regente à porta da Igreja, trancafiando-os no interior de sua própria Igreja. Os irmãos da Irmandade, fingindo-se conformados, já utilizando-se do “jeitinho brasileiro” conseguiram se desvencilhar da prisão provisória recebendo o Príncipe Regente Dom João à frente dos cônegos com cânticos e louvores. Tal imagem está consagrada em tela a óleo de Armando Viana no Museu da Cidade, assim como, reconhecido por historiadores renomados do país (Revista História da Biblioteca Nacional, edição número 28). Aí está, o jeitinho brasileiro resolveu a situação.
Mas a História não se encerra aí. Em razão de combinações políticas (desconhecidas dos coordenadores deste blog) a Trisecular Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e de S. Benedito dos Homens Pretos ficou de fora das comemorações oficiais promovidas por governos. Seria mais uma vez a discriminação aos Homens Pretos, como fora feita no passado? Não sabemos. Mas o jeitinho brasileiro mais uma vez deu resposta ao problema e a Família Imperial Brasileira foi recebida com toda pompa no templo onde mais uma vez foi cantado o Te Deum.
Bonita homenagem nestes 200 anos da chegada da Familia Real Portuguesa.

domingo, 9 de março de 2008

Le Monde comenta transmigração da Família Real


A vinda da família Real para o Brasil, há 200 anos, foi inegavelmente uma passada de perna no arrogante Napoleão. Como os franceses estão vendo nossas comemorações? Despeito? Le Monde, jornal francês, comenta num artigo de três dias atrás publicado pelo site UOL.



06/03/2008
Crônica: "Muito obrigado, Napoleão", dizem os brasileiros

Jean-Pierre Langellier

Todos os brasileiros poderão confirmar: o seu país existe graças a... Napoleão. O Brasil moderno é a conseqüência feliz de um excesso de orgulho imperial. Ele nasceu como nação porque Bonaparte havia obrigado a família real portuguesa a fugir para o outro lado do oceano, rumo à sua imensa colônia. Cem dias mais tarde, a dinastia dos Bragança desembarcava no Rio. Este fato aconteceu dois séculos atrás, em 8 de março de 1808.

Em 1806, o Imperador francês, no auge do seu poder, decreta o bloqueio continental contra a Inglaterra. Intimada a interromper todo comércio com ela, a Europa cumpre a ordem. Apenas Portugal reluta, não se conforma em trair a Grã-Bretanha, sua antiga protetora. Ele ganha tempo, lança mão de um jogo duplo, finge que irá ceder, mas, por trás da cortina de fumaça, assina um acordo secreto com Londres. Napoleão perde a paciência diante deste pequeno país insolente e lhe lança um ultimato. Ele terá de obedecer, caso contrário perderá o seu trono e a sua frota.

Em Lisboa reina um príncipe regente, Dom João, futuro D. João 6º, o Clemente. A sua mãe era a rainha Maria 1ª, também chamada de "A Louca" por ter afundado na demência depois da morte do seu filho primogênito. Ela havia se recusado, por motivos religiosos, a vacinar este último contra a varíola. Dom João tem 40 anos. É um homem obeso, tímido, indeciso. Ainda assim, diante da imposição autoritária dos franceses, ele irá tomar a decisão certa: exilar-se além dos mares. O tempo está acabando, pois Napoleão deu ordem ao general Junot para invadir Portugal. Eis que o oficial avança rumo a Lisboa, à frente de um exército de cerca de 25.000 homens.

O êxodo rumo à América constitui um projeto antigo, que é relembrado toda vez que o reino enfrenta um grande perigo. Desta vez, ele precisa ser posto em prática às pressas. Os víveres são amontoados, os arquivos são coletados, as jóias da Coroa - obras de arte, lingotes de ouro, diamantes do Brasil - são recolhidas. O conteúdo de 700 charretes acaba sendo reunido nos porões de 36 navios prontos para zarpar. No meio da confusão da partida, os 60.000 volumes da Biblioteca real e toda a prataria das igrejas permanecerão esquecidos no cais do porto. Tomada por um lampejo de lucidez, a "rainha louca" grita para o cocheiro que a está conduzindo para o porto: "Não corram tanto! As pessoas vão pensar que estamos fugindo!"

Na manhã de 29 de novembro, a chuva parou de cair, o sol está brilhando, o vento começa a ficar mais forte. É dada a ordem para partir. A frota desloca-se lentamente pelo rio Tejo e vai se afastando sob a proteção de uma esquadra inglesa. Já não era sem tempo. A vanguarda do general Junot alcança as docas uma hora depois do último navio da frota real ter desatracado. Aliás, a empreitada do general vai dar com os burros n'água. Milhares de insurretos tomarão as armas contra os seus regimentos, que retornarão para a França em agosto de 1808. A respeito de Dom João, Napoleão escreverá: "Ele é o único homem que conseguiu me pregar uma peça".

A elite portuguesa inteira está fugindo entre céu e mar. Quantos estão nesta situação? Entre 5.000 e 15.000, segundo os historiadores. Nobres, oficiais, juízes, comerciante, bispos, médicos, pajens e camareiras acompanham a família real, da qual todos os membros estão presentes. O seu périplo é um pesadelo. Esses cortesões assustados e descontentes não serão poupados de nenhuma desgraça: as tempestades, as náuseas coletivas, o escorbuto, a falta de água. Uma invasão de piolhos obriga as mulheres a rasparem a cabeça.

Depois de uma travessia que durou 52 dias, Dom João desembarca em Salvador na Bahia. Pela primeira vez, um soberano da Europa pisa o solo da América. A festa dura uma semana, durante a qual milhares de súditos comparecem para beijar a mão do príncipe. Esta escala é uma jogada política. Dom João aproveita para reafirmar a sua autoridade sobre a população das províncias do Norte, em volta de uma cidade, Salvador, que foi a primeira capital do Brasil e se mostra nostálgica por ter perdido esta condição. Nela, o regente toma uma decisão crucial, a de abrir os portos para o comércio mundial. O fim do monopólio colonial é o preço a ser pago pelo seu apoio à Inglaterra, que dele será a principal beneficiária.

Cem dias depois de ter deixado Lisboa, a frota atraca na baía do Rio. No dia seguinte, a família real desembarca em meio a um ambiente de alegria. Ouvem-se estrondos de canhões, os sinos tocam seus carrilhões, muitos se borrifam com água benta, respirando os vapores de incenso. Predomina um contraste impressionante entre esta cidade "africana", povoada numa proporção de dois terços por negros e mestiços, entregue aos aventureiros e aos mercadores de escravos, e esses cortesões pálidos que trajam roupas pesadas, um pouco ridículos.

Três séculos depois da sua descoberta por Pedro Álvares Cabral, em 22 de abril de 1500, o Brasil continua sendo uma terra inexplorada. É um país de fronteiras imprecisas, desprovido de um verdadeiro poder central, que ainda não possui nem um comércio interno, nem uma moeda. Os seus 3 milhões de habitantes ainda não se consideram verdadeiramente como "brasileiros". A chegada do príncipe irá transformar a colônia numa metrópole. Por meio das suas iniciativas, o Rio cresce em tamanho, se embeleza e se refina. A cidade se abre para as mercadorias e as idéias.

Dom João implanta um Estado estável e organizado. Ele confere ao Brasil a sua unidade territorial, política, econômica e lingüística. No momento em que a América espanhola está sendo tomada por levantes, guerras e dilaceramentos, o Brasil emancipa-se suavemente da tutela portuguesa. Em 16 de dezembro de 1815, o regente proclama "o reino unido de Portugal, do Brasil e de Algarves", tornando a cidade do Rio de Janeiro com o mesmo status de Lisboa. Ele torna-se o rei João 6º. Um ano depois do seu retorno ao país natal, o seu filho Dom Pedro proclama a Independência (em 7 de setembro de 1822) e se torna o primeiro imperador do Brasil.

Hoje em dia, o Brasil está celebrando com orgulho o bicentenário da chegada de Dom João. Ele organiza exposições, emite selos e cunha moedas comemorativas. Por ocasião do mais recente carnaval, várias escolas de samba fizeram deste evento histórico o tema do seu desfile. Um dos refrões, que era entoado em coro pela multidão, concluía-se com um alegre: "Até logo, Napoleão!" Até logo e obrigado.

Tradução: Jean-Yves de Neufville
Visite o site do Le Monde

sábado, 8 de março de 2008

Já é notícia: D. Luiz e Dom Bertrand visitarão a Assembléia Legislativa do Paraná

Império
A Assembléia irá receber. no próximo dia 13, as visitas de Dom Luiz de Orleans e Bragança - atual Chefe da Casa Imperial do Brasil e o Príncipe D. Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil. O convite partiu do deputado Fernando Carli Filho (PSB) que propôs uma sessão especial em comemoração ao bicentenário da vinda da família real portuguesa para o Brasil. “Acredito que resgatar a memória da família real é reconhecer a importância da sua vinda e da sua permanência para o início da estruturação política, jurídica e econômica brasileira”, afirma o deputado.

http://www.bemparana.com.br/index.php?n=60728&t=caso-bonilha-i

 

terça-feira, 4 de março de 2008

Entrevista do Principe D. Luiz

Video da Entrevista do Principe Dom Luiz publicado na Folha Online

video

Trechos da Entrevista:

Folha Online - Como é viver hoje como herdeiro dinástico 200 anos após a chegada da família real ao Brasil?
Dom Luiz de Orleans e Bragança - Vivemos sem luxo nem esplendor. Vivemos com os recursos que nós temos, que não são muito grandes. Alguns [dos herdeiros] têm empregos, outros vivem --como meu irmão d. Bertrand e eu-- de auxílio de monarquistas que nos ajudam a tocar a vida mas sem nenhum luxo --como você pode ver essa casa não é um palacete, é uma casa média. Vivemos procurando tanto quanto possível lutar pelos interesses do Brasil, no campo ideológico e civil.
(...)
Folha Online - É difícil carregar um nome não só longo mas com tanto significado em uma república como o Brasil e em um mundo globalizado?
Dom Luiz - De um lado é difícil, de outro a gente nasceu e foi criado para isso. Agora, traz uma responsabilidade muito grande. As pessoas olham para nós como quem deveria ser exemplos e nós devemos manter uma linha, uma dignidade, uma compostura para evitar toda e qualquer coisa que possa desabonar esse nome.
(...)
Folha Online - O princípio da igualdade de nascimento ainda existe? Ou seja, os príncipes só se casam com princesas --e vice versa-- se não eles têm de abrir mão da herança dinástica?
Dom Luiz - Na Casa Imperial do Brasil sim. Pelo seguinte: normalmente todo príncipe é educado não tanto em função de seus próprios interesses mas em função dos interesses de seu país e de seu povo. E os maridos têm de estar de acordo. E se fizer um casamento com uma pessoa que não foi educada desse jeito pode trazer uma série de complicações, erros e uma série de problemas. E para o bem do país, é preciso que eles sejam casados entre famílias principescas.
(...)
Folha Online - Mas o senhor acha que é necessário mudar apenas os personagens ou o sistema político?
Dom Luiz - Eu acho que a monarquia ajudaria enormemente a resolver os problemas. Pelo seguinte: o soberano não é eletivo e, portanto, não está vinculado nem a partidos nem a grupos de interesses e nem a forças econômicas. O seu interesse é o interesse da nação. Por uma razão muito simples: se ele governar bem, quem vai se aproveitar disso é ele mesmo e seus filhos. Se ele governar mal, o castigo cai sobre ele mesmo e seus filhos. Quer dizer, o interesse do soberano e da nação formam um só e não há essa preocupação que há na república da próxima eleição. Isso não existe na monarquia. Mais uma vez eu digo: o interesse do rei e do imperador é uno com o interesse da nação e isso é uma coisa que tem também a capacidade de moralizar toda a política porque ele se torna um exemplo incorrupto e incorruptível para toda a nação. E por via de conseqüência, toda a máquina política a estrutura da nação se torna moralizada. Com isso, os problemas do país se resolvem muito mais facilmente sem que entrem rixas entre partidos políticos ou grupos de interesses. O soberano é um árbitro, é um juiz imparcial que pode ajudar a harmonizar tudo isso.
(...)
Folha Online - Ainda assim o senhor acredita que a monarquia possa voltar?
Dom Luiz - Acho que sim. Não hoje, mas amanhã, a médio-longo prazo, pode voltar. E eu acho que vai voltar. Por causa da insatisfação do povo, porque há --não só no Brasil, mas no mundo inteiro-- uma tendência a voltar às antigas tradições aos antigos modos de ser uma moralidade mais severa. Uma corrente muito forte tanto no Brasil como no exterior. E essa corrente no Brasil pode ser determinante num certo momento. Poderia ser um novo plebiscito, depende muito das circunstâncias. Uma coisa que nós não queremos é um golpe de Estado porque um golpe de Estado sujeita o soberano à facção que o pôs no poder e ele perde sua independência e o carisma próprio da monarquia.

Fatos Pitorescos e curiosos sobre Reis, Rainhas, Nobre e Plebeus


Lançamento que divulgamos com satisfação! Acaba de ser lançado no Brasil, por Leon D. Beaugeste, um livro que retrata o cotidiano do mundo da nobreza no contexto dos grandes fatos históricos.

A Volta ao Mundo da Nobreza
A História através dos fatos

Se você aprecia a História, este livro lhe interessa. Contém uma coletânea com mais de 1.700 fatos históricos de reis, rainhas, imperadores, nobres, plebeus, políticos, diplomatas, artistas - gente que deu rumo aos acontecimentos de vários países em várias épocas.

Reis como Luís XIV, Luís XV, Henrique IV, Filipe II, São Luís IX, Frederico II, Luís XVI, Dom João III, Eduardo VII, Vitório Emanuel II.

Imperadores como Carlos V, Dom Pedro II, José II, Maria Teresa da Áustria, Napoleão, Paulo I.

Rainhas como Maria Antonieta, Vitória, Catarina II e a Princesa Isabel.

Generais como Turenne, Condé, Bayard, Gran Capitán, Wellington.

Ministros como Richelieu, Thomas Morus, Disraeli.

Diplomatas como Talleyrand, Metternich, Choiseul.

Artistas e intelectuais como Molière, Le Nôtre, La Fontaine, Voltaire.

Todos são mostrados em traços rápidos e simples, com familiaridade, na sua intimidade ou nos grandes momentos.

Você enriquece a sua cultura, descortina amplos horizontes, viaja através de um mundo grandioso.

sábado, 1 de março de 2008

AGENDA - Março


Agenda a cargo da Prof. Sandra Ramon


Museu Histórico Nacional e os 200 anos


200 anos. Em cartaz, de 8 de março a 8 de junho, a exposição internacional "Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil", patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian e com o apoio da TAP, como parte das comemorações dos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil.



Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro Eventos


Eventos

5 de março de 2008

O Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro tem o prazer de convidar V. Exa. para a Sessão de Abertura das Atividades Culturais, quando falará Kenneth Light sobre

A transferência da Capital e Corte para o Brasil, 1807-1808

Data: 5 de março de 2008, às 17 horas
Local: Av. Augusto Severo, 8 – Salão Nobre –11º. andar – Glória
Traje: sócios - escuro com insígnia; convidados - passeio completo

Às 18h30min, no Terraço, lançamento do livro Da Escola Palatina ao Silogeu: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1889-1938), de Lucia Maria Paschoal Guimarães.

27-28 de março de 2008

O Supremo Tribunal Federal, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Centro Cultural Justiça Federal e o Tribunal Regional Federal 2ª Região promovem o Seminário Juízes e Tribunais: Perspectivas da História da Justiça no Brasil, nos dias 27 e 28 de março, no Rio de Janeiro.

O evento reunirá palestrantes renomados para debater a história da justiça desde o Brasil Colônia até os tempos atuais.

Programação do Seminário

O Supremo Tribunal Federal, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Centro Cultural Justiça Federal e o Tribunal Regional Federal 2ª Região promovem o Seminário Juízes e Tribunais:

Perspectivas da História da Justiça no Brasil, nos dias 27 e 28 de março, no Rio de Janeiro.

O evento reunirá palestrantes renomados para debater a história da justiça desde o Brasil Colônia até os tempos atuais.
Programação

Dia 27 de março

9h/10h Credenciamento
Sala de Coordenação do Seminário

9h30/10h30 Abertura
Pronunciamento da Ministra Ellen Gracie Northfleet, Presidente do STF. Lançamento de selo comemorativo alusivo ao Bicentenário do Judiciário Independente
no Brasil
Teatro

10h30/11h30 Palestra
Juízes e Tribunais no Período Colonial
Prof. Dr. Arno Wehling
Teatro

11h30/14h Almoço

14h/15h Palestra
Juízes e Tribunais nas Constituições Brasileiras
Ministro Célio Borja
Teatro

15h/16h Palestra
Juízes e Tribunais no Império
Prof. Dr. Airton Seelaender
Teatro

16h/16h30 Café
Térreo

16h30/17h30 Palestra
A Justiça Estadual na República
Desembargador Barbosa Moreira
Teatro


Dia 28 de março

9h30/10h Café de boas-vindas
Térreo

10h/12h30 Mesa-redonda
A Casa da Suplicação e a Justiça no Período Joanino
Prof. Dr. Arno Wehling, Profª. Dra. Isabel Lustosa, Desembargador Antônio Izaias e Prof. Dr. Guilherme Pereira das Neves
Teatro

12h30/14h30 Almoço

14h30/15h30 Palestra
O STF na República Velha
Acadêmico Alberto Venancio Filho
Teatro

15h30/16h30 Palestra
O STF no Período de Minha Judicatura: 1975 a 2003
Ministro Moreira Alves
Teatro

16h30/17h Café de encerramento e entrega de certificados
Térreo

Inscreva-se já
Seminário Juízes e Tribunais
Perspectivas da História da Justiça no Brasil
Período: 27/03 e 28/03

Assessoria de Comunicação Social CCJF